O Rapaz do Pijama às Riscas

O romance de John Boyde, conta a história do Bruno, um menino de 9 anos que, um certo dia, ao chegar a casa constata que uma mudança radical iria acontecer na sua vida, no seu pequeno mundo.
O pai havia sido promovido pelo Fúria e, por este motivo, a sua família teria de se mudar para "Acho-vil" como Bruno dizia.
Aos seus olhos, toda a sua vida é deixada para trás, a sua escola, os seus amigos, a sua rua, a sua casa, o seu quarto e principalmente os seus avós, a quem era tão chegado.
Depois de já estar instalado na casa nova, Bruno observa da janela do seu quarto algo muito estranho: um campo com uma vedação de arame, onde se movimenta muita gente do sexo masculino e todos a usarem um pijama às riscas.
Na sua inocência, Bruno jamais imaginaria que naquele campo eram cometidas as maiores atrocidades de toda a história.
Um romance muito comovente, eu não esperava pelo desfecho que teve. Contudo, este desfecho levou-me a pensar no sentido metafórico das "vedações" da nossa sociedade.
Não devemos nunca subestimar as crianças em hipótese alguma, devemos sempre e de acordo com a sua faixa etária abordar e esclarecer todos os assuntos.
Uma leitura que recomendo
Classificação: 6/6 - Excelente

SONG

When I am dead, my dearest,
Sing no sad songs for me;
Plant thou no roses at my head,
Nor shady cypress tree:
Be the green grass above me
With showers and dewdrops wet;
And if thou wilt, remember,
And if thou wilt, forget.
..
I shall not see the shadows,
I shall not feel the rain;
I shall not hear the nightingale
Sing on, as if in pain:
And dreaming through the twilight
That doth not rise nor set,
Haply I may remember
and haply may forget.
.
Christina Rossetti

Assírio e Alvim in Os Pré-Rafaelitas, antologia poética

"O jovem médico português Sidónio Rosa, perdido de amores pela mulata moçambicana Deolinda, que conheceu em Lisboa num congresso médico, deslocou-se como cooperante para Moçambique em busca da sua amada.
Em Vila Cacimba, onde encontra os pais dela, espera pacientemente que ela regresse do estágio que está a frequentar algures. Mas regressará ela algum dia?
Entretanto vão-se-lhe revelando, por entre a névoa que a cobre, os segredos e mistérios as histórias não contadas de Vila Cacimba - a família dos Sozinhos, Munda e Bartolomeu, o velho marinheiro, o administrador, Suacelência e sua Esposinha, a misteriosa mensageira do vestido cinzento espalhando as flores do esquecimento."
O que eu achei:
Este romance de Mia Couto, é cheio de intriga, mistério e sobretudo de mentiras. Mentiras estas que se vão revelando à medida que a história avança.
Diga-se que as mentiras são tantas quantas as personagens que existem no romance.
O autor brinda-nos com trocadilhos de palavras e frases que nos fazem reflectir:

"depois de tantos anos deixamos de viver na casa e passamos a ser a casa onde vivemos"

"É o esquecimento e não a morte que nos faz ficar fora da vida"

"Quem tem medo da felicidade nunca chega a ser feliz"

"Quem pede sempre não sabe querer"

"amar - disse ele - é estar sempre chegando"

Um livro de leitura fácil, com personagens de caracterização simples, que mentem, perdoam, têm desejos e objectivos. Penso que é nesta simplicidade e na narrativa cheia de filosofia que está a beleza deste romance.


Classificação: 4/6 - Bom

Personal Collection - Karen Cooper

Reading in a Red Dress - Karen Cooper

Spread a Quilt on the Grass - Karen Cooper


Ao "navegar neste mundo" que é a blogosfera, descobri estes quadros lindíssimos de Karen Cooper http://karencooperpaintings.com/works.
A pintora contemporânea tem uma vasta colecção. Estes, foram os que mais gostei e resolvi partilhar convosco.

Alma e os mistérios da vida



"Na noite em que nasceste madrugada adentro coisas estranhas aconteceram"
.
"Começa assim a história de Alma. Depois dessa madrugada, o destino da criança de cabelos cor de fogo estava traçado. Particularmente dotada, inteligente, sensível e com uma percepção paranormal da realidade, Alma é olhada na pequena aldeia como um ser estranho. Rejeitada pela família e pelo povo, encontra refúgio junto de uma velha mulher, a Ti Ifigénia, também ela isolada e considerada bruxa.
Num dia de Outono, a mãe de Alma, que tinha como verdade assente que a filha era um caso perdido, envia-a para Lisboa como criada de servir. Na casa de Dona Sofia, a menina de cabelos cor do fogo é acolhida e educada como uma filha e pela primeira vez Alma sente-se amada e desejada. A partir dali, o seu futuro será, para o bem e para o mal, para o melhor e para o pior, completamente diferente do seu passado"

.
O que eu achei:

Quando comecei a ler "Alma" achei que ia ser uma leitura interessante, com o decorrer da história dei conta de que todos os acontecimentos interessantes rapidamente terminavam, ou seja, quando pensava que algo ia chegar ao "auge" um personagem morria e passava-se ao acontecimento seguinte. Quando comecei a chegar ao fim do livro, comecei a pensar onde estava realmente a história principal e só a poucas páginas do fim é que realmente o romance tomou aquela proporção que se espera, pelo menos eu, e aí sim, não consegui parar de ler e confesso que chorei.

A história decorre no período da ditadura em Portugal, mostra-nos as mentalidades "fechadas" cheias de superstições, tanto na classe baixa como na classe alta, em relação a tudo o que fugia à regra e ao estereótipo na altura.

Gostei de ler Alma, mas não foi uma leitura que me tivesse apaixonado :(

Classificação: 3,5

Firmin - Sam Savage

ADOREI E ACONSELHO A TODOS LEREM!!!


A História de Firmin, o nosso rato, começa assim:

"Sempre imaginei que a história da minha vida, se e quando a escrevesse, teria uma primeira frase grandiosa; uma coisa grandiosa como "Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade", de Nabokov; ou, caso eu não tivesse queda para o lírico, então uma coisa epopeica como "Todas as famílias felizes são iguais, mas as famílias infelizes são cada uma à sua maneira", de Tolstoi. São palavras que as pessoas não esquecem, mesmo que já não se lembrem do resto dos livros. No que diz respeito a primeiras frases, porém, a melhor, na minha opinião, é sem dúvida a que inicia "O Bom selvagem" de Ford Madox Ford: "Esta é a história mais triste que alguma vez ouvi." Já a li dezenas de vezes e continua a deixar-me de rastos. Ford Madox Ford era dos grandes."


Firmin é um rato que nasce numa livraria, a sua mãe, alcoólica, para além dele teve mais doze filhos.
Firmin era o mais fraco e, por ser o mais fraco, nunca conseguiu alimentar-se bem, pois a sua mãe só tinha doze mamilos, o que lhe valeu, pois livrou-se do alcoolismo.
Para sobreviver Firmin encontra um sabor especial nos livros, descrevendo-os como “doce, amargo, agridoce, raçoso, salgado, picante”.E de tanto devorar livros, aprende a ler, alargando o seu conhecimento nas diversas áreas, nomeadamente: história, medicina, música…
A Princípio, Firmin roía páginas inteiras, mas quando o gosto pela leitura fala mais alto, passa a roer somente as margens brancas dos livros e arrepende-se de ter destruído algumas obras.
Durante toda a história, o personagem fala-nos de clássicos e faz referência aos mesmos quando estes “encaixam” nos acontecimentos da sua vida.
Firmin é um rato solitário, considera-se diferente dos outros ratos. Ele quer amar, quer entender os humanos e considera-se, por vezes, humano. É, sobretudo, um rato romântico, imagina ser Ferd Asteire, dança com Ginger Rogers nos seus sonhos, e à noite olha as estrelas e divaga…
Uma história MAGNÍFICA!!
Classificação: 6

O MERCADO DOS GNOMOS
.
De manhã e à tarde
As donzelas ouviam os gnomos apregoar:
“Venham comprar os frutos do nosso pomar
Venham comprar, venham comprar:
Maçãs e marmelos,
Limões e laranjas,
Cerejas inteiras
Melões e groselhas,
Pêssegos aveludados e sumarentos,
Amoras de cabeça escura,
Vacinos livres de selvagens,
Maçãs, amoras silvestres
Alperces, morangos;-
Amadurecidos juntos
Em tempo Veranil,-
Belas tardes que voam;
Venham comprar, venham comprar:
As nossas uvas vindas de vindimar,
Romãs grandes e graciosas,
Tâmaras e abrunhos agudos,
Pêras raras e rainhas-claúdias,
Damascos e aranhos,
Provem e saboreiem
Framboesas e ribésias
Bérberis brilhantes como o fogo,
Figos de encher a boca
Limas vindas do sul,
Doces à língua e sãs à vista;
Venham comprar, venham comprar.”
.
Tarde após tarde
Por entre os juncos à margem do regato,
Laura inclinava a cabeça a escutar,
Lizzie dissimulava seus rubores:
Agachavam-se juntas muito perto
No ar que arrefecia,
De braços entrelaçados, a segredar entre lábios,
Faces e pontas dos dedos dormentes.
“Fica perto” disse Laura,
Levantando a cabeça dourada,
“Não devemos olhar para os homens gnomos,
Não devemos comprar os seus frutos:
Quem sabe em que solo se alimentaram
Aquelas esfomeadas e sedentas raízes?”
(…)
Mas Laura gulosa precipitou-se a falar:
“Boa gente, não tenho moedas;
Servir-me seria roubar:
Não há um cobre na minha bolsa,
E também não tenho prata,
E todo o meu ouro está no tojo
Que se agita ao tempo ventoso
Por cima da urze de ferrugem.”
“Tens muito ouro sobre a tua cabeça,”
Responderam todos em coro:
“Paga-nos com um caracol dourado.”
Ela cortou uma preciosa madeixa dourada,
Soltou uma lágrima mais rara que pérola,
Depois sorveu os pomos claros ou vermelhos:
Mais doces que o mel de fraga,
Mais fortes que o vinho que alegra o homem.
Mais claro que a água que escorria esse sumo;
Nunca antes provara nada igual,
Como poderia saciar-se por usança?
Ela sorveu e sorveu e sorveu mais ainda
Os frutos dados pelo pomar desconhecido.
Sorveu até os lábios ficarem doridos.
Então atirou fora as cascas vazias
Mas guardou um caroço amendoado,
E não sabia se era de noite ou de dia
Quanto voltou sozinha para casa.
(…)*
.
* Christina Rosseti
.
O tema da tertúlia virtual deste mês é o Desejo. Resolvi colocar aqui uma parte do poema de Christina Rosseti, "O Mercado dos Gnomos", em que duas irmãs são atraídas pelo chamamento dos gnomos, tendo uma resistido e a outra caído em tentação, seguindo o seu DESEJO...
O poema é magnífico, no entanto, extenso. Colocá-lo aqui na sua totalidade poderia cansar o leitor ou fazer com que desistisse a meio.
.
A Tertúlia Virtual é promovida pelo Eduardo P.L http://elunardelli.blogspot.com/ e pelo expresso da linha http://expressodalinha.blogspot.com/

Locução Latina...





abyssus abyssum invocat





*o abismo chama o abismo











































Conclusão: Estou proibida de entrar ou passar por uma livraria :(

Selos ...

O selo "Este blog dá-me energia" foi oferecido pela Serena do blog http://serenaflor1964.blogspot.com/ O meu muito obrigado Serena.

O selo "Você é um leitor indispensável" foi oferecido pelo Eduardo do Blog http://feijoadaliteraria.blogspot.com/ o meu muito obrigado ao Eduardo.



O selo "Blog de ouro" foi oferecido pela Maggie do Blog http://jornaldamaggie.blogspot.com/ Muito obrigado Maggie.


Foi com muita alegria que recebi estes selos e de acordo com as regras e também quebrando algumas vou oferecê-los a 14 blogues, são eles:
Muitos parabéns a todos vocês e continuação de boas leituras.
O romance desenrola-se à volta de dois personagens, são eles: Kafka e NaKata.
Kafka é um rapaz de 15 anos que foge de casa, para que a profecia que o pai lançou sobre ele não se concretize.
Nakata é um homem cuja meninice foi afectada por um acontecimento estranho aquando de uma ida à montanha com a sua professora e os seus colegas.
Na história, estes dois personagens não se cruzam, mas as suas acções estão interligadas.
Ao longo de todo o romance, Murakami dá-nos a conhecer aspectos da cultura japonesa, nomeadamente: gastronomia, termos utilizados, ditados, músicas populares e poetas.
Há uma frase no romance, que se revela importante para Kafka do poeta Yeats “a nossa responsabilidade começa nos sonhos”
Quando iniciei a leitura de Kafka à Beira Mar e no decorrer da mesma, pensei que os enigmas que iam surgindo iriam ser desvendados ao longo da história. Contudo, novos enigmas interessantes foram surgindo e então “percebi” que não tinha de os desvendar, tinha apenas que os entender como parte integrante da história (não sei se quem já leu o livro sentiu isso, no entanto eu assim senti). Pois o livro, não fala do fantástico com o intuito de o querer explicar, simplesmente, os acontecimentos remetem o leitor para o fantástico. Gostei muito de o ler embora o recomende com alguma reserva. Pois, muitas vezes quando iniciamos uma leitura temos por objectivo chegar ao fim e ter uma conclusão obvia. Neste excelente livro de Haruki Murakami, isto não acontece. Muitas dúvidas persistem quando chegamos ao final.
Classificação: 5

Blogger Templates by Blog Forum