Por aqui lemos...



E por ai? O que andam a ler??



AGOSTO

Taiti/ EUA/ Peru/ Brasil/ Inglaterra/ França/ Holanda/ Noruega/ Suiça

Charles Bukowski

Pronto.
Está decidido.
Vou fazer uma afirmação:
há muita qualidade em determinados catálogos editoriais!

Dois livros de Charles Bukowski em Setembro e Outubro?!
Venham eles.

Setembro:
"A mulher mais bonita da cidade" - Alfaguarra


Outubro:
"Música para Água Ardente" - Antígona (a capa ainda não foi divulgada)

Segue o passatempo de uma das novidades do momento!
Trata-se do mais recente livro de Robert Harris, publicado pela Editorial Presença.


Para participar basta seguir as regras do passatempo e preencher o formulário.

Regras do Passatempo:
-O passatempo começa hoje, dia 12 de Setembro, e termina às 23.59h do dia 19 de Setembro de 2014. 
-O participante vencedor será escolhido aleatoriamente;
-O vencedor será contactado via e-mail;
-Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência.
-Ser Seguidor do blogue (para ser seguidor, basta clicar em “seguidores” na barra lateral direita)

-O blogue não se responsabiliza pelo extravio de livros.

Formulário


Boa sorte aos participantes!
Sinopse
Este romance baseia-se, tão ao gosto do autor, num caso histórico que ficou como exemplo de injustiça, corrupção e preconceito e em que se envolveram muitas outras personalidades históricas bem conhecidas. Trata-se do drama cuja personalidade central foi Alfred Dreyfus, acusado de ter vendido informações aos serviços secretos alemães, que foi condenado e deportado para Ilha do Diabo, na Guiana Francesa. Robert Harris narra-o na primeira pessoa, pela voz de um oficial de nome Picquart, uma figura discreta na vida real, mas que aqui se transforma na figura principal. Este personagem vem a descobrir a inocência de Dreyfus e persiste em repor a verdade dos factos, sofrendo com isso pesadas consequências. 
O Oficial e o Espião pode ser lido como um magnífico thriller histórico que recria de modo convincente um dos mais famosos casos de corrupção judicial.

Opinião
Intrigante. Fluido. Interessante.
De toda a obra de Robert Harris traduzida para português apenas me falta ler “Lustrum”, a continuação da brilhante narrativa sobre Cícero, também publicada pela Editorial Presença, que já está nas estantes lá de casa. Isto diz muito acerca do meu sentimento relativamente a este autor. É, a meu ver, o melhor historiador/ autor dos últimos tempos.
Em “O Oficial e o Espião” as personagens, oficiais do exército francês, estão enquadradas numa sociedade altamente instável, rodeada de inimigos e de gente que não sendo considerada inimiga o poderá ser. É nesse panorama que o protagonista se vê envolvido, mais ainda quando se vai apercebendo que os culpados poderão afinal não ser assim tão culpados e que não existem inocentes quando o tema do jogo que nele é peão se baseia na política da Europa.
Todo o enredo vai decorrendo sem sobressaltos e os novos dados são-nos apresentados lentamente, quase como se fosse a ordem natural dos acontecimentos. Esta situação é, aliás, uma característica do autor comum em todos os seus livros.
Nesta história verídica Robert Harris coloca o dedo em muitas feridas, autênticos cancros sociais dos finais do século XIX, que, curiosamente, persistem nos dias que correm. Fraude, antissemitismo, corrupção, influência de interesses, traição, justiça, ocultação de factos são algumas ocorrências que o autor explorou e que acabaram por manchar a História recente da França.
Não sendo o meu livro favorito de Harris, aconselho a sua leitura, principalmente para quem gosta de espionagem, intrigas e História.

11 de Setembro

Se há dias bons para lembrar dias maus, este é um deles.
Este livro tornou os meus dias melhores enquanto me fez companhia.

Opinião: 
Esta é uma bela história que começa em 1800 com o nascimento de Alma – aquela que vai dar vida a esta narrativa. Vamos acompanhar Alma no seu gosto pela natureza e consequentemente pela vida humana. Apaixonada por botânica, vai viver experiências únicas como naturista e como mulher! Vai experienciar a riqueza e as virtudes da pobreza e no conhecimento vai igualar-se a Wallace e Darwin.

Esta narrativa, composta 617 páginas, maravilha-nos com a beleza das flores e as atitudes dos personagens! Não é uma leitura que se faz de forma ávida, faz-se (por opção) de forma lenta com o intuito de apreciar cada fragmento da história. Nesta viagem, que nos leva a Londres, Peru, Filadélfia, Taiti e Amesterdão, percorremos os avanços da ciência, da religião, a luta pela igualdade, os movimentos abolicionistas…

Ao chegar à última página, somos invadidos por aquele sentimento nostálgico de fechar o livro e deixar lá os personagens!

Adorei e aconselho!


Sinopse:
Um romance envolvente e magnífico acerca do desejo, da ambição e da sede de conhecimento da autora de Comer, Orar, Amar.
Uma história de amor, aventura e descoberta que atravessa grande parte dos séculos XVIII e XIX. O livro segue o destino de Alma Whittaker, filha de um ousado e carismático investigador botânico, que também se apaixona pelas plantas e pela ciência. 
À medida que os estudos de Alma a levam mais fundo nos mistérios da evolução, o homem que ela ama arrasta-a na direção oposta, para o reino do espiritual, do divino e do mágico. Alma é uma cientista de mente clara; Ambrose é um artista utópico. Mas aquilo que realmente os une é uma paixão partilhada pelo saber, uma necessidade desesperada de compreender a maneira como o mundo funciona e os mecanismos inerentes à vida.
Com uma investigação apurada e um ritmo imparável, este romance ambicioso atravessa o globo - de Londres ao Peru, a Filadélfia, ao Taiti e a Amesterdão. Pelo caminho, vai sendo povoado de personagens inesquecíveis: missionários, abolicionistas, aventureiros, astrónomos, capitães de navios, génios e loucos. Mas a mais memorável das histórias é a de Alma, que é testemunha de um momento extraordinário da história da humanidade, em que as velhas certezas acerca da ciência, da religião, do comércio e de classe se desmoronavam e davam lugar a novas ideias. Escrita com o espírito ousado e inquisitivo da época, a história sábia, profunda e encantadora de Gilbert irá seguramente cativar a mente e o coração dos leitores…

Ideias

Mais vale um sorriso por sorrir do que mil sorrisos sem sorrir.


Donna Tartt!!

Há alguns anos li "A História Secreta" de Tartt e é daquelas histórias que nos marcam e nos ficam na memória. Li, depois "O Pequeno Amigo", mas este foram só metade das páginas, pois a história não me cativou. No entanto, assim que eu vi que a Editorial Presença ia lançar "O Pintassilgo" pensei: TENHO DE LER!!!!



O Pintassilgo
Prémio Pulitzer 2014

Sinopse: Theo Decker, um adolescente de 13 anos, vive em Nova Iorque com a mãe com quem partilha uma relação muito próxima e que é a figura parental única, após a separação dos pais pouco antes do trágico acontecimento que dá início a este romance. Theo sobrevive inexplicavelmente ao acidente em que a mãe morre, no dia em que visitavam o Metropolitan Museum. Abandonado pelo pai, Theo é levado para casa da família de um amigo rico. Mas Theo tem dificuldade em se adaptar à sua nova vida em Park Avenue, e sente a falta da mãe como uma dor intolerável. É neste contexto que uma pequena e misteriosa pintura que ela lhe tinha revelado no dia em que morreu se vai impondo a Theo como uma obsessão. E será essa pintura que finalmente, já adulto, o conduzirá a entrar no submundo do crime. 

O Pintassilgo, vencedor do Prémio Pulitzer 2014, é um livro poderoso sobre amor e perda, sobrevivência e capacidade de nos reinventarmos.. Uma brilhante odisseia através da América dos nossos dias, onde o suspense e a arte são dois elementos decisivos para agarrar o leitor.

- O melhor livro do ano 2013 na Amazon.com
- Um dos dez melhores livros de 2013, pelo The New York Times

Ao bom estilo de Tartt, O Pintassilgo tem 896 páginas :P
Este ano tenho feito por não comprar livros... quem sabe peço no Natal :D
Opinião:
Esta é mais uma história de Kate Morton cuja leitura se faz de forma calma e com prazer.
Uma narrativa que nos fala, não só, como o próprio nome indica: de amores secretos, mas também de mistério e crime à mistura!
Somos levados para o passado e para o presente dos três personagens principais - Dorothy, Vivien e Jimmy, com eles revivemos a angustia da Segunda Guerra Mundial - o sofrimento e a morte de quem lutou.
Kate Morton, nesta obra, segue o estilo de escrita patente nas suas outras obras - alternando entre passado e presente, fazendo referências a factos históricos... Achei também que, tal como nas suas outras obras, há o dar ênfase a certos pormenores desnecessários que fazem com a história pareça longa e sem avanço! No entanto, como já referi, Gostei!

Sinopse:
Laurel, actriz de sucesso, regressa à casa da família para celebrar o nonagésimo aniversário da mãe, Dorothy, que sofre de Alzheimer.
Esse dia recorda-lhe um outro, há muito esquecido. Naquele fatídico aniversário do seu irmão, Laurel estava escondida na casa da árvore, a fantasiar com um amor adolescente e um futuro grandioso em Londres, quando assistiu a um crime terrível, que mudaria a sua vida para sempre. Foi com terror que Laurel viu a mãe cravar a faca do bolo de aniversário no peito de um desconhecido. O regresso ao local onde tudo aconteceu é a última oportunidade para Laurel descobrir o temível segredo daquele dia e encontrar as respostas que só o passado da sua mãe lhe pode dar. Pista após pista, Laurel irá desvendar a história secreta de três desconhecidos que a Segunda Guerra Mundial uniu em Londres — Dorothy, Vivien e Jimmy — e cujos destinos ficaram para sempre ligados.
Uma fascinante história de segredos e mistérios, de um crime obscuro e de um amor eterno. Mais um livro inesquecível de uma das autoras de maior sucesso dos nossos tempos.

Promoções #12

Nova promoção FNAC.
Termina hoje.


Foi hoje revelada a lista dos candidatos a vencer o prémio de 2014.
Alguém quer arriscar o nome do vencedor?


Joshua Ferris
Richard Flanagan
Karen Joy Fowler
Howard Jacobson
Neel Mukherjee
Ali Smith

Destes autores, penso que apenas dois não foram traduzidos para português. Talvez seja um deles o vencedor...
Sinopse:
Ela tem algo que outra pessoa quer. A qualquer custo… Claudia parece ter a vida perfeita. Está grávida, vai ter um bebé muito desejado, tem um marido que a ama, embora ausente, e uma casa maravilhosa. Depois, Zoe entra na vida dela. Zoe foi contratada para a ajudar quando o bebé nascer, e parece a pessoa certa para o cargo. Mas há qualquer coisa nela de que Claudia não gosta e que a faz desconfiar. Quando encontra Zoe no seu próprio quarto, a remexer nos seus bens pessoais, a ansiedade de Claudia torna-se um medo bem real…

Opinião:
Eis um romance que se lê num ápice! Um thriller bastante bem escrito, que leva o leitor por caminhos interessantes da mente humana.
Cláudia e Zoe são personagens muito bem construídas, o seu passado e o seu presente estão bastante sólidos para que o leitor sinta afinidade e segurança na leitura.  Durante a narrativa, a autora dá pistas sobre o desenlace da história, no entanto, não é por esse motivo que o leitor sente desmotivação, pelo contrário, há uma grande curiosidade em saber como Samantha Hays fecha e justifica muitos dos acontecimentos narrados no início e que nos parecem pontas soltas. Note-se que o faz de forma magistral!

Adorei e aconselho!

Quem vai ler???

Quem vai ler o tão aguardado "No Limiar da Eternidade" de Ken Follet???
Li os outros dois volumes, este também vou ler!



vendo de outra perspectiva...



Sinopse:
Enquanto as decisões tomadas nos corredores do poder ameaçam extremar os antagonismos e originar uma guerra nuclear, as cinco famílias de diferentes nacionalidades que têm estado no centro desta trilogia O Século voltam a entrecruzar-se numa inesquecível narrativa de paixões e conflitos durante a Guerra Fria.

Quando Rebecca Hoffmann, uma professora que vive na Alemanha de Leste, descobre que anda a ser seguida pela polícia secreta, conclui que toda a sua vida é uma mentira. O seu irmão mais novo, Walli, entretanto, anseia por conseguir transpor o Muro de Berlim e ir para Londres, uma cidade onde uma nova vaga de bandas musicais está a contagiar as novas gerações. Nos Estados Unidos, Georges Jakes, um jovem advogado da administração Kennedy, é um ativo defensor do movimento dos Direitos Civis, tal como a jovem por quem está apaixonado, Verena, que colabora com Martin Luther King. Juntos partem de Washington num autocarro em direção ao Sul, numa arriscada viagem de protesto contra a discriminação racial. Na Rússia, a ativista Tania Dvornik escapa milagrosamente à prisão por distribuir um jornal ilegal. Enquanto estas arriscadas ações decorrem, o irmão, Dimka Dvornik, torna-se uma figura em ascensão no seio do Partido Comunista, no Kremlin.


Nesta saga empolgante que agora se conclui, Ken Follett conduz-nos, em No Limiar da Eternidade, através de um mundo que pensávamos conhecer, mas que agora nunca mais nos parecerá o mesmo.

O livro aqui na editora
A nossa 8ª leitura conjunta, aqui do blogue, incidiu sobre a obra de Steinbeck - Ratos e Homens.
Quem quiser participar, dando a sua opinião, pode fazê-lo na zona dos comentários, como já tem sido costume!



Opinião da Paula:
Esta é uma obra que nos fala do sonho e da esperança, porque quando nada se tem, nada resta senão sonhar. O sonho, de facto comanda a vida, fazer com que o caminho se torne possível torna-se um objectivo. Falar dos sonho, repetir esta “ilusão” em voz alta várias vezes e vezes sem conta torna-o quase real para aquele que sonha.
Esta história fala-nos de dois homens, dois amigos – Lennie e George. Lennie é um adulto cujo juízo é de uma criança, mas cuja força física é de um toiro. George é de físico miúdo, é quem toma conta de Lennie.
A solidão é terrível, não ter ninguém para falar é atroz, ter alguém de quem cuidar, estabelece laços inesquecíveis.

“(…) connosco é diferente (…) E porquê? Porque … porque eu tenho a ti para cuidar de mim e tu tens a mim para cuidar de ti, por isso”

Os dois homens buscam trabalho e conseguem-no mesmo em condições precárias, no entanto Lennie comete um erro e George tem de intervir magoando-se para o resto da vida!
A amizade, a solidão, o sonho, o trabalho das gentes pobre e necessitada, é uma vez mais bastante explorada por Steinbeck.  O autor, nasceu em 1902 em Salinas na Califórnia e viveu, ele próprio, numa família onde a riqueza não abundava, vivenciou as necessidades e as dificuldades dos mais desfavorecidos. Viu homens que lutam por viver com dignidade, mas que apenas conseguem sobreviver como ratos, comendo para sobreviver, vivendo em sítio incerto, vendo a morte e o medo em cada canto por onde passam. O medo, este sentimento maldito que se torna uma constante a cada momento da vida! Homens que pouco se distinguem de ratos!

Opinião do Vasco:
Sonhador. Fatídico. Solidário.
“Ratos e Homens” é um livro pequeno, que se lê rapidamente, apesar de a mensagem ser bastante forte. Ainda agora o é, sendo que nos tempos em que terá sido concebido o seria muito mais.
A obra não trata apenas do sonho e da ilusão, mas também da desigualdade, não só de direitos como de oportunidades.
A linguagem utilizada é tão simples da mesma forma que o são as personagens e o meio que as envolve.
No fundo, não obstante os obstáculos e as barreiras que todos têm de ultrapassar, a amizade e os sentimentos primários acabam por estar permanentemente presentes.
Não posso dizer que este tenha sido um dos meus livros favoritos, mas trata-se de uma narrativa que foca alguns pontos importantes acerca das relações humanas, seja do ponto de vista afectivo e mais intimo, seja de uma perspectiva social.


Por aqui estamos a ler...




E vocês??


"O Guardião das Causas Perdidas", de Jussi Adler-Olsen, publicado pela Editorial Presença, vai para
...
Luísa Mano Brandão, de Amares!

Podem consultar a opinião aqui.

"Penélope" (Divulgação)

Uma das mais recentes novidades é a campanha de lançamento da colectânea "Penélope" - 10 contos, 10 fotografias, 1 ilustração.
Até ao dia 30 de Setembro os interessados poderão apoiar o projecto e, assim, efectuar a pré-compra que garantirá um ou mais exemplares numerados da 1ª edição, dependendo da quantia com qual pretenderão participar.
Como remate final, um dos contos seleccionados em concurso é da minha autoria.
Toda a informação sobre este projecto, apresentado pela Editora Livros de Ontem e pelo The Art Boulevard, está disponível aqui.

Promoções #11


Só hoje, aqui.

Estas são as nossas leituras desta semana:

 

Quais as vossas?

Livros que espero ler...

"Por Favor compra-me estes poemas"
de
Altino Pinheiro

é uma obra que espero ler em breve!!


Por enquanto ficam as opiniões de quem já leu!!


“(…) é um livro despretensioso que se propõe ao leitor de forma pragmática”
Francisco Coimbra – Poeta/escritor

“um livro que se liberta da poesia tradicional” 
Lusa /Atlântico Expresso

“Por favor compra-me estes poemas tem uma estrutura narrativa multifacetada” 

Açoriano Oriental

“(…) estou a deliciar-me com a sua leitura” 
Alfredo da Ponte – Poeta/escritor

“é uma lufada de ar fresco na poesia hermética e complexa.” 
Madalena San Bento – Escritora

“Com a palavra o autor liberta emoções” 
RTP Açores

“Delicioso o livro de Altino Pinheiro. Adoro!” 
Sandra Fernandes – Poetisa/escritora

Informação retirada daqui
 
Por aqui estamos a ler...

 

 
 
E vocês??

Promoções #10

Nova campanha de promoções da Editorial Presença...



Sinopse
No dia em que se conhecem, Maria Aparecida e Betinho, duas crianças de rua em Salvador da Bahia, tornam-se inseparáveis. Vítimas de abusos por parte dos pais, fazem do Cine Roma a sua casa, e da amizade que os une, um antídoto para combater a dura realidade de quem vive a fugir de sombras ameaçadoras.
No ambiente de violência das ruas, os dois amigos vão crescendo e, um dia, os seus caminhos separam-se. Betinho vai para o Rio de Janeiro com um namorado e Maria Aparecida fica a viver numa igreja abandonada com outros desabrigados. Magoada pelo abandono do amigo, e na esperança de se reconciliar com a sua memória, decide regressar a casa para tomar conta do pai. De volta à rua, começa a prostituir-se, cruza-se com Creuza e desce ainda mais fundo ao inferno.
Betinho, agora Roberta, regressa a Salvador para reencontrar Maria Aparecida, desencontrada de si, perdida nos excessos. Entre exorcismos de mágoas, abraços de saudades e lágrimas, voltam a viver juntos. Nem a presença de Creuza, nem mesmo Chico, um poeta com quem Maria vive um amor proibido, consegue separar os dois companheiros de solidão e retirar-lhes a única coisa que ainda os faz viver: a esperança. Um romance sobre a vida real no submundo urbano baiano. Uma história sobre duas crianças que um dia sonharam que podiam ser amadas.

Opinião
Duro. Violento. Dramático.
“A Rainha do Cine Roma” é um livro bombástico, deveras chocante. Só assim pode ser descrito, por muito que nos cheguem testemunhos da realidade das ruas do Brasil – como eventualmente de outros países da América Latina –, através de documentários ou da recente vaga de filmes que exploram a crueza desse lado do mundo e da vida daqueles que nele habitam.
Esta história incide sobre a vivência de várias personagens, que parecem carregar com elas todos os pecados que podem caber num só corpo humano. Na verdade, pecados aos olhos da sociedade, porque aquilo que elas carregam são estigmas, azares consequentes da aleatoriedade do universo que o Homem jamais terá capacidade, nem sequer vontade, de mudar. O autor faz-nos ver que as personagens são boas no seu íntimo, embora incapazes de quebrar as barreiras que lhes são impostas desde tenra idade. E quando nos é dado a entender que conseguem uma vitória, mais um desafio lhes é imposto, daqueles que são impossíveis de ultrapassar. A vida destas pessoas é vivida numa espécie de montanha em constante derrocada, onde a cada metro escalado com custo acabam por se afundar três ou quatro, rumo ao abismo.
Drogas, prostituição, homossexualidade, educação, violência, pedofilia, incesto, pobreza. Tudo isto está descrito nestas páginas de um modo tão frio quanto o enredo narrado na primeira pessoa pode oferecer.
Trata-se de um excelente livro, onde a perseverança persiste, assim como o estranho fado que acompanha aqueles que nada têm.


Por cá:

 

E por aí?
JULHO

EUA/ Inglaterra/ Suécia/ Dinamarca/ Noruega


Promoções #9

Mais uma vaga de promoções da nossa querida Editorial Presença:



Por aqui estamos a ler...



E vocês, o que andam a ler?



#Fandango de fim-de-semana#

Parece que nos Estados Unidos
houve quem se lembrasse
de copiar a marca de cuecas do CR7
como se da Calvin Klein se tratasse.

Acusados e burlões andam a divertir-se por aí,
no Algarve, na Margem Sul e na capital.
Mas estivessem todos em Carandiru
a diversão seria anal.

Por falar em violação,
assim se sente Jorge Jesus.
Venderam-lhe os jogadores todos,
e ele que carregue com a cruz.

No outro dia também vi
uma catrefada de bombeiros à pancada,
soldados da paz é o que lhes chamam,
mas pareciam preparados para a caçada.

Agora que me lembrei de caçadas,
vejam se acabam com o que se passa em Gaza.
Farto-me de ver imagens assombrosas
de uma região permanentemente em brasa.
Uma das leituras para Agosto:


Sinopse
Há quinze anos, Aron Lieb aproximou-se de Sue Resnick no Centro Comunitário Judaico e encontrou uma companheira e uma alma gémea que se manteve firmemente ao seu lado até ao fim da vida e lhe prometeu que não o deixaria morrer sozinho. Também me Salvaste é uma comovente história real que nos conta a forma como duas pessoas tão diferentes partilharam os seus segredos mais profundos e criaram uma relação intensa, complicada, desafiadora, divertida e, acima de tudo, com um valor inestimável. Com uma prosa encantadora, a autora intercala a história de Aron, o desenvolvimento da sua amizade — que começou com uns encontros semanais num café e floresceu para algo bem mais forte — e uma crise de saúde que poderia forçá-los a separar-se.
Sinopse
Carl Mørck não é o detetive mais popular da Divisão dos Homicídios de Copenhaga. Por isso, quando é criado o Departamento Q, com a missão de rever casos arquivados, Carl Mørck é designado para o dirigir. O seu primeiro caso é o de Merete Lynggaard, uma deputada que desaparecera cinco anos antes sem que a polícia conseguisse mais do que conjeturar uma aparente tentativa de suicídio. Toda a gente acha que ela está morta. Toda a gente diz que investigar o sucedido é uma perda de tempo. Mas, à medida que Carl Mørck começa a seguir as pistas que o seu colega havia descartado aquando da investigação inicial, descobre um caso com contornos inesperados e profundamente sinistros…

Opinião
Viciante. Divertido. Superior.
Este livro tem nas suas personagens uma das suas grandes armas. Tanto Carl Mørck, o detective mal-amado pelo seu departamento, como Assad, o sírio misterioso que é designado para ajudar o primeiro, são os protagonistas anti-heróis que estão no centro de grande parte da acção. E quando eles não aparecem, entra a rotina surrealista e desconhecida de Merete, a vítima da história, embora não seja vista dessa forma por toda a gente.
Portanto, Carl e Assad têm momentos deliciosos, bem irónicos e sarcásticos como os nórdicos sabem muito bem ser, devido ao modo peculiar de agirem e pelas diferenças que os caracterizam. O perfil de Assad varia entre a insensatez e a genialidade, enquanto o de Carl vai dançando entre o descaramento e a óptima capacidade de análise.
Estas duas personagens são, assim, brilhantes nas suas mais variadas formas.
Também o enredo vai muito além daquilo que se espera de um simples policial. Sente-se a energia que o autor imprime a cada parágrafo que se lê, principalmente depois de sermos absorvidos pelo livro. Existe muita agilidade na forma como tudo acontece, sendo que as acções não são descritas sempre da mesma maneira nem com a mesma intensidade. É como se tudo fosse contado com uma disposição diferente, e isso é raro de se ver. E eu adorei essa particularidade, assim como adorei esta leitura.
“O Guardião das Causas Perdidas” é mesmo muito bom.   
Filipa Fonseca Silva, é a nossa convidada. Acho que todos já a conhecem, foi a primeira autora portuguesa entrar para o top 100 da Amazon com a obra "Os 30 - Nada é Como Sonhámos. A Bertrand publicou este mês "O Estranho Ano de Vanessa", o seu segundo romance. A Filipa nasceu no Barreiro e actualmente vive em Lisboa.





O Livro” aquele que para mim é único – “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago




Há incontáveis livros que fazem parte da minha vida, desde “As Fábulas de La Fontaine” e os contos dos irmãos Grimm, que “lia” na infância, aos livros da Alice Vieira, que comecei a devorar por volta dos oito anos, à Isabel Allende ou à Marion Zimmer Bradley, cujas heroínas me deliciavam na adolescência, e tantos clássicos da literatura que foram enchendo a minha estante e o meu imaginário, e onde têm papel de destaque Eça de Queirós, Dostoievsky, Kafka ou Garcia Marquez. Contudo, há um livro que me marcou profundamente e que nunca mais me saiu da cabeça: o “Ensaio sobre a Cegueira”.
Até ao Verão de 2007 costumava dizer que não gostava de Saramago. Gostava das crónicas, mas não conseguia ler os seus romances. Penso que foi trauma de jovem de 18 anos, com a mania que conseguia ler tudo, e que se atirou ao "Memorial do Convento" sem preparação. Só que às tantas, esse facto começou a incomodar-me e a envergonhar-me até. Como não ler Saramago? Que falha imperdoável numa leitora voraz, que, ainda por cima, desde criança sonhava em dedicar-se à escrita!
Assim, comecei por perguntar a amigos que eram fãs do escritor, que livro me aconselhavam para iniciar a minha viagem saramaguiana e, aproveitando umas férias de três semanas, levei o “Ensaio” na bagagem, decidida a lê-lo custasse o que custasse.
E custou-me muito. Custou-me ver ali retratada toda a humanidade ou falta dela. Custou-me ver o melhor e o pior dos seres humanos. Custou-me sair daquela prisão, daquele supermercado, daquela casa onde todos partilhavam a mesma banheira. Mas ler, avançar pelas páginas, apreciar cada escolha de palavras, cada sentido despertado, cada personagem, não custou mesmo nada. Pelo contrário, foi um prazer intenso e difícil de igualar.
Desde então, decidi ler um Saramago por ano, até conseguir ler toda a sua obra. E a cada um que leio cresce a certeza de que Saramago é e será sempre um dos maiores escritores da história da literatura. Ainda não cheguei nem a metade da vasta obra que felizmente nos deixou, e o “Memorial” continua a desafiar-me na prateleira, mas não preciso ler nenhum outro para poder afirmar que o “Ensaio sobre a Cegueira” é “O Livro”.

Filipa Fonseca Silva

Foto by Vera Marmelo

Bom dia!
É segunda-feira - como se isso fosse um espectáculo -, nós estamos bem acompanhados:


E por aí? O que se lê?

Promoções #8


Desta vez as boas notícias chegam da Editorial Presença.
Promoções aqui.

Imagens


PERFEITOS ESTRANHOS

(Parte V)

MARIA



Fi-lo porque o amo. Sei do que ele precisa para sobreviver. Enquanto as minhas mãos exigiram que apertasse com força o meu pescoço, uma infinidade de pensamentos ocorreu pela minha cabeça. Nesse momento, todo o meu passado se desvaneceu para a história. A minha normalidade extinguira-se ao suplicar ao meu amor que me matasse. Morreria, sim, mas sucumbiria num momento de amor único, numa comunhão e simbiose perfeitas.
O que mais poderia dar a Adegesto que não o seu maior sofrimento?
E quando eu sentia que as suas mãos perdiam alguma força, eu insistia que voltasse a aplicá-la de forma redobrada. Assim que pressenti que o ar escassearia dentro de mim, encarei-o. Ele olhava-me aterrorizado. Mesmo assim sorri para ele. Eu estava mais feliz do que alguma vez pensara que pudesse estar.
Ele era meu e eu era dele.
Tudo era perfeito, como eu nunca quis que fosse até então. O nosso amor perduraria para todo o sempre.
Pensei nas dolorosas noites que Adegesto viveria sem mim, no choro que a minha ausência lhe provocaria ou no estado lastimável em que ficaria quando me recordasse na sua mente agitada. Sofreria e seria feliz, mais do que nunca. Ficaria atormentado enquanto vivesse devido à sua acção naquele instante.
E quanto a mim, que mais podia eu querer? Amei o mais que pude amar até que as minhas pálpebras se cerrassem para sempre. Não casaria como os outros, não teria filhos, não compraria casa, não viveria querendo agradar a todos para ser aceite. Acabei por me entregar ao meu destino e guardar toda a felicidade para mim quando senti que ia partir de vez e deixar com o meu amor a penosa recordação daquilo que tínhamos sido.
Que amor podia ser melhor do que este que vivemos?
Fugaz mas eterno.


***

FIM

Frases

As coisas não o são antes de o serem.


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