Pedro I - Manuel Poppe

A minha opinião:
Pedro I, quem não o conhece? Quem fala dele sem se lembrar do seu grande amor – Inês? Os dois sempre lembrados em simultâneo. Um amor que venceu o tempo, que se tornou inesquecível! Recordados em poemas, em filmes, em fados… Um rei e uma rainha que marcaram Portugal directamente no coração! É nesta época e neste amor que este livro nos envolve.
Manuel Poppe, leva-nos até 1345 à sala de estalagem, em Estremoz, para nos dar a conhecer Pedro, ainda príncipe, triste com o seu destino, porque outra mulher ocupara o lugar de sua amada.
Um príncipe, que se submete aos desejos de seu pai, mas que vai “mastigando” uma mágoa do tamanho do seu amor por Inês.
Dez anos de amor partilhado e proibido, até que a matam. Revoltado, mas aparentemente conformado, Pedro espera a morte de seu pai para repor justiça. Justiça esta que não se faz sentir somente em relação a Inês, quando a coroa rainha depois de morta, mas justiça para com o seu povo, até então martirizado por seu pai e por todos aqueles que estavam acima do povo ou pensavam estar. As falhas de todos passam a ser punidas de igual forma, sem olhar a classes ou amizades! Pedro I é implacável na aplicação de penas.
Neste livro que se lê sofregamente, conseguimos perceber o quão diferente foi este rei. Um rei que defendeu o seu povo, que amou e sofreu por amar. Talvez por este motivo foi um dos reis que mais amou Portugal! Porque para D. Pedro, Portugal, o seu povo e o seu amor eram três termos da mesma equação. Três paixões, três forças que o fizeram viver de forma tão intensa e apaixonante. Como intensa e apaixonante é a leitura deste livro.
Uma leitura que aconselho!
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Classificação: 6/7 - Excelente
A pergunta desta semana é:
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"All other things being equal–do you prefer used books? Or new books? (The physical speciman, that is, not the title.) Does your preference differentiate between a standard kind of used book, and a pristine, leather-bound copy?"
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Não me importo de ler em livros usados, mas tenho de os adquirir porque tenho o hábito de sublinhar o que mais gosto nos livros e quando não o posso fazer a leitura não me sabe tão bem :P
São manias...
Gosto dos livros na prateleira com o aspecto de usado, folheado, lido e relido, também gosto de emprestá-los, desde que conheça a pessoa em questão e tenha a certeza absoluta de que depois me devolve.
Tenho alguns livros em segunda mão, nomeadamente uma colecção de clássicos, alguns já um pouco estragados pelas traças. De capa de couro não tenho nenhum.
A minha opinião:
Se há livros que devemos ler, este é um deles, não só pela linguagem que nos envolve e fascina, mas principalmente pela mensagem que nos passa.
Neste livro há dois mundos distintos, o mundo das crianças e o mundo dos adultos. Harper Lee soube passar para o leitor a diferença entre eles e soube de igual forma transmitir sentimentos e fazer-nos ver a diferença entre estes de acordo com as idades dos personagens.
É de enaltecer e elogiar a forma como nos mostra o mundo das crianças. A autora consegue colocar-se na pele de uma menina e passar-nos o que ela interioriza do mundo dos adultos.
Os seus personagens são fortes e percebe-se que nenhum é lá colocado ao acaso. Todos eles têm um papel importante, têm algo a acrescentar à narrativa. Nesta escrita, tudo é simples e claro, ou melhor, tudo é puro. Mesmo a maldade descrita é vista como sendo ignorância. Quem acusa e quem mata é vítima de uma sociedade de preconceito, é vítima de um passado. Um passado, cujas ideias que permanecem ao longo dos tempos, não podem ser alteradas de um momento para o outro, mas de forma lenta e progressiva e é precisamente neste ponto que entra a figura principal desta história “Atticus”.
Atticus, é visto como a mola mestra da mudança. Na minha opinião, será aquele capaz de salvar as “cotovias”.
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“As cotovias não fazem nada a não ser cantar belas melodias para nós. Não estragam os jardins das pessoas, não fazem ninhos nos espigueiros, só sabem cantar com todo o sentimento para nós. É por isso pecado matar uma cotovia”*
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Neste livro, todas as pessoas vítimas de discriminação e preconceito são representadas por este belo pássaro e cabe a Atticus traçar o caminho que poderá mudar a mentalidade de uma sociedade.
E porquê Atticus? Porque ele possui uma coragem verdadeira …
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“Coragem é sabermos que estamos vencidos à partida, mas recomeçar na mesma e avançar incondicionalmente até ao fim”*
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Atticus, advogado e viúvo, tem dois filhos Jean Louise (o narrador) e Jem. É destacado para defender um homem negro acusado de violar uma mulher branca. Sabendo de antemão que o júri o irá culpar mesmo que se prove a sua inocência. Atticus luta não só para salvar um homem inocente, mas principalmente para salvar a sociedade do preconceito. A sua intenção é provocar a dúvida na mente dos juízes e dar início à tal mudança necessária em Maycomb, uma pequena cidade no sul dos Estados Unidos durante a época da Depressão.
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De todos os livros que li até hoje, acho que nunca me havia deparado com um personagem que me tocasse tanto como Atticus.
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Este é um livro de leitura obrigatória :) !
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* Citações retiradas da referida obra
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Classificação 6/7 Excelente

Um bom romance / José Saramago

imagem retirada daqui
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Ontem estava a ler “Conversas de Escritores” de José Rodrigo dos Santos e não resisti em partilhar convosco uma parte da entrevista a Saramago sobre o romance.

"José Rodrigo dos Santos- O que é para si um bom romance?

José Saramago - Um bom romance? Embora isto possa parecer um pouco pretensioso, eu estou por aquilo que foi dito por Kafka: o romance deve ser uma acha capaz de romper o mar gelado da nossa consciência. E eu, mais ou menos, acrescentava isto: se não for assim não vale a pena. Claro que isto é demasiado radical e nem tenho a certeza que ele o tenha dito.

JRS – Mas, se não o disse soa bem

JS- Se não disse, soa bem…Eu creio que sim, isto para mim foi fundamental. Não sou muito de abandonar a leitura de livros a meio. Em geral até tenho uma superstição de que o livro deve ser lido até ao fim, mesmo que não seja excepcionalmente bom. Sempre se está anunciando a morte do romance, o próprio Harold Bloom considera o romance uma espécie em vias de extinção. Não estou de acordo porque, se fizermos uma leitura daquilo que se vai fazendo não só por aqui como noutros países, o romance abriu-se, deixou de estar preocupado com a história mais ou menos verosímil. E abriu-se a quê? Abriu-se à poesia, abriu-se ao drama, abriu-se ao ensaio, abriu-se à filosofia. Em minha opinião, o romance – de acordo com as transformações por que passou recentemente e continua a passar – deixou de ser um género para se transformar num espaço literário.
" * (pág. 217)
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*in Conversas com escritores de José Rodrigo dos Santos
O blogue e a Editorial Presença agradecem os 278 participantes do passatempo do livro de Hernán Rivera Letelier "A Contadora de Filmes"
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As respostas às questões colocadas são:
1-Em que consistia o concurso inventado pelo pai de Maria Margarita?
R- Consistia em saber quem contava melhor um filme depois de o ter visto.
2-Hernán Rivera nasceu no Chile em que ano?
R- Em 1950
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A Vencedora do passatempo é
Joana Mata e Silva
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Parabéns à vencedora e boas leituras ;)

as palavras...

"As palavras, como seres vivos, nascem de vocábulos anteriores, desenvolvem-se e fatalmente morrem. As mais afortunadas reproduzem-se. Há-as de índole agreste, cuja simples presença fere e degrada, e outras que de tão amoráveis tudo à sua volta suavizam. Estas iluminam, aquelas confundem. Umas são selvagens, irascíveis, cheiram mal dos pés, fungam e cospem no chão. Outras, logo ao lado, parecem altivas e delicadas orquídeas"
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in Milagrário Pessoal - José Eduardo Agualusa
*imagem retirada da net

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"Há imensos livros nas bibliotecas,
nas livrarias, nas casas
e até nos quartos das crianças.
Quando os abrimos, é como
se abríssemos uma ampla janela.
Não uma janela verdadeira,
mas uma janela imaginária
que nos faz sonhar." *
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A minha opinião:
Esta é uma história de um livro que se perdeu da sua dona - Mariana. Mas este livro tem uma história especial, conta a história de Ícaro - o menino que queria voar - e tal como a história que contempla, este livro brinca como se ele próprio tivesse asas e perdido voa por entre aventuras e sonhos, até encontrar Mariana.
Esta é uma história que tem todos os ingredientes para agradar ao público mais pequeno: as frases são simples e curtas (o que é importante para quem está a dar os primeiros passos na leitura), a história é interessante e cativa o interesse dos miúdos, uma vez que tem aventura e "suspense", as imagens de Rebécca Dautremer são fantásticas e a capa do livro é irresistível!
Um livro que os mais pequenos vão adorar!
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Classificação: 5/7 Muito Bom
* citado da referida obra
Esta manhã enviaram-me um texto muito engraçado para o meu mail. Como envolve livros e mulheres e, sendo hoje o dia das amigas, decidi partilhar convosco o referido texto :)
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Um casal sai de férias para um hotel-fazenda...
O homem gosta de pescar e a mulher gosta de ler.
Numa manhã, o marido volta da pesca e resolve tirar uma soneca. Apesar de não conhecer bem o lago, a mulher decide pegar no barco do marido e ler no lago. Ela navega um pouco, ancora e continua a ler o seu livro.
Chega o guarda ambiental e diz:
- Bom dia senhora. O que está a fazer ?
- Lendo um livro, responde. (Pensando: será que não é óbvio?)
- A senhora está numa área restrita em que a pesca é proibida, informa.
- Sinto muito tenente, mas não estou a pescar, estou a ler.
- Sim, mas, a senhora tem todo o equipamento de pesca. Pelo que sei a senhora pode começar a qualquer momento. Se não sair daí imediatamente terei de multá-la e processá-la.
- Se o senhor fizer isso terei que acusá-lo de assédio sexual.
- Mas eu nem sequer lhe toquei ! Diz o guarda ambiental.
- É verdade, mas o senhor tem todo o equipamento. Pelo que sei, pode começar a qualquer momento !
- Tenha um bom dia senhora - diz ele e vai embora.
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Moral da história:
Nunca discuta com uma mulher que lê, pois certamente, ela pensa!

BTT - Romantic

A pergunta desta semana é...
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What’s the most romantic book you’ve ever read?

(Mind you, I don’t mean the hard-core stuff you hide in plain wrappers under your mattress. I mean True Love, Romance, deeply emotional, heart-tugging, and all that stuff.)
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And, secondly, did you like it? Is it your usual kind of reading, or did it take you by surprise?
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Normalmente não leio muitos livros românticos, no sentido de romântico "lamecha". O que quero dizer com lamechas...vamos ver se me consigo fazer entender. Gosto de uma narrativa romântica, mas tem de estar incluída numa boa história, que não seja banal e que tenha um pano de fundo bom, consistente, que seja tão importante como a história principal.
Neste sentido os livros mais romântico que li até hoje foram "Amor Nos Tempos de Cólera" de Gabriel Garcia Marquez; "Ana Karenina" de Lev Tolstói e "Amante de Lady Chatterley" de D. H. Lawrence. Três livros magníficos que aconselho!
O blogue e a editora Europa América agradecem os 237 participantes do passatempo "Pele" de Mo Hayder.
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As respostas às questões colocadas são:
1-Em que mês do ano o corpo da jovem é encontrado?
Maio
2-Como se chama a mergulhadora da polícia que trabalha ao lado de Caffery?
Flea Marley
3- Como se chama a autora do livro "Pele"?
Mo Hayder
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Os vencedores do passatempo são:
Teresa Maria Valente de Carvalho
António S. Tavares Silva
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Parabéns aos vencedores e boas leituras ;)
O blogue em parceria com a Editorial Presença tem para oferecer um exemplar do livro de Hernán Rivera Letelier "A Contadora de Filmes".
Para participar no passatempo e tentar a sua sorte, terá de responder acertadamente a todas as questões do formulário.
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Regras do passatempo:
-O passatempo começa hoje dia 15 de Fevereiro de 2011 e termina às 23.59h do dia 20 de Fevereiro de 2011;
-O participante vencedor será escolhido aleatoriamente;
-O vencedor será contactado via e-mail;
-Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência.
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Pode encontrar as respostas às questões colocadas aqui
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PASSATEMPO ENCERRADO


Boa sorte aos participantes ;)

Emily Dickinson - Poema


A inundação da Primavera
Engrandece a alma -
Assola as terras
Mas deixa o vazio da água-
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No qual a alma antes esquiva
Busca debilmente a costa
Mas quando aclimatada - deixa de ansiar
Por essa Península -
A minha opinião:
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"As minhas narrações de filmes arrancavam-nos àquele nada acre que era o deserto e, ainda que fosse só por um bocadinho, transportavam-nos para mundos maravilhosos, plenos de amor, de sonhos e aventuras. Ao contrário do que acontecia vendo-os projectados num ecrã de cinema, nas minhas narrações cada qual podia imaginar esses mundos à sua vontade"
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Hernán Rivera Letelier conta-nos a história de uma comunidade pobre de Pampas (Chile), a pobreza é factor comum a todos os habitantes. Nesta comunidade, há uma família de 5 filhos que foi abandonada pela mãe, após o acidente laboral do pai. Esta família adorava ir ao cinema, contudo o dinheiro da pensão de invalidez mal dava para a comida quanto mais para 6 bilhetes. Como agravante, agora o pai estava paralítico devido ao acidente e como tal, não tinha como se transportar. A necessidade e o muito querer aguça o engenho e Maria Margarita (filha) é a eleita para ir ao cinema e na vinda contar à família o filme.
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"Era lindo, depois de ver o filme, encontrava o meu pai e os meus irmãos à minha espera em casa, ansiosos, sentados em fila como no cinema, penteadinhos de fresco e com roupa mudada"
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Margarita, conta os filmes com entusiasmo e paixão, encarnando cada personagem como se ela própria estivesse no filme. Para aumentar a sua interpretação, começa também a usar adereços. A sua fama de contadora de filmes alarga-se a toda a comunidade e, certo dia, quando volta do cinema, para além dos seus irmãos e pai, encontra também os seus vizinhos sentados em fila na sua casa para a ouvir.
Maria Margarita apercebe-se que muitos do que iam assistir à sua narração também tinham ido assistir ao filme. O que a leva a pensar que as pessoas gostam de ouvir histórias, gostam de viajar e imaginar a história ouvida.
No entanto, o progresso também chega a Pampas e a TV aparece e é instalada num dos bares. Margarita vê-se assim sem audiências para as suas narrativas.
Hernán Rivera Letelier, mostra-nos as dificuldades da comunidade de Pampas, a sua mentalidade, o seu modo de vida, assim como os seus sonhos. Mostra-nos essencialmente o Homem como um ser de sonhos e como consegue ultrapassar qualquer barreira para os concretizar..
Uma leitura leve e descontraída, um livro que se lê num par de horas.
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Classificação: 3,5/7 Interessante
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Sinopse:
Quando María Margarita ganha aos quatro irmãos um concurso inventado pelo pai, inválido devido a um acidente, que consistia em saber quem contava melhor um filme depois de o ter visto, o que começa por ser um ritual familiar rapidamente acaba por se tornar um acontecimento em toda a povoação, à medida que os relatos da contadora de filmes ganham fama e um público cada vez maior os aguarda, impaciente. Através da história desta «fazedora de ilusões», Hernán Rivera Letelier capta a vida no deserto chileno nos tempos áureos do cinema, criando um romance encantador na sua simplicidade e contundência.
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Sobre o autor:
Hernán Rivera Letelier nasceu no Chile em 1950. Catapultado para a fama com o romance A Rainha Isabel Cantava Rancheras, é autor de diversos romances multipremiados que se encontram publicados em vários países. Em 2001 foi nomeado Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras pelo Ministério da Cultura de França.
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O livro aqui na editora
Mosteiro de Alcobaça
Faça a visita aqui
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Mosteiro dos Jerónimos - Lisboa
Faça a visita aqui
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Mosteiro da Batalha
Faça a visita aqui
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Convento de Cristo - Tomar
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A minha opinião:
Desde o momento que comecei a ler este livro fiquei como que presa à história, não pela história que conta, mas pela força com que é contada.
Uma história que não nos deixa indiferentes e faz pensar: porquê uma narrativa com esta força? Uma força que revolta pela sua brutalidade, mas que tem de ser contada da forma que o autor faz.
A “Tons de Azul” disse-me que ler este livro era o mesmo que levar um murro no estômago e confesso que não está muito longe disto.
Foi o segundo livro que li de valter hugo mãe, o segundo porque estando eu a meio deste (o remorso de baltazar serapião) senti uma necessidade enorme de ler algo mais leve do autor e então devorei “As mais belas coisas do mundo” já comentado aqui no blogue.
Não vou referir nada do enredo deste livro, uma vez que não quero estragar as surpresas/tristezas que ele acarreta.
Uma leitura obrigatória :)
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Classificação: 6/7 Excelente
A pergunta desta semana é...
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"There’s something wonderful about getting in on the ground floor of an author’s career–about being one of the first people to read and admire them, before they became famous best-sellers.
Which authors have you been lucky enough to discover at the very beginning of their careers?
And, if you’ve never had that chance, which author do you WISH you’d been able to discover at the very beginning?"

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Tive o prazer de ler dois autores em início de carreira, são eles Paulo Alexandre e Castro, cujo livro "Loucura Azul" está comentado aqui no blogue e mais recentemente Miguel Almeida, que embora não esteja bem no início de carreira, pois já tem 4 livros publicados, está a ser reconhecido além fronteiras, nomeadamente em Itália, onde terá brevemente um dos seus livros publicados - "O Templo da Glória Literária" já comentado aqui no blogue.
Poderá ler também as entrevistas aos dois autores a que me refiro na rúbrica Escritores na Primeira Pessoa no blogue Destante.
Quanto aos escritores que gostaria de ter conhecido no seu início de carreira... sem dúvida que Eça de Queirós e Tolstói.
No dia 7 de Fevereiro, na rubrica “Escritores na Primeira Pessoa” no blogue Destante, o convidado foi Miguel Almeida, autor de alguns livros, entre eles “O Templo da Glória Literária” já comentado aqui no blogue.
Se não teve oportunidade de ler a entrevista ao Miguel no Destante, pode agora ler aqui no Viajar.
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Destante: Dizem que o poeta é um fingidor. O Miguel é poeta. Sem fingir, como é o verdadeiro Miguel Almeida?

Miguel Almeida:

“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.”
Fernando Pessoa, Autopsicografia.

Sim, Fernando Pessoa tem razão. Como poderia ele não ter razão?! Mas, se por fingir se entender apenas mentir, o poeta não mente, pelo menos, conforme se costuma dizer, não mente com os dentes todos. Falando, então, de mim. Falando de mim, enquanto poeta. Há poemas meus que nasceram de situações que me são estranhas, situações que são dos outros. Mas se me despertam e motivam a atenção, se me condicionam e motivam a escrever, é porque de alguma maneira me tocaram. Em quase todas estas situações, é porque me causaram emoções fortes que me levaram a escrever. Eu emociono-me muitas vezes, emociono-me muito, e, talvez por isso, escrevo muito, escrevo facilmente, e escrevo sobre situações que despertam e tocam as pessoas.


D: Como é que começou a escrever? Foi a resposta a uma necessidade interior ou apenas um hobby?

MA:

Começo por dizer que esta é uma pergunta difícil de responder. Como penso que acontece com todas as pessoas que escrevem, podendo ou não vir a tornar-se escritores/as, escrevo desde que me lembro que aprendi a escrever. Mas escrever como acto literário/artístico, como exercício que busca o essencial da expressão e da comunicação, como forma de alívio, de compreensão e de partilha, se tiver que fixar um início, terei que o fixar nos meus tempos da Faculdade, enquanto aluno do Curso de Filosofia, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde aprendi muito e tive excelentes professores. Mas mais do que este ou aquele professor, foi o tipo de trabalho que me obrigaram a fazer que me levou a escrever. Excepção a uma ou outra “cadeira”, o tipo de trabalho que tinha que fazer era uma espécie de “pequeno ensaio”, acerca dos temas/filósofos mais diversos. Ler, pensar e, depois, escrever, tanto quanto possível de maneira autónoma e original, no essencial, era nisto que consistia fazer um Curso de Filosofia, pelo menos no meu tempo. Este tipo de trabalho foi determinante para me despertar o “bichinho da escrita”. Mas, é claro, com o seu manancial de ideias e de questões, umas claras e outras nem tanto, umas respondidas e outras por responder, a minha formação em filosofia também me continua a alimentar o meu hobby de escrever. Disse hobby, só pelo facto de não ser um profissional da escrita. Escrevo e só no ano de 2010 publiquei três livros, a saber, A Cirurgia do Prazer – Contos Morais e Sexuais, O Templo da Glória Literária – Versão poética, e Já não se fazem Homens como antigamente, este último um livro em co-autoria com mais três escritores, com distribuição nacional, o que é deveras notável, seja para quem for, mas sobretudo para mim, que continuo e continuarei a ser um professor de filosofia, ao nível do ensino secundário. Não abordei a questão de se começar/ou não a escrever movido por uma espécie de “necessidade interior”. Talvez possa falar disso mais adiante. Por agora digo apenas que esse tipo de motivação para a escrita não é contraditório com a escrita ser/ou não ser um hobby. Para mim, a escrita é um hobby, no sentido de não ser a minha ocupação principal, mas isso não quer dizer que não leve a escrita a sério, nem que a minha escrita não se alimente de uma espécie de “necessidade interior”. Quando não escrevo, quando passo muito tempo sem escrever, fico insatisfeito e sinto o peso enorme de uma falta dentro de mim.

D: "O Templo da Glória Literária" é o seu terceiro livro, porém é um livro de poesia. Como se revelou o seu "eu" poético? Ou melhor, como descobriu que havia um poeta no seu íntimo que precisava exprimir-se?

MA:

Já o disse várias vezes: a escrita poética faz parte do ADN da minha escrita. Foi pela poesia que comecei a escrever. É pela poesia que continuo a escrever. E será ainda pela poesia que irei continuar a escrever. O Templo da Glória Literária, o primeiro livro de poesia que publiquei, é a prova disso mesmo. Trata-se de um livro de tributo e de homenagem aos grandes nomes da poesia de todos os tempos. Em parte, é também um livro de agradecimento a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, me levaram a gostar da poesia, a gostar de ler e de escrever poesia.

D: Logo no início do Templo há a seguinte referência:

"Sinalética dos tempos:
Urge (re) conquistar o selvagem
O olhar da criança, o do louco e do poeta"

Acha que realmente se perdeu o que é inato ao homem, ou seja, a sua essência que no fundo é a inocência, a loucura e o poeta que há em cada ser humano?

MA:

Respondendo de forma directa e com total sinceridade: acho. O mundo actual é feito essencialmente de números e de coisas, de crises e de planos para ultrapassar as crises, de egoísmos e materialismos, de tantos e tantos outros “ismos”, mas não tem lugar para a inocência, a cândida inocência de um Voltaire, para a loucura, a sã loucura de imaginar e criar, nem para o poeta, que acredito que cada um traz dentro de si. Pessoalmente, sinto-me deveras satisfeito por saber que a minha poesia também se faz disso, ora denunciado este estado geral de coisas em que as pessoas deixam de ter disponibilidade para serem quem gostariam de ser, para fazerem o que mais gostariam de fazer, ora alertando para a necessidade de ter que se voltar atrás, de rebobinar o filme, para ver as alternativas, a meu ver diferentes, a meu ver melhores.

D: Depois da leitura do seu livro de poesia, fica bem claro o porquê da palavra "Templo" quer falar um pouco sobre isso?

MA:

Como já o disse atrás, O Templo da Glória Literária é um livro de tributo e de homenagem aos grandes nomes da poesia de todos os tempos. Já não sei por que poeta é que comecei a fazer os poemas deste meu livro, nem penso que isso tenha muito interesse agora. A verdade é que só depois de ter descoberto um pensamento de Jean le Rond d’ Alembert é que fiquei com a noção de ter entre as mãos um projecto que poderia vir a ser muito interessante. Eis as palavras de d’ Alembert:

“O interior do templo é somente habitado por mortos que não se encontravam lá quando vivos e alguns vivos que são postos para fora, a maior parte deles, quando morrem.”

A partir destas palavras ficou claro o que poderia/deveria fazer: seguindo o critério da fama e da glória literárias, poderia/deveria fazer poemas de tributo e de homenagem àqueles que, para mim, são os grandes vultos da poesia de todos os tempos. Como imagem, pensei numa espécie de Panteão, onde só são sepultados os poetas que alcançaram a imortalidade, tendo conquistado o seu lugar por direito próprio, isto é, pela excelência da obra que deixaram atrás de si. Mas há uma particularidade interessante nas palavras de d’ Alembert: muitas vezes/quase sempre, a fama e a glória aparecem cedo de mais, torna-se efémera e perde-se com a mesma rapidez com que se ganhou; outras vezes/quantas vezes, só depois da morte é que se reconhece a fama e a glória, e nalguns destes casos … dura para sempre. É deste segundo tipo de situações que se faz o meu livro. O Templo da Glória Literária, o poema que dá título ao meu livro, dá conta deste critério, que segui para proceder à minha selecção.

D: A crítica em Portugal não é um pouco elitista? Como se relaciona com a crítica literária?

MA:

Para além de uns quantos blogues literários que consegui despertar para as minhas obras, entre os quais se contam o Viajar Pela Leitura e o Destante, não me relaciono. É com alguma amargura que confesso o seguinte: a crítica literária em Portugal não é apenas elitista, também é direccionada, manipulada e, eventualmente, manipuladora. No poema de homenagem e tributo ao poeta Alexandre O’ Neill, chamo aos críticos literários “vadios ociosos, que passeiam o seu tempo pelo labor dos outros”. Mas vamos voltar um pouco atrás. Como já disse, no ano de 2010 publiquei três livros. O Templo da Glória Literária, em particular, mereceu imensas posições de destaque em muitas das grandes livrarias do país e até está a ser traduzido, para ser publicado, em Itália. Quem é que deu conta disso? Quem é que deu realce a isso? Ninguém.

D: Ainda temos em Portugal grandes escritores e grandes poetas?

MA:

Sim, é claro. Comungo plenamente da ideia que das coisas boas que Portugal tem para oferecer são os seus escritores. Temos outras, felizmente. Ao nível da escrita, está aí uma nova geração de escritores, com muito valor e fulgor, uns já com créditos firmados por esse mundo fora, outros em vias de o poderem vir a fazer. Gonçalo M. Tavares, Luís Miguel Rocha, José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe, João Tordo, para ficar só por alguns nomes, estão aí para o provar. Não tendo o mediatismo deles, e possivelmente a disponibilidade para me dedicar em exclusivo à escrita, não me considero excluído desta grande vaga de novos escritores portugueses. Quanto à poesia … bem … a poesia é outra questão. Ouve-se muitas vezes dizer que Portugal é um país de poetas … Mas, como acontece em tudo, é preciso separar o trigo do joio. De facto, há muita gente a escrever poesia, mas muita dessa gente escreve apenas movido pela sua vontade de o fazer, quantas vezes sem o talento e o saber para o poderem fazer bem. Mas penso que devem ser incentivados para o continuar a fazer. Por mim, procuro sempre incentivar quem tem vontade de escrever.

D: Se pudesse construir um Templo da Glória Literária, (fisicamente falando, um templo com tijolos e cimento), em que cidade o construiria?

MA:

O nosso Panteão Nacional continua pobre. Tem mais chefes de estado do que artistas ou escritores. O nosso grande Luís Vaz de Camões está sepultado no Mosteiro dos Jerónimos! Em Paris, pelo contrário, a imagem do Panteão Nacional é fortíssima. O Templo da glória Literária é uma imagem mental e cada um de nós tem a possibilidade de ter/fazer a sua própria imagem. Fisicamente falando, e só porque sou português, talvez tivesse que o construir em Lisboa, talvez no lugar onde está o Panteão Nacional, mas teria que virar a frente do actual edifício para o rio Tejo, a abraçar o mar.

D: O que pensa do acordo ortográfico? Vai adaptar a sua escrita ou vai resistir?

MA:

Enquanto puder, vou continuar a resistir. Eu quero continuar a vestir um fato, apesar de o fazer poucas vezes, e não um acontecimento.

D: O Miguel é professor. Ser professor é ainda uma missão ou apenas um castigo do destino?

MA:

Sim, sou professor de filosofia. Trata-se de uma profissão que comecei por abraçar com desconhecimento e desconfiança. Lembro-me de que quando fiz o meu Estágio Profissional, a ideia que tinha era a de ver se conseguia e/ou gostava de ser professor. A verdade é que acabei por gostar e abracei, depois, a profissão com enorme gosto e paixão. Nos primeiros anos de profissão, e ainda como professor contratado, disse várias vezes que me considerava um privilegiado: fazia o que gostava e ainda me pagavam para o fazer. Entretanto, com o tempo, como é público, a profissão de professor tem-se vindo a degradar: muita burocracia, alunos desinteressados e desmotivados, questões laborais delicadas …

D: Para terminarmos, faça referência a um livro e a um país/cidade e fale-nos um pouco de ambos.

MA:

Um livro? O livro que estou a escrever. É um romance. É a minha primeira tentativa de fazer um romance. Mas não tem país nem cidades, porque os lugares melhores, os mais autênticos e aprazíveis, não vêm no mapa. Agora a sério. Um livro? Sem dúvida, El Quijote, de Miguel de Cervantes. Trata-se de uma loucura constante, mas sempre humana. Chorei várias vezes enquanto o li, mas foi sempre de tanto rir. Um país? Sem ser Portugal, conheço poucos países. Escolho França e, mais concretamente, Paris. Pelo seu cosmopolitismo. Pela sua frente sempre virada para as artes. Os grandes museus de Paris, por exemplo, podem-se visitar várias vezes, devem-se visitar várias vezes, devem-se visitar e revisitar, e continuam sempre a chamar-nos para lá voltar.

D: Miguel, o nosso muito obrigado e fazemos votos de muito sucesso.

Quem fica agradecido, imensamente agradecido, sou eu. Sucessos também para os blogues Viajar pela Leitura e Destante.

Passatempo "Pele" de Mo Hayder

O blogue em parceria com a Europa América tem para oferecer dois exemplares do livro "Pele" de Mo Hayder.
Para participar no passatempo, tem apenas de responder acertadamente a todas as questões do formulário.
Não perca a oportunidade de ganhar este policial.

Regras do Passatempo:

-O passatempo começa hoje dia 8 de Fevereiro de 2011 e termina às 23.59h do dia 15 de Fevereiro de 2011;

-Os participantes vencedores serão escolhido aleatoriamente;

-Os vencedores serão contactado via e-mail;

-Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência.

As respostas às questões do formulário encontram-se aqui

PASSATEMPO ENCERRADO

Boa sorte aos participantes ;)



"O meu avô sempre dizia que a melhor parte da vida haveria de ser ainda um mistério e que o importante era viver procurando"*
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Sinopse:
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Esta é a história de um menino que, desafiado pelo avô, procura conhecer os mistérios da vida.
Avô e neto vivem num jogo sem fim de pergunas e respostas, enigmas e soluções, procurando, adivinhando e aprendendo sempre. Certo dia, o menino fica sem resposta quando o avô lhe pergunta:
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Quais são para ti as coisas mais belas do mundo?
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São as coisas de verdade, como tanto quanto se vê e toca? Ou as coisas invisíveis, aquelas que pensamos, sentimos e sonhamos?
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A minha opinião:
O livro fala-nos de um menino, cuja amizade com o seu avô era imensa. O avô haveria de lhe ensinar o mais belo que há na vida...vivê-la e transformá-la. Saber apreciar cada momento, cada sentimento, assim como compreender alguns dos infortúnios que nos acontecem. Saber encará-los como algo inevitável e aprender a viver com eles.
O avô mostra-lhe o sonho como mola mestra da vida. O homem capaz de sonhar de dia é também capaz de modificar a sua realidade. Ao contrário daquele que apenas sonha à noite.
"(...) quem sonha de dia transforma sempre a sua vida, transforma o mundo"*
Este é um livro que apesar de estar direcionado para o público juvenil encerra mensagens que devem ser lidas e relembradas pelos adultos. Um livro que prende pela linguagem simples, pelas suas sábias mensagens e imagens.
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Aconselho sem reservas!
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Classificação: 6/7 Excelente
* Frases retiradas da referida obra

"A Vida de Pi" Yann Martel

"A minha história começou num dia do calendário - 2 de Julho de 1977 - e terminou num dia do calendário - 14 de Fevereiro de 1978 - (...) eu sobrevivi porque me esqueci até da noção de tempo"
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Quando li a sinopse deste livro pensei: "bem um humano com um tigre adulto abordo de um bote?? Impossível ser real!" No entanto, há informações no livro sobre os animais selvagens que nos fazem acreditar que tal situação seria possível sim!
Pi Patel, é um jovem indiano que vive com os pais em Pondicherry. A família possui um zoológico"fonte de alguns prazeres e de algumas dores de cabeça".
Por razões políticas, os pais resolvem emigrar para o Canadá levando também alguns dos animais. Entretanto, passados alguns dias de viagem, algo corre mal e o navio afunda-se.
Quando tudo parecia perdido para Pi, o nosso personagem dá-se conta que ainda terá de passar por longas dificuldades, pois no bote salva vidas estão também uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala adulto.
Inevitavelmente e para horror de Pi, os animais vão-se matando/comendo uns aos outros de acordo com as leis da cadeia alimentar. É de salientar a escrita de Yann Martel que é magistral nestas situações (e em todas as outras), uma vez que conseguimos acompanhar o sofrimento dos animais. Tudo é descrito ao pormenor e o leitor é levado até ao bote e é capaz de presenciar tudo juntamente com Pi e partilhar o seu sofrimento.
Assim, depois de alguns dias, apenas resta Pi na cadeia alimentar do magnífico Tigre de Bengala (Richard Parker). Pi, lembrando-se dos ensinamentos no Zoo desenvolve estratégias para domar este felino e assim tentar viver mais tempo possível.
Confesso que a determinada altura pensei que tigre e homem fossem desenvolver algum tipo de amizade, que o tigre ficasse mais dócil e que tolerasse Pi. Mas não! Homem e tigre apesar de partilharem o mesmo espaço mantém-se cada um no seu território, cada um no seu lugar dia após dia.
É de destacar que desde pequeno, Pi era atraído para todas as religiões e gostava de todas de igual forma. A sua infinita fé manteve-o sempre crente que um dia encontraria terra firme.
Achei o final particularmente interessante, uma vez que, quando Pi é entrevistado e relata a sua história tal qual aconteceu, os repórteres não acreditam, então ele substitui os animais por pessoas, apesar da segunda história soar melhor aos repórteres, estes confessam que gostam mais da primeira. Na minha opinião, Yann Martel, alerta o leitor para o facto do homem continuar a ser um sonhador.
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"Como é verdade e que grande verdade, que a necessidade é a mãe da invenção"
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"Uma pessoa pode habituar-se a tudo, até a matar"
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Este é um excelente livro, uma excelente leitura. Uma história que nos faz viajar com o seu personagem pelas pequenas/grandes alegrias, como pelo seu grande sofrimento! Não deixe de ler!
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Classificação: 6/7 Excelente
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O livro aqui na editora
O blogue e a Porto Editora agradecem os 323 participantes do passatempo "Patagónia Express" de Luis Sepúlveda.
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As respostas às questões colocadas são:
1-Patagónia Express é um comboio que já não existe, mas que continua a viajar na memória de quem?
R-Continua a viajar na memória dos homens e mulheres da Patagónia.
2-Como se chama o autor do livro "Patagónia Express"?
R-Luis Sepúlveda
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O vencedor do passatempo é
Lina Isabel Batista
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Parabéns à vencedora e boas leituras ;)

Emily Dickinson - Poema


As if the Sea should part
And show a further Sea -
And that - a further - and the Three
But presumption be -
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Of Periods of Seas -
Univisited of Shores
Themselves the Verge of Seas to be -
Eternity - is Those -
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imagem retirada da net

A Luz dos Livros

Título: 2012 – Cenários para o Fim do Mundo
Autores: Didier Jamet e Fabrice
Colecção: Millenium
Pp.: 216

21 de Dezembro de 2012. Será essa a data do fim do mundo? O rumor circula pela Internet incentivado pelo filme 2012, de Roland Emmerich, segundo o qual estaríamos à mercê de um corpo celeste gigantesco, da inversão do campo magnético terrestre, de uma enorme intensificação da actividade solar, entre outras possibilidades.
A obra procura analisar essa hipótese com base no conhecimento científico actual. Porém, à semelhança do que aconteceu noutras eras, remete-nos para possível ocorrência de outros cenários ainda piores, os quais afectaram a sobrevivência de espécies inteiras.
Os autores procuram esclarecer o nosso futuro à luz destes acontecimentos do passado, bem como de fenómenos astronómicos raros e intensos que não deixam de constituir uma ameaça para o planeta, como, por exemplo, a explosão de uma supernova.
Conseguirá a ciência determinar com exactidão a data do fim do mundo? 2012 será o nosso último ano? E, se não for 2012, poderá esse terrível acontecimento suceder em breve?

Didier Jamet é jornalista na área da ciência e autor de várias obras sobre o tema.
Fabrice Mottez é astrofísico no laboratório Univers et Théories (LUTH) no Observatório de Paris-Meudon/CNRS.
Ambos participam no website dedicado à actualidade da astronomia: www.cidehom.com

A resposta da ciência aos imaginários ou plausíveis cenários apocalípticos.
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Título: A Rainha Vitória
Autor: Jacques de Langlade
Colecção: Grandes Biografias
Pp.: 336

O reinado da rainha Vitória, um dos mais longos da história (1837-1901), marcou o apogeu do império britânico e o domínio do Reino Unido, a primeira potência mundial.
Coroada rainha aos 18 anos, Vitória impõe-se rapidamente, apesar da sua juventude e falta de experiência. Não tarda a afastar-se da sua mãe e do amante desta, revelando o seu carácter independente. Reina sozinha, apreciando as homenagens, as festas e os bailes. Casa-se por amor com um príncipe alemão (de quem terá nove filhos), não seguindo os conselhos da sua mãe, que se opunha a esta união. Impõe o estilo «vitoriano», caracterizado pelo rigor, ao qual recorre como fachada de acordo com os seus interesses. A própria Vitória não fica imune aos rumores de ligações amorosas que fazem as delícias de uma alta sociedade em declínio a cada dia que passa e que ela tanto menospreza. Conhecida pela sua energia e autoritarismo, respeita sempre o regime parlamentar sem nunca deixar de manifestar as suas opiniões nem as suas preferências, que dissimula sob uma máscara austera de caprichos, impulsos e paixões. Adorada pelo povo — pelo menos após a morte do marido em 1861 —, a rainha Vitória é uma figura incontornável que contribuiu fortemente para o corolário da monarquia.
Jacques de Langlade é um especialista da história de Inglaterra e autor de inúmeras obras e várias biografias, como as de Oscar Wilde, Almirante Nelson, Disraeli, entre outros.
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Título: O Cientista Disfarçado
Subtítulo: Investigando os Pequenos Acidentes do Dia-a-dia
Autor: Peter J. Bentley
Colecção: Fórum da Ciência
Pp.: 256

Todos nós sabemos como as coisas podem correr mal: nódoas de vinho, torradas queimadas, computadores avariados… Mas quantos de nós param para pensar porque é que estes acidentes acontecem?
O Cientista Disfarçado, de Peter Bentley, é fascinado pela ciência do dia-a-dia, e neste livro esclarecedor, organizado num daqueles dias em que tudo parece correr mal, investiga a ciência por detrás de cada acidente, desde o fatídico episódio de não ouvir o despertador, a deixar a torneira da banheira a correr até inundar a casa de banho.
Ao fazê-lo, explica de forma clara o que acontece quando colocamos um objecto de metal no micro-ondas (as ondas eléctricas fazem com que o metal aqueça como o filamento de uma lâmpada) e o motivo pelo qual o suco da malagueta nos causa um ardor insuportável nos olhos (as malaguetas contêm um químico que faz com que as nossas terminações nervosas reajam como se se tratasse de uma queimadura). A partir destas questões, vai mostrar-nos como estes acontecimentos tão simples fazem parte de um padrão de princípios científicos que regem o mundo à nossa volta.
Se quiser saber como é que um motor a diesel consegue funcionar com óleo alimentar ou porque é que um raio nunca cai duas vezes no mesmo sítio, O Cientista Disfarçado tem resposta para tudo.
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Título: Guia Prático das Urgências Familiares
Autora: Anne Geoffroy
Colecção: Arte de Viver
Pp.: 124

O que estava a faltar na sua caixa de primeiros-socorros.

Está na companhia de um amigo e, de repente, ele tem um enfarte.
Será que sabe o que fazer, que cuidados deve prestar-lhe e que poderão salvar-lhe a vida? Outro exemplo: o seu filho sofre queimaduras graves. O que fazer enquanto aguarda pela ambulância?
Tem de ser prático. A qualquer momento, pode acontecer algo que coloque em perigo a vida de alguém que lhe é próximo ou que se encontra simplesmente no mesmo local que o leitor. Este guia claro e completo, de fácil consulta, ensiná-lo-á a agir da melhor forma em qualquer situação. Se este livro estiver sempre consigo, o leitor nunca será apanhado desprevenido. Eis o que estava a faltar na sua caixa de primeiros-socorros!
Um guia útil que todos devemos ter. Para além dos conselhos que devemos seguir em caso de urgência, esta obra apresenta ainda uma série de informações sobre remédios caseiros que curam as doenças mais comuns, como, por exemplo, a obstipação nasal, a laringite, a gastrenterite, etc.
Conselhos práticos que evitarão as idas constantes ao médico!
Um guia que deve ler com toda a atenção e trazer preciosamente consigo. Ele permitir-lhe-á ora tratar dos problemas de saúde menos graves ora acudir nos casos de doenças de maior gravidade. Quem sabe se em breve não irá salvar uma vida?
Título: O Grande Gatsby
Autor: F. Scott Fitzgerald
Colecção: Clássicos
Pp.: 168

Esta edição insere-se nas comemorações dos 70 anos da morte do autor

Extraordinariamente rico, Gatsby é famoso pelas festas realizadas na sua mansão em Long Island, apesar de ninguém saber ao certo quem é o anfitrião. Uns dizem que foi espião, outros que é aparentado com uma família real europeia. Mas, na realidade, só mantém estas festas na esperança de que Daisy, o seu antigo amor, vá a uma delas.
Um retrato da América durante os turbulentos anos 20 do século XX e uma sátira ao «Sonho Americano», onde Fitzgerald idolatra os ricos da época apesar de não se conformar com uma certa decadência causada pelo materialismo desmedido e pela imoralidade.
O grande clássico da literatura norte-americana.

F. Scott Fitzgerald nasceu a 24 de Setembro de 1896. Em 1917, abandonou a Universidade para se alistar no Exército. Desmobilizado em 1919, vai para Nova Iorque decidido a iniciar uma carreira como escritor. Em 1921, consegue, finalmente, realizar o seu sonho quando alcança o sucesso financeiro decorrente da publicação de Este Lado do Paraíso. Muda-se para Long Island, onde inicia o seu romance mais significativo, O Grande Gatsby. Falece em 1940, vítima de ataque cardíaco, sem nunca ter chegado a concluir O Último Magnata.
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Título: Pele
Autora: Mo Hyder
Colecção: Crime Perfeito
Pp.: 336

Autora best-seller internacional, com mais de 2 milhões de livros vendidos em todo o mundo.

Quando, numa manhã quente de Maio, o corpo de uma jovem é encontrado em estado de decomposição perto da linha férrea às portas de Bristol, tudo apontava para um suicídio. Pelo menos era o que a Polícia queria; tudo perfeitamente arrumado e despachado.
Mas o inspector Jack Caffery não tem tanta certeza. Está no encalço de um predador, alguém que se esconde nas sombras e se esgueira pelas casas sem ser visto.
A mergulhadora da Polícia Flea Marley trabalha ao lado de Caffery. Tendo lidado com a perda dos pais e com os traumas do passado, começa a ponderar se a relação de ambos poderá ir além da profissional.
É então que descobre algo que altera tudo. Não só lhe é demasiado próximo como é tão horrível que tem noção de que nada voltará a ser igual.
E, desta vez, ninguém a poderá ajudar… nem sequer Caffery.
MO HAYDER é uma autora consagrada no thriller e no policial britânico. Após vários projectos na área do ensino e da realização, dedicou-se à escrita a tempo inteiro.
Para mais informações, consulte: www.mohayder.net.
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Título: História do Ladrão do Corpo
Autora: Anne Rice
Colecção: Obras de Anne Rice
Pp.: 416
* Relançamento com nova capa

Lestat, vampiro, herói, sedutor consumado, cansado da busca, que já dura há dois séculos, para penetrar nos meandros da sua obscura existência, está desesperado por se ver livre do pesadelo da sua imortalidade. Ansiando por renascer homem, por pensar, sentir e respirar como um mortal, Lestat empreende uma incursão apaixonada pela vida.
A forma como Lestat se torna novamente mortal e como descobre aquilo que já tinha esquecido — a angústia do ser humano, a fragilidade, a odisseia da existência humana — é contada com toda a paixão, colorido e imaginação que distingue os extraordinários romances de Anne Rice.
Anne Rice é a autora consagrada de diversos best-sellers na área da literatura de fantasia e gótica. Entre êxitos como A Rainha dos Malditos e A Hora das Bruxas, alcançou a notoriedade com Entrevista com o Vampiro, um clássico que redefiniu a literatura de vampiros e foi adaptado ao cinema por Neil Jordan.
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Título: Viagem Extraordinária nas Terras do Conde Drácula – Vol. I
Autor: Arthur Ténor
Colecção: Europa-América Juvenil
Pp.: 136

Outrora um explorador do Imaginário, Thédric Tibert vive feliz junto da sua elfo do Reino das Sete Torres, Lizlide, até que um acontecimento insólito o obriga a voltar às suas antigas funções.
Uma diplomata foi vítima de um acidente de transferência quântica. Ela era esperada numa Londres do Imaginário onde vive um tal Sherlock Holmes. Mas é Drácula quem a recebe no seu mundo.
Acredita-se que Thédric é o único terrestre capaz de enfrentar o terrível conde da noite. Ele tenta recusar esta missão, mas as circunstâncias não lhe deixam outra alternativa. Vai então aceitar esta tarefa difícil, sabendo que o espera nada menos do que um confronto directo… com a morte.

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