Como diz Joseph Joubert "O maior defeito dos livros novos é impedir a leitura dos antigos" daí que decidi lançar um desafio a mim mesma. Pois tenho adquirido e lido vários livros novos e os clássicos têm lá ficado na estante.
Então, até ao final do ano terei de ler 4 clássicos, são eles:
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Os Maias -Eça de Queirós
Viagem ao Mundo em 80 dias - Júlio Verne
Crime e Castigo - Dostoievsky

Espero cumprir... :)
“A história da relação entre Constance Chatterley e Mellors, o guarda de caça do seu marido inválido, é o romance mais controverso de Lawrence e talvez o seu texto mais comovente sobre o amor.
Escrevendo para libertar as gerações que, a seu ver, consideravam o sexo um simples constrangimento ou acto mecânico, Lawrence disse sobre esse livro: trabalhei sempre o mesmo tema, encarar a relação sexual não como algo vergonhoso, mas válido e precioso. Penso que neste romance fui mais longe do que em nenhum outro. Para mim, é uma obra bonita, terna e frágil, tal como a nudez”
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O que eu achei:

D. H. Lawrence nasceu na aldeia de Eastwood, no reino Unido, em 1885. Para Lawrence o amor é como uma força da natureza e o sexo é o ser fundamental em nós.
“O Amante de Lady Chatterley” foi publicado em 1928 e proibido em Inglaterra (por ser considerado pornográfico), mas traduzido e publicado em diversos países.
Depois de efectuada a sua leitura verificámos que a obra não tem nada de pornográfico. Eu diria que tem muito de sensual e belo. Ao longo do romance existem frases que possam ter chocado a sociedade da altura, mas Lawrence, por certo, usou-as propositadamente.
Durante todo o romance existe uma forte crítica ao modo como o sexo era encarado na altura: uma obrigação com repulsa à mistura.

A história baseia-se num triângulo amoroso, se assim o podemos chamar, pois um dos personagens é impotente.
Constance casa com Clifford, no entanto teve experiências sexuais antes de casar, teve uma educação livre e livre de preconceitos, estudou arte em Paris. O seu pai era apologista de que também as mulheres deveriam usufruir dos prazeres da vida e deviam ser realizadas a nível sexual.
Após um mês de casamento Clifford vai para o exército e volta impotente. O pai aconselha-a a arranjar um amante. Constance envolve-se com um escritor que costumava participar nos serões de sua casa, onde se discutia essencialmente política. Penso que muito do que é dito nas “tertúlias” em casa de Clifford é essencialmente uma crítica à política da altura.
Contudo, a Michaelis (o escritor) faltava-lhe algo que para Connie era fundamental – carinho para com ela. Assim, achava-o frio como a todos os outros homens.
Até que um dia Connie conhece um homem que para além de a satisfazer sexualmente consegue fazê-lo com muita ternura e sem sentimento de culpa ou de vergonha.

Em todo o romance está patente uma crítica à sociedade da altura e talvez por isso proibido a sua publicação e não por ser um romance de cariz pornográfico, porque não é!
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Classificação: 6/6 - Excelente

Lolita - Vladimir Nabokov


O romance começa com a famosa frase:

“Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade”

“Humbert Humbert é um professor de meia-idade e Lolita, a filha da sua senhoria, é uma jovenzinha de doze anos perturbadoramente bela e provocante. Com estes elementos foi construída a história da obsessão amorosa mais famosa do século XX, um apaixonante romance de amor que abala todas as consciências ao destapar a poderosa e “perversa” atracção que podem exercer as denominadas “ninfitas”. Este itinerário desenfreado pelas estradas da loucura e da morte que mergulha nas paixões humanas até as levar ao extremo, é também um retrato devastador dos Estados Unidos de meados dos anos cinquenta, com os seus horrores suburbanos e a sua triunfante subcultura”

O que eu achei:

Uma obra sem dúvida que polémica pelo tema em questão: pedofilia e pela forma que este é abordado no romance.
Para mim, “Lolita” foi um romance de leitura diferente. Diferente no sentido de “brincar” com o leitor a ponto de me confundir e de, por vezes, ficar sem saber o que pensar…
Comecei com uma opinião que julgava fixa e ao longo do romance fui ficando mais flexível acerca da opinião em questão. A escrita de Nabokov é genial e existe muita informação nas entrelinhas, daí que é uma leitura que requer alguma atenção
Achei o início do romance muito bom muito cativante e apelativo à leitura compulsiva, mas à maneira que o romance avançava confesso que a leitura se tornou um pouco entediante…
O romance do escritor russo Vladimir Nabokov, teve a sua primeira publicação em 1955 depois de ter sido recusado, várias vezes, por diferentes editoras. Se ainda hoje é um romance que levanta polémica, imagine-se nos anos 50.

Uma leitura muito interessante, cujo tema principal pode ser analisado por diferentes pontos de vista.
Classificação: 5/6 - Muito Bom

Poema

O chapéu do Poeta Fernando Pessoa, 1979
óleo sobre tela
Costa Pinheiro ( um dos seus quadros do ciclo "Fernando Pessoa")
..
(...) Divido o que conheço.
De um lado é o que sou,
Do outro quanto esqueço.
Por entre os dois eu vou.

Não sou nem quem me lembro
Nem sou quem há em mim.
Se penso, me desmembro.
Se creio, não há fim.

Que melhor que isto tudo.
É ouvir, na ramagem
Aquele ar certo e mudo
Que estremece a folhagem (...)

F.P
Poemas 1908-1935
“Esta original fábula de negócios conta a história de dois ratinhos e de dois pequenos seres humanos que vivem num labirinto e procuram queijo, aquilo que os alimenta e faz felizes. Como haviam encontrado um recanto do labirinto cheio de queijo, o suficiente para durar o resto das suas vidas, viviam sem muitas preocupações. Até que, um belo dia, o queijo desaparece…
Esta fábula simples e criativa ensina-nos que tudo muda e que até aquilo que consideramos seguro e fundamental se pode vir a tornar absoleto. Os seus ensinamentos aplicam-se a todos os aspectos da vida: o “queijo” desta história representa aquilo que queremos alcançar – seja a nível pessoal, social ou profissional – e o labirinto representa o mundo real, cheio de zonas desconhecidas e perigosas, becos sem saída, recantos obscuros…e armazéns cheios de queijo!”


Uma leitura interessante que nos lembra a todo o tempo que não devemos complicar em demasia os desafios da nossa vida (vistos por nós como grandes problemas), quer sejam estes profissionais ou pessoais. Uma leitura que recomendo!

Classificação: 4/6 - Bom


"Quando as coisas se descontrolam - os descontrolados vão às compras.

Rebecca Bloomwood é louca por compras, está enterrada de dívidas até aos ossos e passa o tempo a tentar escapar ao seu gerente de conta.

A sua única esperança é tentar ganhar mais e gastar menos. O seu único consolo é comprar alguma coisa - só mais uma coisinha ..."

O que eu achei:

Se quer dar umas boas gargalhadas, aconselho esse livro “Louca por compras” de Sophie Kinsella.
Rebecca é viciada em compras e apesar ter contraído muitas dívidas, em vez de pagar as contas do cartão de crédito, continua a fazer compras freneticamente. Contudo, Rebecca é honesta e no fundo sabe que esconder as cartas do banco ou fingir que as dividas não existem não soluciona o seu problema.
Rebecca é jornalista financeira, mas não gosta do que faz e considera-se uma fraude. Faz o seu trabalho por fazer e não mostra interesse e atenção pelo mundo financeiro, que é afinal o mundo que envolve a sua área de trabalho como jornalista. Até que o seu desinteresse faz com que os seus vizinhos percam uma avultada quantia de dinheiro devido a uma informação desactualizada que a suposta jornalista e entendida na área financeira lhes dá.
Mas as peripécias da vida vão mostrar-lhe que, afinal, ela sabe mais do que pensa…
A história é narrada de uma forma cómica e fresca. Um livro que se lê em duas tardes…ADOREI !!

Classificação: 5/6 - Muito Bom

Mãe

Pablo Picasso - Mãe e Filho

Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei.
Traz tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! verdadeiro, encarnado!

Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens!

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão pela minha cabeça é tudo tão verdade!

Poema de Almada Negreiros

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