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Dia do Autor Português

*Foto retirada aqui

Dia Mundial do Livro!!




Perante a situação mundial que estamos a atravessar, a mensagem da leyaonline é muito adequada e a imagem muito ternurenta. Mas mesmo adorando os livros, não há nada mais íntimo e carinhoso, como um bom abraço…



* Imagem retirada da leyaonline.com

Murakami, aniversário

Haruki Murakami faz anos hoje.

São 67 anos de pura classe.


Datas que lembram livros...

22 de Junho deste ano será um dia diferente. 
Não se trata de uma data que marque uma revolução, o nascimento de alguém ou possua um simbolismo vital para a humanidade.
Este é o dia que marca pela primeira vez a ausência da Feira do Livro do Porto em mais de 80 anos. E não marca pelo facto de os editores e a Câmara Municipal não terem chegado a um consenso para a realização de tão importante evento. Não. Marca pelo facto de os autores se terem reunido e elevado a sua voz. Marca pela acção e pela vontade de levar os seus livros junto dos seus leitores.
A 22 e a 29 de Junho vários escritores estarão na cidade para receber as pessoas que os lêem. 
Não há feira, mas há escritores!


Foi com estas palavras que contribuí para o movimento:

Vagueando, de Vasco Ricardo


Fechei os olhos e comecei a caminhar,
partindo de um parque enorme que recebia os autocarros 
e que não perdia de vista homens engravatados.
Fui ao encontro daquela que já fora a construção mais alta de Portugal,
mas não a encontrei.

Atravessei a rua e desloquei-me à livraria famosa pela escadaria virtuosa;
entrei mas estava vazia.
Subi um pouco para me certificar que estava no local correcto,
Rua das Carmelitas dizia.

Prossegui para cima.
Procurei os leões que haviam fugido,
os estudantes que haviam partido,
o café de nome esquisito que me amedrontava o cabelo
e que, também ele, havia sido encerrado.

Desisti e desci,
passando por azulejos apagados pelo tempo,
até mais não conseguir.

Quis transpor o rio que a cidade banhava,
mas não havia ponte para o fazer.

Vasculhei, do lado de cá, as caves que guardavam o vinho de fama secular.
Não estavam lá,
apenas se enxergavam ruínas, pó e tristeza.

Voltei a subir,
cruzando pela casa que fora do Infante,
pelo palácio cujo pátio encantara, em tempos, gente rica de negócios,
pelo mercado que recebera todo e qualquer tipo de evento.
Ainda espreitei de soslaio a igreja que dá nome ao papa,
mas estava fechada.

Subi a correr,
ainda às cegas,
pois conhecia aquela cidade como a palma da minha mão.
E parei na avenida cinzenta, que permaneceria verde caso não tivesse sido ceifada, violada.

Abri os olhos. 
Vi miúdos, famílias e turistas;
sorrisos, leveza e entusiasmo;
vida, calor e sabedoria.
Os livros eram folheados ao sabor do vento
e as mentes eram alimentadas a cada palavra registada.

Soube então o motivo por nada ter visto.
Tinham-me dito, a mim, que parte do Porto se havia fechado.
Mas não, percebi que nunca o Porto tinha estado tão aberto, 
que não tinha procurado aquilo que tinha ser encontrado.


Datas que lembram livros...

Em 1942 a Europa vivia tempos difíceis. 14 de Junho não foi excepção. Um intenso clima de guerra e luta por ideais e pelo poder manifestava-se em muitos dos países do velho continente, incluindo a Holanda e a sua capital. Aí encontrava-se uma rapariga judia, que podia ser como tantas outras.
 
Mas não foi, porque nesse mesmo dia começou a escrever no diário que os seus pais lhe haviam oferecido dois dias antes, por altura do seu 13º aniversário...
"O Dário de Anne Frank" foi publicado pela primeira vez em 1947 e ainda hoje a sua leitura tem um forte impacto na sociedade. Esta rapariga acabou por não resistir à campanha nazi contra os judeus e morreu em 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen. No entanto deixou o seu tesmunho bem vincado no diário que concebeu, no qual mostra a sua visão sobre um mundo injusto, assim como a forma como encarou o destino que lhe foi reservado. A carga emocional das palavras que escreveu revela-se muitas vezes chocante e a evolução do seu estado psicológico é notório.

Datas que lembram livros

5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, este ano sensibilizando a população para a redução do desperdício de alimentos, cerca de mil milhões de toneladas anuais que saciariam um número brutal de gente subnutrida.
Infelizmente, este não é o único problema ambiental. Eles são, na verdade, incontáveis, sendo alguns resultantes da actividade do Homem. Actos esses diria-se desumanos. Contudo, o tempo tem mostrado que mais humanos não podiam ser, os actos portanto.
 
Um homem poderoso - podia ter sido um dos mais poderosos a certa altura da sua vida, mas ainda bem que não foi - dedicou-se entretanto à causa ambiental...
 
"Uma Verdade Inconveniente" de Al Gore, antigo senador do Tennessee e vice-presidente da administração Clinton, toca nalguns pontos sensíveis e levanta muitas dúvidas acerca do actual estado do planeta, tendo como pano de fundo as alterações climáticas e o aquecimento global. Ao autor foi, aliás, atribuído o Prémio Nobel da Paz em 2007. Há quem suporte a sua teoria e há quem o chame de alarmista e exagerado. No entanto, sendo o Homem, ou não, responsável pela destruição do planeta, a mensagem incutida nas páginas deste livro deve ser sempre levada em conta. Afinal é neste planeta que vivemos e devemos cuidar dele assim como ele cuida de nós.

Datas que lembram livros

29 de Maio é o Dia Mundial da Energia, um tributo a algo que se tornou fundamental nos dias que correm, um dos maiores marcos alcançados pelo Homem. O mesmo que me permite escrever este artigo e que, do mesmo modo, possibilita que o possais ler. A energia pode ser obtida através das mais variadas formas.
 
Umas formas mais nobres que outras porém...
 
"Hiroshima", de John Hersey, documenta na perfeição tudo o que envolveu o ataque à primeira cidade japonesa, a 6 de Agosto de 1945, durante a Segunda Guerra Mundial. Todo o ambiente, o pânico, a dor, o desespero, a dúvida e mais uma série de sentimentos e emoções vividos durante aqueles dias que perduram até aos dias que correm, estão impecavelmente narrados através da entrevista a 6 sobreviventes à tragédia.
100.000 pessoas morreram devido ao lançamento desta bomba atómica. E esta trata-se do modo mais cruel de produzir energia, o reverso da medalha de um bem que é actualmente primário.
 

Datas que lembram livros

Nasceu a 22 de Maio de 1859 Sir Arthur Conan Doyle, o homem que acreditava que Houdini tinha poderes sobrenaturais, que se candidatou sem sucesso ao Parlamento inglês por duas ocasiões e que nunca chegou a ser bem-sucedido enquanto médico.
 
Ainda bem que não foi, caso contrário talvez nunca tivesse escrito um dos mais marcantes personagens escritos na história da literatura mundial...
 
"As Aventuras de Sherlock Holmes" alberga 12 contos do famoso detective, sempre auxiliado pelo doutor Watson, que nos levam ao mundo do crime e do mistério. Todos nós já ouvimos falar do carácter e da forma de agir de Sherlock Holmes. Porque não conhecê-lo no dia  da celebração do 154º aniversário do seu nascimento?
 
 
 

Datas que lembram livros

Celebra-se a 15 de Maio o Dia Internacional da Família. Esta comemoração foi sugerida pelas Nações Unidas, na perspectiva de destacar a sua importância no seio da sociedade, e consta no calendário desde 1994.
Muitas são as opiniões de como as famílias devem ser e por que princípios se devem reger. E nessas geralmente sobressaem valores como a união, o amor e a ajuda mútua e permanente.

Contudo nem todas as famílias são assim...
 
Em "A Bofetada", de Christos Tsiolkas, tudo aquilo que uma família não deve ser está representado nas várias famílias descritas no livro e que acabam por fazer parte da sociedade australiana. Numa comunidade onde várias culturas coabitam, o pior de cada uma delas emerge, mostrando ao leitor os resultados de famílias cujos membros pecam na edução dos filhos, no amor que não sentem pelos outros mas unicamente por eles próprios e na ausência de solidariedade que lhes assiste.
É brilhante este livro, mesmo falando das coisas como elas verdadeiramente são.

Datas que lembram livros...

9 de Maio é conhecido como o Dia da Europa. Em 1985, em Milão, os membros dos governos pertencentes à Comunidade Europeia decidiram que este dia seria dedicado à união dos países do velho continente. Isto quando em 1950, a 9 de Maio como é óbvio, Robert Schuman, político luxemburguês e radicado em França, apelava à criação de um grupo de nações, defendendo invariavelmente os interesses humanitários e sociais. Tudo em prol do bem-estar dos europeus, incluindo os alemães destroçados pela Segunda Guerra Mundial.
 
A Comunidade foi criada, de facto, mas os interesses em nada coincidem com o objectivo com que foi concebida: a defesa dos direitos do homem...
 
"Direitos do Homem" foi escrito em 1791 por Thomas Paine e trata-se de um livro que tem sido esquecido em muitas partes do globo ao longo dos tempos. Hoje em dia, com a crise económica e social que assola a nossa comunidade, talvez os dirigentes portugueses e europeus pudessem lê-lo e reformular aquilo que defendem.
Este livro é, neste momento, mais importante do que qualquer romance que possa ser sugerido, pois este 9 de Maio não é o Dia da Europa, é antes um símbolo de uma época em que os governantes europeus se esqueceram dos seus cidadãos.
Pode ser, sim, o Dia da Europa, mas, neste moldes, nunca será o Dia do Europeu.

Datas que lembram livros...

A MINUSTAH, Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti, foi criada pela ONU a 30 de Abril de 2004. Trata-se de uma missão de paz com vista a auxiliar um dos países mais pobres do mundo. Plantado no mar das Caraíbas mas onde nada parece prosperar, Haiti parece ser um país destinado a nunca se erguer da miséria, pelos mais variados motivos, sejam culturais, económicos ou naturais.
 
Port-au-prince é a capital da nação, local onde Max Mingus, personagem criada pelo escritor Nick Stone, testemunha um mundo à parte, um local diferente dos outros...
 
'Mr Clarinet' é um livro policial. O seu enredo é rico em suspense, mistério e acção. Contudo, este livro descreve na perfeição a desgraça de um povo, caracterizando o Haiti de forma transversal assim como toda a sua sociedade. Através das suas páginas, conseguimos compreender em parte por que razão o país é tão diferente dos seus vizinhos caribenhos, onde a música não é rainha, nem as árvores são tão abundantes, nem o turismo é aproveitado.  Para além disso, a forma como o vudu é explorado é assustadora.

Datas que lembram livros...

Foi a 23 de Abril de 1936 que foi inaugurado oficialmente o Campo Penal do Tarrafal. 'Penal' foi o nome atribuído oficialmente, se bem que a maioria dos entendidos prefere substituir esse termo por 'Concentração'. Campo de Concentração do Tarrafal, ainda assim, uma designação mais simpática do que Campo da Morte Lenta, como muitos lhe chamavam.
Situado na Ilha de Santiago, Cabo Verde, o complexo era basicamente um local onde eram aprisionados os opositores do governo de português.
37 pessoas morreram entre o período em que a prisão operou, entre 1936 e 1954.
A "frigideira" era o castigo mais temido, um paralelepípedo feito de cimento sujeito à exposição solar da região, sem que os prisioneiros pudessem de lá sair. Durante largos dias permaneciam dessa forma...
Nicolau Manuel também passou por lá. Este é um dos episódios vividos por uma das três personagens principais de "Deixem Falar as Pedras", de David Machado, um livro que incide sobre três gerações de uma família, todas elas, directa ou indirectamente, ligadas com a ditadura que no país imperou.
Trata-se de um romance que nos mostra quão doloroso pode ser o dia-a-dia quando o passado não nos deixa seguir em frente e quão ingrato se revela uma vida onde a loucura se confunde com uma realidade demasiado dura para que seja vista como aquilo que na verdade é.

Datas que lembram livros...

O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi criado a 18 de Abril de 1982 de forma a valorizar aquilo que de mais belo o Homem viu e concebeu. São muitos os locais classificados como Património da Humanidade pela UNESCO (organização que aprovou a existência deste dia comemorativo). Na verdade, são quase mil os lugares e monumentos que tiveram a honra de alcançar tal mérito - alguns deles locais naturais.
 
E existe um país que se destaca dos demais, um recordista de 'patrimónios', a Itália...
 
Itália é o local onde decorre a acção do último livro que Mario Puzo escreveu e que não chegou a concluir.
"A Família" retrata uma época em que o melhor e o pior do ser humano coexistiu. Enquanto se produziam obras de arte únicas, a parte mais negra da mente de um homem emergia. Este livro retrata na perfeição a família Bórgia, caracterizando cada um dos seus elementos macabros, todos eles responsáveis por marcar uma época.
É um livro inesquecível, desenvolvido por um grande autor e ao qual terá dedicado os últimos anos da sua vida.
Diz-se que dos fracos não reza a história. De facto estas personagens não foram fracas, e não olharam a meios para atingir os seus propósitos.
Torna-se viciante seguir as acções, os vícios, os pensamentos do papa Alexandre VI e dos seus filhos.

Datas que lembram livros...

Depois de cinco dias em erupção, a 10 de Abril de 1815, o Monte de Tombora, na Indonésia, tornou-se no vulcão mais terrífico registado pelo Homem. Qualificado como "super-colossal" - não confundir com o aumento de impostos -, 7 na escala actual, foi responsável pela morte de dezenas de milhares de pessoas (estima-se que possam ter sucumbido entre 60.000 e 90.000 habitantes da ilha asiática).

Este vulcão terá sido inclusivamente apelidado pelos arqueólogos de 'Pompeia do Oriente'.
 
Pompeia... antiga cidade italiana não muito distante de Nápoles.
É aqui que surge a ligação ao livro selecionado desta semana.
"Pompeia" é um livro escrito por um mestre na arte de converter acontecimentos históricos em narrativas empolgantes. Isso é uma realidade em cada obra que publica.
Robert Harris é historiador, mas não escreve como tal. Em "Pompeia" é descrito na perfeição o estilo de vida durante o Império Romano, a construção do aqueduto que serviria várias comunidades locais, o perigo que espreita sob a imponência de Vesúvio... 
E Plínio, cidadão romano que realmente existiu e deixou o seu relato escrito, é um dos protagonistas. Outro dos protagonistas é Marcus Attilius, engenheiro responsável pela construção do aqueduto que dá corpo ao enredo. Bem, adivinhem, no Brasil 10 de Abril é também Dia da Engenharia.

 

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