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Opinião:
Aprenducar com a Mãe Natureza é o segundo livro infanto-juvenil de Miguel Almeida.

É um livro que, para além de divertir os mais novos, visa sobretudo educar e alertar para os problemas do meio ambiente incutindo formas  de intervenção que têm como objectivo principal minimizar estes mesmos problemas. 

Assim, temos uma história que nos mostra o dia a dia de pais e filhos e inevitavelmente a convivência e os diálogos que se geram no seio familiar. Pessoalmente, revi-me na qualidade de mãe que pede constantemente para arrumar os brinquedos vezes sem conta e que no fim acaba por arrumar quase tudo sozinha... (sim, também me identifiquei com muitas outras coisas. O autor soube transpor para o papel toda a relação pais e filhos :D )

Mas de volta à história...

Esta é uma narrativa muito educativa no que respeita a alertar para o ambiente em que vivemos, aos recursos dos quais dispomos e do cuidado que devemos ter para com os mesmos. 
Os nossos pequenos leitores podem aprender com o pai de Gabriel e com o próprio Gabriel tudo sobre a reciclagem e da importância desta para com o meio que nos rodeia.

Ao longo da história existem imagens que podem ser coloridas e que ajudam os mais novos na compreensão do texto.

Sem dúvida que este é um livro a ter na sala de aula e em casa para ser explorado.

Gostei!

Outras opiniões aos livros do autor:


A Participação do Autor na rubrica  "O Livro" aquele que para mim é único.

Entrevista com Miguel Almeida
Opinião:
Recebi esta obra há mais ou menos um mês e desde então que a tenho lido vagarosamente, intercalando com outros livros, para ir saboreando de forma calma e reflectida a poesia do Miguel Almeida. 
Poemas, onde a vida é apresentada como uma arte, a arte de ser e do ser!
Poemas, que são o espelho do nosso sentir, onde as acções adquirem uma cor especial. A cor das nossas alegrias, das nossas lutas, dos nossos objectivos e também das nossas tristezas.
No fundo, "O Lugar das Coisas" de Miguel Almeida, acaba por ser um pouco de todos nós, pois revela-se como que um espelho ao leitor.
Parabéns ao poeta por nos presentear com mais esta bela obra, onde todos nós temos um lugar!


Um dom
Um dom, ser poeta
Abrindo-se,
Ao encantamento,
Alimentando-se,
Pelo deslumbramento,
Por entre a multidão,
A viver, a brincar
A criar,
Para ocupar,
Entreter e ensinar,
Alcançando à vista,
A realidade do mundo
E a espiritualidade da vida,
Sempre avara, connosco
No seu fundo oculto,
Apenas dada, a quem já a tem.*

* in O Lugar das Coisas de Miguel Almeida


É com imenso gosto que faço divulgação do novo livro do nosso conhecido Miguel Almeida  - "O LUGAR DAS COISAS". Já tive a oportunidade de ler algumas obras do autor, podem consultar as opiniões às mesmas aqui no blogue.
Em breve vou ler esta nova obra do Miguel e de realizar um passatempo aqui neste cantinho.



"Neste nosso mundo, dito desencantado, por fora tão deslumbrante e rico de promessas, mas tão desolado e vazio por dentro, onde enraizar a esperança que nos permite ser e viver?
Não há nada de simples, nas coisas mais simples da vida, como o sonho e a alegria, o amor e a felicidade, agora e sempre, o desejo de transcender o real.

Espaço de comunicação e comunhão, O Lugar das Coisas alimenta-se da palavra do que somos, como seres vocacionados para a alegria, o amor e a felicidade.

Espaço de solução e consolação, O Lugar das Coisas é como um Sol no centro da vida, numa demanda de valor e sentido para existir e ser vivida."

"Em O Lugar das Coisas cabemos todos, criados pela voz singular  de Miguel Almeida, que nos recria até ao âmago da alma e onde, mais puros, perdemos a inocência. Um livro de poesia e de vida, de humanidade e mundanidade, que nos coloca no lugar e nos acorda dos autómatos em que nos tornámos." Luís Miguel Rocha

“Gosto muito da musicalidade — principalmente os cativantes ritmos — dos poemas de O Lugar das Coisas.” Richard Zimler

Miguel, desejo-te tudo de bom e muito sucesso!
Opinião:
Palavras Nossas, Colectânea de Novos Poetas Portugueses, é uma obra que reúne os poemas de diversos autores. Um projecto ambicioso coordenado pelo nosso já conhecido Miguel Almeida.
Há quem defenda que escrever livros cujo género é a poesia é um risco, pois em Portugal (diz-se) não se lê poesia. No entanto há que arriscar, há que não desistir dos sonhos e principalmente dos sonhos dos poetas. Haverá modo de expressão mais belo que este?
"Palavras Nossas" é um sonho concretizado dos autores que nesta obra deixaram a sua marca para o mundo. A todos eles os meus parabéns pela vossa força e persistência e pelos belos poemas que compõem esta colectânea.
Palavras Nossas
Autores: Vários
Esfera Contemporânea / 30
332 pp
Formato: 16cm x 23,50cm
ISBN: 978-989-680-047-5
Data de Publicação: Novembro de 2011






Nas Livrarias a partir de 21 de Novembro

Pode também consultar  aqui na editora

Novidade e diversidade. Novos temas, novas abordagens, estilos diferenciados, eis o que esta Colectânea tem para oferecer. Uma autêntica lufada de ar fresco no panorama da poesia em Portugal. 30 novos poetas portugueses dão-nos a conhecer o melhor da sua poesia, até agora desconhecida… Uma agradável surpresa… Uma obra para todos os que vivem e sentem a poesia com intensidade…

OS AUTORES:
Adélia Vaz, Alexandrina Coelho, Álvaro José Ferreira Gomes, Ana Maria Domingues, Ângelo Fitas, António Borrego, António Piedade, Armindo Loureiro, Bode Ranhoso do Marão (aliás Carlos Coelho), Bruno Miguel Inácio, Catarina Teixeira, Céu Cruz, Cristina Correia, Gabriel Rito, Guiomar Casas Novas, Isabel Vilaverde, João Carlos Silva, José Gabriel Duarte, Libânia Madureira, Maria Helena Almeida Lopes, Maria João Nunes, Marta Guerreiro, Nanda Rocha, Noélia de Santa Rosa, Pedro Martins, Ramiro Morais, Ricardo Bernardo Valez, São Reis,Victor Cohen, Xico Mendes.

SOBRE O COORDENADOR:
Miguel Almeida nasceu em Rãs, pequena aldeia do concelho de Sátão, distrito de Viseu, em 1970. É autor de Um Planeta Ameaçado: A Ciência Perante o Colapso da Biosfera (Esfera do Caos, 2006), A Cirurgia do Prazer: Contos Morais e Sexuais (Esfera do Caos, 2010), O Templo da Glória Literária: Versão Poética (Esfera do Caos, 2010),Ser Como Tu (Esfera do Caos, 2011) e Chireto: Uma Semana de Histórias para Contar ao Deitar (Lua de Marfim, 2011).Publicou também, desta vez em co-autoria, a obra Já não se fazem Homens como antigamente (Esfera do Caos, 2010). Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde também fez o Mestrado em Filosofia da Natureza e do Ambiente, exerce actualmente funções docentes na Escola Secundária Cacilhas-Tejo, em Almada. Vive na Costa da Caparica, com a mulher, Carla, e o filho, Gabriel, na proximidade poética da família e do mar. Prepara actualmente novas obras, nos domínios da poesia e da prosa de ficção.
Miguel Almeida é hoje o meu convidado para nos falar do livro que o marcou desde sempre. É autor de diversos livros já conhecidos de todos nós, alguns também já comentados aqui no viajar - Chireto, Ser Como Tu, O Templo da Glória Literária ...

“O livro que para mim é único … Para mim, leitor sem emenda ou correcção, mas com muita falta de tempo para fruir do prazer de ler, a escolha é e não é fácil. Não é fácil, porque se trata de falar de um/só um livro. É fácil, porque se trata de El Ingenioso Hidalgo de Don Quijote de la Mancha (1605), de Miguel de Cervantes Y Saavedra [1547 – 1616].
Há muitos livros que me marcaram e continuam a marcar como leitor e escritor. Regra geral olho para eles com uma pontinha de inveja saudável: trata-se de livros que gostaria de ter sido eu a escrever. Entre eles contam-se Os Irmãos Karamazov, Crime e Castigo, ambos de Fiódor Dostoiévski, Guerra e Paz, de Liev Tólstoi, Servidão Humana, de Somerset Maugham, Viagem ao Fim da Noite, Morte a Crédito, ambos de Louis-Ferdinand Céline … Livros de filosofia e de poesia é melhor nem sequer falar … Mas tendo que escolher um livro, apenas um livro, poderia lá ser outro que não El Ingenioso Hidalgo de Don Quijote de la Mancha? Lembro-me perfeitamente da leitura deste fantástico livro de Cervantes em dois enormes volumes. Foi começar e nunca mais largar. A leitura tornou-se de imediato viciosa e obsessiva, como acontece com todos os grandes livros. Lembro-me também de rir, com sonoras gargalhadas, perante tanta loucura, mas sempre tão humana, sempre a roçar os limites da razoabilidade do real e, por vezes até, ultrapassando-a. No essencial, trata-se de um livro que nos distrai, ocupa e entretém, mas que também nos faz imaginar, pensar e sonhar. Não é tudo isto que se pede a um livro de excepção? Miguel de Cervantes Y Saavedra dá-nos isso e muito mais em El Ingenioso Hidalgo de Don Quijote de la Mancha.”

Miguel Almeida

MIGUEL DE CERVANTES E SAAVEDRA (1547 – 1616)
SIMULACRO DE SONETO POR QUIXOTE
Desde o sol – posto, até à alvorada na Mancha
Nasce o sol, é já fim de tarde para ler;
Andanças de cavaleiros, aqui são puro prazer
E no lazer não se dorme, sonha-se ao que se alcança.
Arranja armas, baptiza de novo o selante!
É pileca, mas o rocim terá que virar Rocinante;
Mas para cavaleiro, ainda há de falta a dama, que sim
Andante sem ser por amores, parece árvore triste sem fim.
Alegra-te cavaleiro sem feitos, agora tens damas!
Vai em busca de aventuras, faz por loucura o que engenhas
Para a Srª Del Toboso, que em pensamentos Dulcineia chamas.
Mas muito ler roubado ao sono, faz perder bom fidalgote!
Arma Sancho, o lavrador, pois quem já viu nobreza sem amos?
E eis que nasce um cavaleiro, que pelos seus feitos se chama Quixote.
O Templo da Glória Literária, Ed. Esfera do Caos, Julho 2010, pág. 72.

Chireto, Miguel Almeida

Opinião:
Eis um livro que tem como objectivo a partilha e convívio entre pais e filhos.
Não é um livro para crianças nem um livro para os adultos; é um livro que exige interacção entre pais e filhos, ou seja, uma espécie de leitura em família, permitindo assim momentos de reflexão e aprendizagem mútua. Mais do que isso, pode ser o ponto de partida para reforçar os importantes laços que se criam a quando das leituras.

Chireto é constituído por sete histórias, uma para cada dia da semana. Porém não se trata de simples histórias de entreter; são histórias que levam a criança a reflectir e ir um pouco mais além – filosofar…a intenção será mesmo esta, levar a criança aos meandros da filosofia, note-se que dentro dos seus limites de criança, mas já antevendo um mundo infinito de interrogações. Aqui nota-se uma forte influência da formação do autor nesta área.

Nestas histórias, o personagem Chireto é uma criança que questiona incessantemente, levando por vezes o adulto ao extremo das explicações. Assim, a criança que ouve aprende com o menino do livro.
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Miguel Almeida correu o risco de tornar a leitura menos atractiva do que um vulgar livro de histórias infantis; mas é um risco assumido: não se trata apenas de divertir as crianças, mas de as encaminhar, lado a lado com o adulto, para o mundo das ideias, do raciocínio, da reflexão; numa palavra, da filosofia. A leitura é apenas o ponto de partida para um diálogo “socrático” entre a criança e o adulto, (em que o livro é o elo de ligação) e as ideias como guias do raciocínio e do diálogo.

Sendo um livro com objectivos didácticos bem claros, não deixa de ser também muito atractivo em termos de imagem: a capa é muito bonita, assim como as ilustrações. No entanto, deve ficar bem claro que o livro se destina a crianças a partir dos 11 anos. E, na minha opinião, não deve criar-se na criança a ideia de que se trata de um livro para divertir mas sim para aprender, para desenvolver o raciocínio, numa palavra, para crescer.

É um livro que pode e deve ser trabalhado nas escolas, explorado na sala de aula, onde se poderá dissecar todas as questões e intenções de Chireto.

Opiniões sobre outras obras do autor aqui (Ser Como Tu) e aqui (O Templo da Glória Literária).
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Pode ainda ler a entrevista (Fev/2011) ao autor aqui
O blogue e o autor Miguel Almeida, agradecem os 186 participantes do passatempo "Ser Como Tu".
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O Vencedor é:
Ana Claudia Carriço
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Parabéns à vencedora e boas leituas

Ser Como Tu - Miguel Almeida

Opinião:
“Ser Como Tu” é a mais recente obra de Miguel Almeida. O seu segundo livro de poesia. Poemas que nos tocam e emocionam.
À maneira que ia lendo estes poemas e ia virando as páginas, ia também meditando sobre o título deste livro que não faz parte do acaso… “Ser Como Tu” que me estás a ler! É sem sombra de dúvidas a identificação entre livro e leitor. Pois todos estes poemas que compõem o livro, abrangem a quase, ou mesmo a totalidade do ser humano. Os seus anseios, receios, decisões, indecisões, confusões, ilusões, identificação ou falta desta, liberdade (uma busca constante), questões…
São poemas que encontram o seu eco na alma de quem lê, proporcionando a reflexão de acontecimentos passados ou presentes de acordo com as vivências de cada um.
Mais do que ler poesia, há que vivê-la, de outra forma não é possível extrair toda a beleza que ela contém, a beleza que um livro fechado protege e que as palavras escondem.
Os poemas de “Ser Como Tu” sentem-se como se tivessem vida, atormentam-nos ao mesmo tempo que nos felicitam! Fazem-nos oscilar entre risos, lágrimas, revolta e saudade!
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A voz do silêncio
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Hoje eu vi, mas calei
Os meus olhos cegos,
Perdidos, no vazio
A olhar, desviados no chão,
Onde agora conseguem ver,
Cobardemente,
A voz que dizendo, enche
O silêncio, que calado diz não.
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Miguel, estás de facto de parabéns por mais este livro que é especial!
Um livro de leitura obrigatória para quem gosta de poesia (e também para aqueles que pensam que não gostam).
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Pode também ler, o comentário aqui no blogue, do primeiro livro de poesia do autor

"A brincar" Miguel Almeida

A brincar

Gostava que as minhas certezas,
Não gostassem de brincar
Com as minhas dúvidas,
E tão pouco as minhas dúvidas,
Que gostassem de brincar
Com as minhas certezas.

in "Ser Como Tu" de Miguel Almeida
No dia 7 de Fevereiro, na rubrica “Escritores na Primeira Pessoa” no blogue Destante, o convidado foi Miguel Almeida, autor de alguns livros, entre eles “O Templo da Glória Literária” já comentado aqui no blogue.
Se não teve oportunidade de ler a entrevista ao Miguel no Destante, pode agora ler aqui no Viajar.
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Destante: Dizem que o poeta é um fingidor. O Miguel é poeta. Sem fingir, como é o verdadeiro Miguel Almeida?

Miguel Almeida:

“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.”
Fernando Pessoa, Autopsicografia.

Sim, Fernando Pessoa tem razão. Como poderia ele não ter razão?! Mas, se por fingir se entender apenas mentir, o poeta não mente, pelo menos, conforme se costuma dizer, não mente com os dentes todos. Falando, então, de mim. Falando de mim, enquanto poeta. Há poemas meus que nasceram de situações que me são estranhas, situações que são dos outros. Mas se me despertam e motivam a atenção, se me condicionam e motivam a escrever, é porque de alguma maneira me tocaram. Em quase todas estas situações, é porque me causaram emoções fortes que me levaram a escrever. Eu emociono-me muitas vezes, emociono-me muito, e, talvez por isso, escrevo muito, escrevo facilmente, e escrevo sobre situações que despertam e tocam as pessoas.


D: Como é que começou a escrever? Foi a resposta a uma necessidade interior ou apenas um hobby?

MA:

Começo por dizer que esta é uma pergunta difícil de responder. Como penso que acontece com todas as pessoas que escrevem, podendo ou não vir a tornar-se escritores/as, escrevo desde que me lembro que aprendi a escrever. Mas escrever como acto literário/artístico, como exercício que busca o essencial da expressão e da comunicação, como forma de alívio, de compreensão e de partilha, se tiver que fixar um início, terei que o fixar nos meus tempos da Faculdade, enquanto aluno do Curso de Filosofia, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde aprendi muito e tive excelentes professores. Mas mais do que este ou aquele professor, foi o tipo de trabalho que me obrigaram a fazer que me levou a escrever. Excepção a uma ou outra “cadeira”, o tipo de trabalho que tinha que fazer era uma espécie de “pequeno ensaio”, acerca dos temas/filósofos mais diversos. Ler, pensar e, depois, escrever, tanto quanto possível de maneira autónoma e original, no essencial, era nisto que consistia fazer um Curso de Filosofia, pelo menos no meu tempo. Este tipo de trabalho foi determinante para me despertar o “bichinho da escrita”. Mas, é claro, com o seu manancial de ideias e de questões, umas claras e outras nem tanto, umas respondidas e outras por responder, a minha formação em filosofia também me continua a alimentar o meu hobby de escrever. Disse hobby, só pelo facto de não ser um profissional da escrita. Escrevo e só no ano de 2010 publiquei três livros, a saber, A Cirurgia do Prazer – Contos Morais e Sexuais, O Templo da Glória Literária – Versão poética, e Já não se fazem Homens como antigamente, este último um livro em co-autoria com mais três escritores, com distribuição nacional, o que é deveras notável, seja para quem for, mas sobretudo para mim, que continuo e continuarei a ser um professor de filosofia, ao nível do ensino secundário. Não abordei a questão de se começar/ou não a escrever movido por uma espécie de “necessidade interior”. Talvez possa falar disso mais adiante. Por agora digo apenas que esse tipo de motivação para a escrita não é contraditório com a escrita ser/ou não ser um hobby. Para mim, a escrita é um hobby, no sentido de não ser a minha ocupação principal, mas isso não quer dizer que não leve a escrita a sério, nem que a minha escrita não se alimente de uma espécie de “necessidade interior”. Quando não escrevo, quando passo muito tempo sem escrever, fico insatisfeito e sinto o peso enorme de uma falta dentro de mim.

D: "O Templo da Glória Literária" é o seu terceiro livro, porém é um livro de poesia. Como se revelou o seu "eu" poético? Ou melhor, como descobriu que havia um poeta no seu íntimo que precisava exprimir-se?

MA:

Já o disse várias vezes: a escrita poética faz parte do ADN da minha escrita. Foi pela poesia que comecei a escrever. É pela poesia que continuo a escrever. E será ainda pela poesia que irei continuar a escrever. O Templo da Glória Literária, o primeiro livro de poesia que publiquei, é a prova disso mesmo. Trata-se de um livro de tributo e de homenagem aos grandes nomes da poesia de todos os tempos. Em parte, é também um livro de agradecimento a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, me levaram a gostar da poesia, a gostar de ler e de escrever poesia.

D: Logo no início do Templo há a seguinte referência:

"Sinalética dos tempos:
Urge (re) conquistar o selvagem
O olhar da criança, o do louco e do poeta"

Acha que realmente se perdeu o que é inato ao homem, ou seja, a sua essência que no fundo é a inocência, a loucura e o poeta que há em cada ser humano?

MA:

Respondendo de forma directa e com total sinceridade: acho. O mundo actual é feito essencialmente de números e de coisas, de crises e de planos para ultrapassar as crises, de egoísmos e materialismos, de tantos e tantos outros “ismos”, mas não tem lugar para a inocência, a cândida inocência de um Voltaire, para a loucura, a sã loucura de imaginar e criar, nem para o poeta, que acredito que cada um traz dentro de si. Pessoalmente, sinto-me deveras satisfeito por saber que a minha poesia também se faz disso, ora denunciado este estado geral de coisas em que as pessoas deixam de ter disponibilidade para serem quem gostariam de ser, para fazerem o que mais gostariam de fazer, ora alertando para a necessidade de ter que se voltar atrás, de rebobinar o filme, para ver as alternativas, a meu ver diferentes, a meu ver melhores.

D: Depois da leitura do seu livro de poesia, fica bem claro o porquê da palavra "Templo" quer falar um pouco sobre isso?

MA:

Como já o disse atrás, O Templo da Glória Literária é um livro de tributo e de homenagem aos grandes nomes da poesia de todos os tempos. Já não sei por que poeta é que comecei a fazer os poemas deste meu livro, nem penso que isso tenha muito interesse agora. A verdade é que só depois de ter descoberto um pensamento de Jean le Rond d’ Alembert é que fiquei com a noção de ter entre as mãos um projecto que poderia vir a ser muito interessante. Eis as palavras de d’ Alembert:

“O interior do templo é somente habitado por mortos que não se encontravam lá quando vivos e alguns vivos que são postos para fora, a maior parte deles, quando morrem.”

A partir destas palavras ficou claro o que poderia/deveria fazer: seguindo o critério da fama e da glória literárias, poderia/deveria fazer poemas de tributo e de homenagem àqueles que, para mim, são os grandes vultos da poesia de todos os tempos. Como imagem, pensei numa espécie de Panteão, onde só são sepultados os poetas que alcançaram a imortalidade, tendo conquistado o seu lugar por direito próprio, isto é, pela excelência da obra que deixaram atrás de si. Mas há uma particularidade interessante nas palavras de d’ Alembert: muitas vezes/quase sempre, a fama e a glória aparecem cedo de mais, torna-se efémera e perde-se com a mesma rapidez com que se ganhou; outras vezes/quantas vezes, só depois da morte é que se reconhece a fama e a glória, e nalguns destes casos … dura para sempre. É deste segundo tipo de situações que se faz o meu livro. O Templo da Glória Literária, o poema que dá título ao meu livro, dá conta deste critério, que segui para proceder à minha selecção.

D: A crítica em Portugal não é um pouco elitista? Como se relaciona com a crítica literária?

MA:

Para além de uns quantos blogues literários que consegui despertar para as minhas obras, entre os quais se contam o Viajar Pela Leitura e o Destante, não me relaciono. É com alguma amargura que confesso o seguinte: a crítica literária em Portugal não é apenas elitista, também é direccionada, manipulada e, eventualmente, manipuladora. No poema de homenagem e tributo ao poeta Alexandre O’ Neill, chamo aos críticos literários “vadios ociosos, que passeiam o seu tempo pelo labor dos outros”. Mas vamos voltar um pouco atrás. Como já disse, no ano de 2010 publiquei três livros. O Templo da Glória Literária, em particular, mereceu imensas posições de destaque em muitas das grandes livrarias do país e até está a ser traduzido, para ser publicado, em Itália. Quem é que deu conta disso? Quem é que deu realce a isso? Ninguém.

D: Ainda temos em Portugal grandes escritores e grandes poetas?

MA:

Sim, é claro. Comungo plenamente da ideia que das coisas boas que Portugal tem para oferecer são os seus escritores. Temos outras, felizmente. Ao nível da escrita, está aí uma nova geração de escritores, com muito valor e fulgor, uns já com créditos firmados por esse mundo fora, outros em vias de o poderem vir a fazer. Gonçalo M. Tavares, Luís Miguel Rocha, José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe, João Tordo, para ficar só por alguns nomes, estão aí para o provar. Não tendo o mediatismo deles, e possivelmente a disponibilidade para me dedicar em exclusivo à escrita, não me considero excluído desta grande vaga de novos escritores portugueses. Quanto à poesia … bem … a poesia é outra questão. Ouve-se muitas vezes dizer que Portugal é um país de poetas … Mas, como acontece em tudo, é preciso separar o trigo do joio. De facto, há muita gente a escrever poesia, mas muita dessa gente escreve apenas movido pela sua vontade de o fazer, quantas vezes sem o talento e o saber para o poderem fazer bem. Mas penso que devem ser incentivados para o continuar a fazer. Por mim, procuro sempre incentivar quem tem vontade de escrever.

D: Se pudesse construir um Templo da Glória Literária, (fisicamente falando, um templo com tijolos e cimento), em que cidade o construiria?

MA:

O nosso Panteão Nacional continua pobre. Tem mais chefes de estado do que artistas ou escritores. O nosso grande Luís Vaz de Camões está sepultado no Mosteiro dos Jerónimos! Em Paris, pelo contrário, a imagem do Panteão Nacional é fortíssima. O Templo da glória Literária é uma imagem mental e cada um de nós tem a possibilidade de ter/fazer a sua própria imagem. Fisicamente falando, e só porque sou português, talvez tivesse que o construir em Lisboa, talvez no lugar onde está o Panteão Nacional, mas teria que virar a frente do actual edifício para o rio Tejo, a abraçar o mar.

D: O que pensa do acordo ortográfico? Vai adaptar a sua escrita ou vai resistir?

MA:

Enquanto puder, vou continuar a resistir. Eu quero continuar a vestir um fato, apesar de o fazer poucas vezes, e não um acontecimento.

D: O Miguel é professor. Ser professor é ainda uma missão ou apenas um castigo do destino?

MA:

Sim, sou professor de filosofia. Trata-se de uma profissão que comecei por abraçar com desconhecimento e desconfiança. Lembro-me de que quando fiz o meu Estágio Profissional, a ideia que tinha era a de ver se conseguia e/ou gostava de ser professor. A verdade é que acabei por gostar e abracei, depois, a profissão com enorme gosto e paixão. Nos primeiros anos de profissão, e ainda como professor contratado, disse várias vezes que me considerava um privilegiado: fazia o que gostava e ainda me pagavam para o fazer. Entretanto, com o tempo, como é público, a profissão de professor tem-se vindo a degradar: muita burocracia, alunos desinteressados e desmotivados, questões laborais delicadas …

D: Para terminarmos, faça referência a um livro e a um país/cidade e fale-nos um pouco de ambos.

MA:

Um livro? O livro que estou a escrever. É um romance. É a minha primeira tentativa de fazer um romance. Mas não tem país nem cidades, porque os lugares melhores, os mais autênticos e aprazíveis, não vêm no mapa. Agora a sério. Um livro? Sem dúvida, El Quijote, de Miguel de Cervantes. Trata-se de uma loucura constante, mas sempre humana. Chorei várias vezes enquanto o li, mas foi sempre de tanto rir. Um país? Sem ser Portugal, conheço poucos países. Escolho França e, mais concretamente, Paris. Pelo seu cosmopolitismo. Pela sua frente sempre virada para as artes. Os grandes museus de Paris, por exemplo, podem-se visitar várias vezes, devem-se visitar várias vezes, devem-se visitar e revisitar, e continuam sempre a chamar-nos para lá voltar.

D: Miguel, o nosso muito obrigado e fazemos votos de muito sucesso.

Quem fica agradecido, imensamente agradecido, sou eu. Sucessos também para os blogues Viajar pela Leitura e Destante.

A minha opinião:
O Templo da Glória Literária contempla poemas. Poemas estes muito especiais, uma vez que são dedicados e escritos tendo por inspiração grandes nomes da literatura.
Como diz o título – O Templo da Glória Literária – O Templo de grandes nomes, de todos aqueles que de alguma maneira marcaram a literatura de tal forma que se tornaram eternos e que Miguel Almeida reuniu neste magnífico livro.
Achei bastante interessante a forma que o autor dividiu o livro e por conseguinte os poemas. Assim, viajamos por 5 partes distintas mas todas elas ligadas entre si, pois umas não existem sem as outras.

A primeira parte “Instantâneos Inspirados no Templo”, onde o autor e o leitor são levados a reflectir sobre o papel de escrever poesia. Escrever como refúgio e coragem para que se encontre aquilo que se perdeu “O olhar da criança e do louco e do poeta”*
O poema como arte de viver, sentimento extravasado, só compreendido por quem o escreve. Uma fuga para libertar as inquietações, a poesia como forma de liberdade e simplicidade.

Na segunda parte: “Instantâneos Suspirados no Templo”, há toda uma interrogação à volta do poeta. O poeta questiona o “eu”, o seu “eu” solitário, quem foi, quem é e quem será…tudo gira à volta deste ser simples, ingénuo e às vezes louco…

A terceira parte intitula-se “O Templo da Glória Literária” que dá nome à obra.
Esta foi das partes que mais gostei. Porquê? Porque aqui há toda uma reflexão sobre aqueles que fazem parte deste templo, que são todos os que triunfaram em vida, mas que não foram reconhecidos enquanto a tiveram, só depois da morte foram reconhecidos e coroados.

“A fama e as glórias póstumas
São triunfos tardios, já então alcançados
Pela vida que se vence
E não se viu em todo o esplendor a vitória”
(…)
Porque no templo da Glória Literária, a maior parte delas
Os vivos que lá são postos são expulsos quando morrem
E lá só moram os mortos que não lhe acederam em vida.”*

Na quarta parte “As fundações do Templo da Glória Literária” – o autor recua no tempo e vai até às bases, aos pilares, às fundações (como refere o próprio sub-título que contempla esta parte) da literatura e o primeiro poema a quem dedica e se inspira é a Homero séc. VII a.c. e assim prossegue avançando no tempo e referenciando nomes até 17 d.c.

A quinta e última parte é também dedicada a pessoas especiais “Os Imortais do Templo da Glória Literária” e confesso que nesta parte perdi-me e deliciei-me ao ler os poemas dedicados àqueles que já me proporcionaram viagens inesquecíveis.
Transcrevo um poema para que possam apreciar as palavras de Miguel Almeida.

EDGAR ALLAN POE
(1809-1847)
A liberdade e a Inquietação Poéticas

Mensageiro perdido, um dos corvos de Noé
Regressa dos tempos imemoriais, da inquietação humana
Sem crocitar nem grasnar, esta negra e magra ave
Vadia e só, volta dos dias e noites sem fim
Por maus hábitos de vadiagem, esta negra e agra ave
Liberta-se miraculosamente, soltando o freio das palavras
E logo mergulha, afundando-se nos mistérios da mente e da morte
Amiúde semeados do terror mais íntimo da alma, no ser do homem
Fruto de sacrifícios espantosos, esta ave que ainda procura Noé
Encontra a terra seca, o mundo em ordem
Mas por hábitos da liberdade vadia, no tempo carregada de inquietações
Amiúde semeia as lágrimas das dores sentidas das almas, num mundo normal.*

Este é um livro para se ler com algum vagar, saborear e ver para além das palavras. Onde se vê reflectido o papel do poeta, as suas interrogações, incertezas, sonhos e sofrimento. Um poeta que busca o seu passado, a sua realidade e que bebe daqueles que já viveram as mesmas inquietações e que foram incompreendidos e até condenados.

Esta é uma leitura que aconselho, não só a quem gosta de ler poesia, mas a todos aqueles que gostam de ler em geral.
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* in O Templo da Glória Literária, Miguel Almeida
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Classificação: 6/7 Excelente
O blogue e o autor Miguel Almeida agradecem os 145 participantes do passatempo "A Cirurgia do Prazer"

As respostas às questões colocadas são:

1- O escritor Miguel Almeida é natural de uma pequena aldeia. A que distrito pertence?
Viseu

2-Qual é a profissão do escritor Miguel Almeida?
Professor

3-Qual é o sub-título do livro A Cirurgia do Prazer?
Contos Morais & Sexuais

4-Babel e Confraria do Príapo são dois contos do livro A Cirurgia do Prazer que se ocupam do património económico, social e cultural de uma região do país, conhecida pela sua «loiça malandra». De que região se trata?
Caldas da Rainha

5- Um dos livros do escritor Miguel Almeida é de poesia. De que livro se trata?
O Templo da Glória Literária

6- Um dos livros do escritor Miguel Almeida trata do aquecimento global, das alterações climáticas, e de outras ameaças ambientais e ecológicas globais. De que livro se trata?
Um Planeta Ameaçado

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O vencedor do passatempo é:

José Castro Silva

Parabéns e boa leitura ;)

O blogue em parceria com o autor Miguel Almeida tem para oferecer um exemplar de "A Cirurgia do Prazer" autografado pelo autor :)
Para tentar a sua sorte, terá de responder acertadamente, a todas as questões colocadas.


Sobre o autor:
Miguel Almeida nasceu em Rãs, pequena aldeia do distrito de Viseu, em 1970, e fez o ensino básico e secundário em Sátão. Este é o seu terceiro livro publicado, depois de Um Planeta Ameaçado: A Ciência Perante o Colapso da Biosfera (Esfera do Caos, 2006) e A Cirurgia do Prazer: Contos Morais e Sexuais (Esfera do Caos, 2010).
Licenciado em Filosofia (Variante de Filosofia da Ciência) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde também fez o Mestrado em Filosofia da Natureza e do Ambiente, exerce actualmente funções docentes na Escola Secundária Cacilhas-Tejo, em Almada. Vive na Costa da Caparica, com a mulher, Carla, e o filho, Gabriel, na proximidade poética da família e do mar. Está já a preparar futuros livros, nas áreas da prosa de ficção e da poesia.
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Regras do passatempo:
-O passatempo começa hoje dia 27 de Novembro de 2010 e termina às 23.59h do dia 4 de Dezembro de 2010;
-O participante vencedor será escolhido aleatoriamente;
-O vencedor será contactado via e-mail;
-Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência
- As respostas deverão ser enviadas para viajarpelaleitura@gmail.com assim como os dados dos participantes nome, contacto telefónico e morada completa.
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Algumas das respostas encontram-se neste post e no post do dia 19 de Novembro de 2010 aqui.
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Questões do Passatempo "A Cirurgia do Prazer" de Miguel Almeida.
PASSATEMPO ENCERRADO
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Boa sorte aos participantes ;)

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