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 Li Palavras que Viciam, obra inédita, de Vasco Ricardo, o ano passado em Janeiro. No entanto, apesar de ter escrito a opinião sobre o mesmo no meu caderno de notas, não publiquei no blogue. Entretanto e como tenho lido mais obras do autor (inéditas) achei por bem fazê-lo. Então, segue a opinião.

Opinião:
Estamos perante uma narrativa que apesar de aparentar alguma simplicidade no seu começo, é bastante complexa, emotiva e com um final assustadoramente imprevisível.
Quando leio e entro realmente na história, consigo sentir os personagens. Com todo o leitor isto deve acontecer e quando não acontece, então há um problema em mãos, ou mesmo dois – o livro em questão ou a disposição de quem lê. Isto para dizer que embrenhei-me de tal forma nestas “Palavras que Viciam” que quando cheguei ao final, a sensação de vómito surgiu! E surgiu porquê? Porque eu estava realmente na pele do personagem!
Muita coisa já senti ao ler um livro, mas a sensação que descrevi anteriormente nunca tinha acontecido e isto surpreendeu-me, porque completa aquilo que exigimos de um livro para que ele seja realmente bom – que para além de nos levar a questionar os nossos valores, as nossas crenças, mexa não só emocionalmente connosco, mas também fisicamente!

Quanto aos personagens, temos Sílvia, uma enfermeira solitária, a sua única paixão são os livros. Nem a família ou os amigos conseguem sobrepor-se a este “objecto” cheio de letras que faz viajar e transporta passageiros para lugares distantes…
Porém, nem sempre foi assim, como todas as famílias, a sua era-lhe de grande importância e de um momento para o outro vê-se sozinha sem explicação aparente… mas também não busca respostas… e é precisamente neste ponto que o autor põe o leitor a pensar nas suas próprias acções e mais importante ainda, nas consequências de não agir, de ser apático…

Os outros personagens que surgem, apesar de não terem um peso igual às duas personagens que mais marcam a história, ajudam na boa construção desta.

Senti que a maioria da narrativa estava pilhada de minas e rasteiras para que o leitor fosse desviado do objectivo principal – descobrir o personagem que dá origem à acção que marca esta obra. Neste aspecto o autor foi exímio, quando terminei a leitura voltei atrás, à procura de algo que pudesse fundamentar as minhas convicções que foram abaladas com um final tão inesperado. No entanto, não encontrei nada que me ajudasse a justificar o que havia pensado anteriormente, portanto Vasco Ricardo fez um excelente trabalho, ou seja, produziu uma obra excelente!

Claro que nem tudo são rosas, ou por outro, até poderiam ser, mas os espinhos estão lá e como na minha opinião não há obras perfeitas, esta também não foge à regra. Do autor li 3 obras (com esta) e noto uma teimosia permanente – o tentar explicar ao leitor o que não é necessário, ou melhor, o que deveria figurar nas entrelinhas para sempre… e é este o único “espinho” que encontro e que em nada faz mal a esta “rosa”.


Aconselho! (aconselho, mas não está editado :P )
Opinião: 
Este livro, inédito (o que é uma pena, porque merecia estar nas livrarias de todo o país) espelha os efeitos da sociedade nos indivíduos que a compõem.
Através de uma abordagem a diferentes situações no desenvolvimento do homem, entre os seus pares, o autor evidência as consequências nefastas da vivência em sociedade.
Há, em toda a narrativa, o mergulhar na mente humana de todas as personagens que compõem a história. Desde aquele que no início da narrativa é a vítima e que se torna a "mola mestra" da estória; da mulher que se deixa ludibriar e leva os seus filhos ao perigo; ao inspector, que não podendo lidar com visões macabras bloqueia-as da sua mente, entre muitas outras acções relatadas e esmiuçadas!
Este é um livro que alerta para os malefícios da sociedade e para os quais todos nós contribuímos um pouco mesmo sem querer! Uma sociedade "doente" que manipula, provoca e humilha o próximo e que infelizmente, de futuro, tem de viver com as consequências destas acções!
Os problemas sociais são aqui explorados de forma bastante real e crua!
Já tinha lido outros livros do autor e não me espantei com a qualidade deste! Aliás já esperava um livro que me agarrasse, cuja linguagem fosse clara e que me transportasse para as situações. A dada altura da leitura pensei: como é que este gajo (o autor) lembra-se de colocar todos estes pormenores?

VR estás de parabéns por mais este livro, quem sabe um dia vamos vê-lo nas livrarias!

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