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Retorno a Onde Nunca Estive

Regresso devagar ao teu sorriso,
como quem volta a casa com vontade.
Faço de conta que nao é comigo,
mas depois penso melhor:
Sou tolo por pensar que não o preciso,
e distraído, percorro um caminho que já é só saudade.
Pequeninos olhares que negados são mero castigo,
e que inflamam a paixão até ao osso da dor.
(…)
In Quem Alguém Saiba que és um Homem, Casimiro Teixeira pág 37

Poemas que são sentimentos – amor, revolta, saudades, indiferença… palavras que nos cativam, que nos puxam, nos empurram, que espelham o nosso ser e, por conseguinte, o nosso interior.

Mais uma vez, Casimiro Teixeira brinda-nos com poemas com os quais nos identificamos. A alegria, a tristeza, a saudade fazem-se sentir nestas páginas repletas de emoção.

Parabéns Casimiro por mais esta bela obra!

Aconselho a todos os amantes de poesia.



"Que Alguém Saiba Que És Um Homem" de Casimiro Teixeira chegou cá a casa ontem, embora ainda não tenha terminado a leitura, partilho convosco, neste dia especial, um dos poemas que o compõe.

Alma Doente

Tenho sonhos doentes, que só a alma sente,
anseios pisados, que por serem meus, assim os aturo.
A medo avanço com os passos virados ao futuro.
ainda mal refeito de saudades deste presente.
E o mistério que me enfeita?
Sei lá eu de que mistérios se faz a gente.
Do que conheço de mim, uma nesga se aproveita.
O resto entrego-o ai que a vossa alma sente.
Dai-me pois o vosso olhar atento.
que nas veias do que escrevo ali está a minha afronta.
Mas se me pedirdes que minta, isso eu não intento.
pois de tristes fados já tenho mais que a minha conta.
Cismo, já farto de velar minha alma doente,
e que ideia fareis vós de quem assim se lamenta?
Talvez o mistério seja maior para quem mente,
do que pra quem nem sequer o tenta.
E quem me ajuda neste anseio que me consome o dia?
Que raio de troca é esta que não me traz vista de cura?
Eu escrevo e em vós pressinto monotonia,
e o terror do desairem, esse, perdura!
Deixem-me os sonhos ao menos, que mais não vos pelo.
Prisioneiro desta maleita, daqui, já não escapo com vida.
E se assim tiver de ser, porque o mereço,
pois a doentes só a desgraça lhes é consentida.

in Que Alguém Saiba Que És Um Homem de Casimiro Teixeira


Governo Sombra, Casimiro Teixeira

Opinião:
Tal como o próprio nome indica, Governo Sombra é um livro sobre política. Fala-nos das sombras e dos lados obscuros dessa actividade tão polémica que é a política. Seja ela portuguesa, americana ou outra qualquer.
É um livro inquietante, pois apesar de ser ficção, acredito que muitas das acções e acontecimentos nele presentes, possam realmente acontecer.
A narrativa é composta por duas histórias aparentemente distintas e singulares, no entanto à maneira que vamos avançando na história vamos estabelecendo relação entre elas até que no final fundem-se culminando no auge da narrativa. Um final arrojado que eu não esperava, um final que me surpreendeu e que, talvez traduza a vontade de muitos portugueses no que respeita à governação actual do país...
Casimiro Teixeira, para além de nos levar pelos meandros da política e por todas as consequências, nas várias vertentes, que as decisões dos políticos acarretam, tenta mostrar ainda o lado humano destes. Os sonhos de início, os sonhos que se transformam em pesadelos, as dúvidas, e o ultrapassar tudo isso em prol de quem realmente manda. Porque contra quem manda ninguém realmente pode.
Não deixa de ser compreensível a desilusão que os portugueses sentem em relação aos políticos, mas também não deixa de ser verdade que quando falamos de política, somos frequentemente vítimas de algum preconceito. Para o “comum dos mortais” um político é alguém que procura acima de tudo o seu sucesso pessoal, a obter a todo o custo. Talvez o conceito tradicional esteja ainda muito influenciado por aquele postulado de Maquiavel segundo o qual “os fins justificam os meios”. No entanto, Casimiro Teixeira procura desmistificar este conceito algo obscuro do político, mostrando-o como um ser sonhador, alguém que procura atingir determinados objectivos com toda a ingenuidade que o iniciante revela. Um político não deixa de ser um homem, com todas as suas forças e fraquezas.
O autor usa uma linguagem simples e fluida onde a acção é uma constante, os seus personagens são solidamente caracterizados ao ponto de partilharmos sentimentos com estes. Esta é uma leitura bastante agradável, que nos elucida sobre um assunto bastante actual, levando-nos deste modo à reflexão e mostrando-nos as várias perspectivas do mesmo!
Recomendo!

Sinopse:
Um thriller de conspirações políticas que retrata as vidas paralelas de dois homens.
Um, desempregado, e com ambições de ser escritor, que desistiu da vida e da procura da felicidade, reencontrando-as ao receber uma estranha mensagem de uma amiga, que lhe encomenda a escrita de um livro sobre a sua vida, conduzindo-o numa viagem obsessiva por uma realidade ficcionada sobre um Portugal secreto e sinistro desconhecido por muitos.
O outro, um político empossado à força por um caciquismo familiar. Professor de história por paixão, torna-se secretário de estado por complacência dos interesses do falecido pai.
Vão ambos embarcar numa odisseia mirabolante de enganos e descobertas, na busca da confirmação da existência de uma ordem secreta, Os Alquimistas, cujo plano efetivo para o nosso país, consiste no controlo absoluto do seu governo, e no domínio total da vontade dos seus cidadãos.
De Nova Iorque a Bruxelas, e por diferentes locais em Portugal, um atroz destino os espera, nesta história implacável, que mistura passado e presente, cheia de suspense e completamente imprevisível.

Sobre o autor:
Governo Sombra (2011) é o primeiro romance de ficção de Casimiro Teixeira, Vila-condense de gema, e amante profundo das suas raízes, sobretudo da cidade que o viu nascer: Vila do Conde, Casimiro Teixeira, desde cedo demonstrou inclinações para as letras, publicando alguns textos numa revista editada pelo departamento de Filosofia do seu liceu, e criando assim um espaço interior inteiramente dedicado à escrita que foi sempre para si, um ombro amigo onde podia chorar as suas mágoas, ou divertir-se extravasando a sua felicidade. Foi na escrita que se moldou como homem, e nunca a abandonou apesar de não ter, até à data, exposto nenhum dos seus trabalhos ao público, deixando que estes se fossem acumulando em resmas de papéis guardados em gavetas..
Editou em 2011 pela Corpos Editora, o livro de Poesia: "Poemas por Tudo e por Nada" Tem também, disponível no sítio da Bubok, um conto; "Há Procura de uma Vida."
Incansável no seu gosto pela escrita, nos seus diversos estilos: Poesia, Romance, Novela e Conto, tem diferentes trabalhos investidos em concursos literários, tendo já este ano sido galardoado com uma menção honrosa no I Concurso Literário “Ser Solidário”, organizado pelo serviço de Humanização do Hospital de S. João do Porto, com o conto: “O Fim da Noite”
Define-se como um escritor estilizado nos moldes de um realismo mágico, e com essa grande paixão, publica quase diariamente no seu blog pessoal: O Mundo de Acordo com Miro, textos dos mais diversos géneros, assim como na sua página de fãs do Facebook, que atualiza constantemente, e igualmente em diversos outras páginas e blogs de poesia e conto

O blogue do autor aqui
Página pessoal do autor no facebook aqui
Caspar David Friedrich,
O peregrino Sobre o Mar de Névoa (1818)


É (Um) Mar Qualquer

Deixa para trás o ledo canto da tristeza,
o suave suspiro de um amargo olhar,
a cândida viuvez de uma lágrima salgada,
deixa o olhar e a voz pousados numa mesa,
e vem só ao que te espera, ó desejada.
Pois para mim que te toco,
é o mar que sinto, é o mar.
O momento quando uma onda,
e outra onda e outra ainda,
desfaz o teu corpo contra o meu.
É o mar, é o céu, a areia húmida,
bandos de gaivotas que esvoaçam,
somos nós, és tu, sou eu.
Larga pois, inerte no poiso do seu fim,
o olhar triste, a lágrima salgada, a voz esganiçada,
e mergulha mais fundo no que é nosso,
de mim e de ti.
Nada mais restará, eu te asseguro,
mais nada que o toque imenso que não mente,
nada mais do que o olhar pousado no futuro,
e a sua voz quente e trespassante que nos resguarda.
Então este mar que é teu e meu, que é nosso.
Será carícia, luz celestial molhada, onde desperta,
o nosso coração dormente.

Casimiro Teixeira, in Poemas Por Tudo e Por Nada
O blogue e o autor Casimiro Teixeira, agradecem aos 276 participantes do passatempo "Governo Sombra".

O vencedor é
Nuno Gabriel Silva Gonçalves

Parabéns e boas leituras ;)
O blogue em parceria com o autor Casimiro Teixeira, tem para oferecer um exemplar autografado da obra "Governo Sombra".
Para participar e tentar ganhar este livro terá de responder acertadamente a todas as questões do formulário e respeitar as regras.


Regras do passatempo:
-O passatempo começa hoje, dia 4 de Novembro de 2011 e termina às 23.59h do dia 12 de Novembro de 2011;
-O participante vencedor será escolhido aleatoriamente;
-O vencedor será contactado via e-mail;
-Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência

As respostas ao formulário aqui
Formulário

PASSATEMPO ENCERRADO

Boa sorte aos participantes ;)
O nosso convidado é o escritor Casimiro Teixeira, autor de Poemas Por Tudo e Por Nada  (já comentado aqui no blogue) e da obra "Governo Sombra" que irá ser lançada já em Outubro.
É Vila-condense de gema, e amante profundo das suas raízes , a escrita é uma das suas paixões.
Mais sobre o autor aqui


"À minha biblioteca pessoal encaro-a como um centro cultural vivo, e não como um depósito silencioso de livros. O livro quando entra na minha vida deixa de ser estático num canto da estante; descortina sempre novos horizontes para mim. A sua existência já me enriqueceu, já me afastou um pouco mais da ignorância verbal, já me transformou, cativou, em última análise, tornou-se também responsável por mim.

Sempre gostei de ler, e nunca me separei de nenhum livro que de alguma forma me tenha vindo parar às mãos, mesmo que, numa primeira leitura não me arrebate, gosto sempre de o ter por perto, para o revisitar, nunca se sabe o que nos poderá reservar numa segunda ou terceira observação. Por vezes, a beleza de uma história acende-se cá dentro, dependendo do estado de espírito do momento em que a lemos.

No pico da minha adolescência, teria eu treze ou catorze anos, devorava a prestações, todos os clássicos que conseguia arrancar das prateleiras da biblioteca municipal. Não fazia distinções entre estilos ou géneros; lia desde Emile Zola a Jorge Amado. Steinbeck, Gorki, Camilo, Virgílio, James Joyce, Vitor Hugo etc..Até mesmo alguns autores, considerados “proibidos” para a época, como Henry Miller e D.H. Lawrence. Mais tarde, o meu pai tornou-se sócio do Círculo de Leitores, e todos os meses, tomava conhecimento com um autor diferente, até os alojar definitivamente no baú da minha memória. Mas de estes, houve um que sempre me fascinou, e que eu lia com particular devoção: Ernest Hemingway – Eu não gostava somente do que ele escrevia, eu queria ser aquele homem! Cada novo livro dele que eu lia, mais crescia dentro de mim essa ânsia de viver a vida em pleno e depois embebê-la em papel, descrevê-la com detalhes miúdos, como ele o fazia. Foi aqui que comecei eu próprio a escrever.

Claro que de todas as suas histórias havia uma que me marcaria para sempre. Se puder utilizar o chavão de livro da minha vida; “O velho e o Mar” assim o era, único, intemporal, precioso, escrito com um requinte de prosa poética.

Nesta pequena história pouco extensa, quase um breviário da dignidade humana, Hemingway fala de um pobre e velho pescador que há muito tempo não apanha peixe e anseia por “um dos grandes”. Sai para o mar com esse objetivo e, depois de 85 dias de puro martírio, apanha o peixe cuja captura proporciona uma longa e empolgante história, recheada de situações perigosas e imprevistas. Com uma simplicidade expressiva, quase poética, Hemingway retrata neste livro a astúcia e a grande persistência com que o velho pescador Santiago leva a cabo a sua tarefa. A essência da história é a luta constante do homem contra a natureza. A mim, fez-me refletir sobre as dificuldades que todos passamos para subsistir face às adversidades, e sobre a necessidade de sermos persistentes para atingirmos os nossos objetivos. Como o próprio autor o diz: “Um homem pode ser destruído, mas não derrotado”. – Ainda hoje assim o penso."

Casimiro Teixeira

Opinião:
"Poemas Por Tudo e Por Nada" da autoria de Casimiro Teixeira transporta-nos para a poesia que há em nosso redor, ou melhor para a poesia que há na vida, mas que nem sempre nos damos conta que ela existe e nos acompanha.
Poesia pode ser uma simples folha que cai da árvore, o sorriso de uma criança, a chuva que vai calma e doce ou uma tempestade em alto mar... pode ainda ser palavras "complicadas" com rima e métrica, mecânicas, pensadas...escritas em papel ou ainda palavras simples, ingénuas, sentimentos ecoados numa alma sensível, que foram expressos em rascunhos abandonados, que acabam por ser tesouros escondidos, revelados pelo tempo...
A poesia está onde nós a vemos, não precisa haver motivo para a celebrarmos, ela surge naturalmente "Por Tudo e Por Nada", assim é a poesia de Casimiro Teixeira... fluída, sentimental, às vezes ingénua outras intencional, mas sempre espontânea!
O blogue e o autor Casimiro Teixeira, agradecem os 183 participantes do passatempo "Poemas Por Tudo e Por Nada"

O vencedor do passatempo é
Ana Claudia Carriço

Parabéns à vencedora e boa leitura ;)
O blogue em parceria com o autor Casimiro Teixeira, tem para oferecer um exemplar autografado da obra "Poemas Por Tudo e Por Nada".
Para participar no passatempo, terá de responder correctamente a todas as questões do formulário e respeitar as regras do passatempo.



"Escrever poesia é um labor que nasce sempre de uma necessidade de expulsão interior. Qualquer um o pode fazer, e sem dúvida que todos o fazemos em diferentes alturas da nossa vida. Quer a confessemos ou não, a poesia existe na alma de cada ser humano, e quando esta se enche e quase parece querer transbordar, e afogar-nos nessa torrente incessante, são as palavras que nos assistem no escape dessa cheia que mal sabemos explicar de outra forma.
Quando comecei a escrever poesia foi nesse exato pressuposto. Mal sabia o que me afligia, mas tinha de tentar descrevê-lo de alguma forma. Era um jovem que ainda brincava com o pião e a bola, mas que também já moldava cá dentro o cerne de amores juvenis tão loucos e potentes, que só com a caneta os conseguia acalmar.
Foi assim que muitos destes poemas nasceram. A poesia para mim sempre foi esse vazamento, essa fuga, todavia, e certamente que assim será para muitos também, é sobretudo pelo amor, pela desilusão, pela paixão e pela tristeza que a poesia melhor se desenvolveu nas minhas mãos.
Cada um destes versos conta a história de um momento singular, e mormente surjam sem ordem aparente nestas páginas, são o relato, poético, de tantos, muitos dias da minha vida, vividos assim, como todos os vivemos, por vezes por tudo, por vezes por nada, porém todos eles, merecedores de não serem nunca, esquecidos cá dentro."
Casimiro Teixeira

Regras do Passatempo:
-O passatempo começa hoje dia 02 de Julho de 2011 e termina às 23.59h do dia 9 de Julho de 2011;
-O participante vencedor será escolhido aleatoriamente;
-O vencedor será contactado via e-mail;
-Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência.

PASSATEMPO ENCERRADO

Boa sorte aos participantes :)

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