Mostrar mensagens com a etiqueta Afonso Cruz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Afonso Cruz. Mostrar todas as mensagens
Sinopse
O pano de fundo deste romance é um Oriente efabulado, baseado no que pensamos que foi o seu passado e acreditamos ser o seu presente, com tudo o que esse Oriente tem de mágico, de diferente e de perverso. Conta a história de um homem que ambiciona ser invisível, de uma criança que gostaria de voar como um avião, de uma mulher que quer casar com um homem de olhos azuis, de um poeta profundamente mudo, de um general russo que é uma espécie de galo de luta, de uma mulher cujos cabelos fogem de uma gaiola, de um indiano apaixonado e de um rapaz que tem o universo inteiro dentro da boca.
Um magnífico romance que abre com uma história ilustrada para crianças que já não acreditam no Pai Natal e se desdobra numa sublime tapeçaria de vidas, tecida com os fios e as cores das coisas que encontramos, perdemos e esperamos reencontrar.

Opinião
Honesto. Estranho. Hipersensível.
Geralmente, não costumo falar muito das personagens quando dou a minha opinião acerca dos livros que leio. Porém, desta vez, vou comentar apenas cada uma das personagens. Para mim, faz todo o sentido, pois este livro é sobre elas e para elas e sobre o que elas representam.
Fazal Elahi. O ponto em comum entre todas as personagem. Será, porventura, a mais frágil de todas elas; aquela que, apesar de pensar pela sua própria cabeça, vive em função de todos os que o rodeiam, acabando por ser, ao mesmo tempo, um pilar e o epicentro de um terramoto que tende em atormentá-lo.
Badini. Trata-se da minha personagem preferida. É primo do anterior e aquele que o chama à razão, sempre sem voz, sempre com lucidez. É aquele homem que tem tudo para ser infeliz, embora seja o único que consegue viver com essa infelicidade, tornando-a no oposto.
Aminah. Irmã de Fazal Elahi e também aquela que nega tudo aquilo que deseja, refugiando-se em quantidades astronómicas de açúcar, que por sua vez lhe dão cabo dos dentes. É a mulher que tenta ser má, mas cujo karma não lhe devolve esse mesmo desejo.
Bibi. A mulher de Fazal Elahi, a mesma que, ao contrário da cunhada, não se nega àquilo com que sonha ser.
Salim. Filho de Fazal Elahi, que pensa que é um avião.
Isa. Filho adoptivo de Fazal Elahi, o americano que não é, mas sabe todas as coisas de um mundo que cabe dentro da sua boca.
General Krupin. Amigo do pai de Fazal Elahi, o homem que vence tudo e todos, aquele seria uma espécie de ditador numa feroz ditadura e que pensa que o sofrimento torna os seres vivos mais aptos a enfrentar a adversidade.
Dilawar Krupin. O filho do general. É o produto mais fraco de alguém que quer tornar a descendência mais forte.
Há ainda o hindu de espírito livre que se transforma por amor, o muçulmano que odeia todos os que não são muçulmanos e o padre católico que chegou até àquelas terras como consequência de uma viagem improvável que o seu pai realizou.
Este livro mistura os impossíveis de um mundo incompreensível, doente e corrompido. É uma excelente leitura e uma óptima companhia, nem sempre alegre, mas óptima na mesma.
Sinopse
O pintor Oskar Kokoschka estava tão apaixonado por Alma Mahler que, quando a relação acabou, mandou construir uma boneca, de tamanho real, com todos os pormenores da sua amada. A carta à fabricante de marionetas, que era acompanhada de vários desenhos com indicações para o seu fabrico, incluía quais as rugas da pele que ele achava imprescindíveis. Kokoschka, longe de esconder a sua paixão, passeava a boneca pela cidade e levava-a à ópera. Mas um dia, farto dela, partiu-lhe uma garrafa de vinho tinto na cabeça e a boneca foi para o lixo. Foi a partir daí que ela se tornou fundamental para o destino de várias pessoas que sobreviveram às quatro toneladas de bombas que caíram em Dresden durante a Segunda Guerra Mundial.

Opinião
Surpreendente. Profundo. Magistral.
Dos livros que li do Afonso Cruz este foi sem dúvida o mais complexo. Por esse motivo estou certo que o lerei novamente em breve. Assim, a sua complexidade dá um brilho diferente à obra. Não que os restantes títulos não possuam um brilho - seria impossível não possuírem, pois o autor é uma espécie de mágico das palavras e dos sentimentos -, mas este oferece-nos ainda mais qualquer coisa.
Quem costuma acompanhar o blog sabe que sou um admirador incondicional do autor, daqueles que sei que nunca me irão desagradar - e não são assim tantos. Mas, credo!, como é possível que a cada duas páginas o Afonso Cruz me consiga arrepiar desta forma? E muitas vezes consegue fazê-lo em várias ocasiões numa só página.
A questão essencial é que não interessa a história, o enredo e os personagens. Não vou contar nada acerca disso. O ponto fulcral é: este livro é do Afonso Cruz. Idealizado, pensado, construído e escrito por ele. Logo, façam um favor a vocês mesmos e leiam, leiam tudo o que ele escreve porque o gajo - permitam-me o atrevimento - é o maior.
Opinião
Mágico. Corajoso. Aventureiro.
“O Pintor Debaixo do Lava-Loiças” é mais um livro encantador de Afonso Cruz que demonstra, uma vez mais, que não consegue criar nada que não tenha impacto, sensibilidade, vitalidade e beleza. Todos os seus livros estão envoltos de um certo mistério e de uma forma simples de abordar tudo o que nos rodeia como se a palavra 'impossível' simplesmente não existisse. Esta obra é mais um exemplo disso.
O livro baseia-se na vida do tal pintor eslovaco que um dia foi parar à Figueira da Foz. Ele acaba por ter uma personalidade singular, assim como o é muito daquilo que o rodeia. Trata-se, na verdade, de um homem que consegue fintar o destino sem que, aparentemente, isso pareça preocupá-lo ou apressá-lo.
“O Pintor Debaixo do Lava-Loiças” tem mensagens fortes e uma linha de pensamento que por vezes se desvia daquilo que esperamos.
Mais um excelente livro daquele que é, para mim, um dos melhores autores da actualidade.

Sinopse
A liberdade, muitas vezes, acaba por sobreviver graças a espaços tão apertados quanto o lava-loiças de um fotógrafo. Esta é a história, baseada num episódio real (passado com os avós do autor), de um pintor eslovaco que nasceu no final do século XIX, no império Austro-Húngaro, que emigrou para os EUA e voltou a Bratislava e que, por causa do nazismo, teve de fugir para debaixo de um lava-loiças.
Este, é um livro que faz viajar não só os leitores como os próprios personagens que viajam pela leitura de clássicos da literatura, sendo o mais aprofundado "Crime e Castigo" de Dostoievsky, explorando o seu personagem principal - Raskolnikov.

Elias Bonfim, parte em busca do pai pelos meandros da literatura em casa da sua avó mais concretamente no sótão, onde o pai deixou todos os seus livros para ele.

O pai desaparecera livro adentro quando lia "A Ilha do Dr. Moreau". Então, Elias decide encontrar o pai percorrendo os mesmos caminhos. Após seguir várias pistas encontradas na "Ilha do Dr Moreau" concluí que tudo leva a Raskolnikov, partindo com destino à Rússia (através da leitura).

Após falar com Sofia Semionovna mulher de Ródia (Raskolnikov) fica a saber que o destino que Dostoievsky lhe proporcionou foi alterado pelo próprio personagem, pois este não conseguiu apaziguar a sua culpa por ter morto a velha avarenta à machadada e partiu em busca de acalmia para a sua consciência.

A dada altura, este livro fez-me lembrar "O Mundo de Sofia" de Jostein Gaarder, cujos personagens conseguem fugir e esconder-se do escritor.

Elias, encontra em todos aqueles livros deixados pelo pai, nas prateleiras mundos paralelos, viagens incessantes e aventuras inesquecíveis. Mas tal como Raskolnikov, Elias passa a expiar também ele um "crime" e a viver com a sua consciência "atormentada".

Este é um livrinho fantástico, com algum humor à mistura, uma vez que os grandes clássicos da literatura adquirem pelos próprios personagens um fim diferente daquele que conhecemos ;)

Classificação: 5/7 - Muito Bom

Blogger Templates by Blog Forum