Mostrar mensagens com a etiqueta Victor Hugo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Victor Hugo. Mostrar todas as mensagens

Os Miseráveis, Victor Hugo

Opinião:
Depois de ler uma obra destas, torna-se bastante complicado falar dela. Certamente muitos de vós, viram o musical “Os Miseráveis”, um filme magnífico, mas que não deixa transmitir a grandiosidade da escrita de Victor Hugo. Este é sem dúvida um génio da escrita! É extraordinário ver, como é colocado nesta narrativa toda a complexidade do ser humano – as suas paixões, as suas dúvidas, as suas derrotas e até a sua existência. Victor Hugo, disseca completamente o ser humano e a sua alma.

A primeira metade do livro foi aquela que verdadeiramente me apaixonou.

O abade Myriel é aquele ser bom, que existe para fazer bem aos outros. Do seu ordenado nada tirava, distribui tudo – ele é a face do bem no seu expoente máximo. É Myriel que irá dar um novo alento, uma nova esperança ao grande personagem deste livro – João Valjean – o homem que roubou um pedaço de pão para matar a fome e foi condenado às galés!

Roubar um pedaço de pão, fez de João Valjean um ladrão, um patife, um homem menor. E porquê? Porque ele era pobre e por ser pobre teve um castigo merecedor!

João Valjean, é nesta narrativa um personagem importantíssimo, é ele que alberga e transmite a totalidade dos sentimentos humanos – os melhores e os piores. É ele que coloca as suas acções numa balança – “Consciência” – e opta sempre pelo bem, mesmo que isto o prejudique e é justamente neste ponto que Victor Hugo nos mostra a maravilha que é a sua escrita.

Há uma parte do livro em que João Valjean corre para um tribunal com o intuito de salvar aquele que vai ser condenado no seu lugar. Vai consciente que abdicando de tudo corre o risco de voltar para as galés, mas mesmo assim vai e vai lutando contra todos os contra tempos que surgem e que o fazem reflectir sobre a sua acção! Este episódio em particular é fantástico (como tantos outros)!

Fantini, foi aquela que mais mexeu com os meus sentimentos. Mãe que tem de confiar a filha a um casal de taberneiros que posteriormente se revelam pessoas horrendas explorando Fantini até à sua morte!

As descrições do sofrimento de Fantini são de uma sensibilidade transmissora de uma grande escrita, de um escritor capaz de chegar à alma humana!

Cosetta, filha de Fantini, tem uma infância terrível, é impressionante como Victor Hugo nos consegue passar a imagem de tanto sofrimento e tanta maldade praticados contra uma criança.

Entre todos os miseráveis da obra, há aqueles que são miseráveis de alma e aqueles que o são apenas fisicamente, mas que são possuidores de uma grande alma como Cosetta, Fantini, João Valjean, Abade Myriol.

Mário é aquele que vai ficar dividido entre cumprir uma promessa a um falecido (pai) ou seguir em frente e ficar com a sua amada, o destino fará com que Mário entenda tudo o que se passou à sua volta e vá atrás daquele que o salvou.

Javert, o polícia que busca “eternamente” o antigo forçado das galés é perdoado pelo mesmo, porque a bondade triunfa sobre o mal.


Os personagens dos quais falei neste comentário, foram os que mais me marcaram nesta leitura, uma narrativa de uma escrita estrondosa! Impar! Não é uma leitura fácil, pois aborda muitos factos históricos que são relatados com bastantes descrições o que por vezes cansa, mas que sem dúvida vale a pena o esforço!! Esta é uma obra prima da literatura!

Adorei!


Esmeralda and Quasimodo
by Luc-Oliver Merson 1905
A minha opinião:
Neste segundo volume de NSP, há uma narrativa mais alargada sobre a história em si. Como no primeiro volume (comentado aqui) não houve estória, mas só reflexão por parte de Victor Hugo, acho que neste volume, o autor não tendo opção para mais reflexões teve de dar início e desenvolvimento à sua estória. Ainda que parando aqui e ali para reflectir e divagar mais um pouco, enfim...
Esmeralda, Febo, Claude Frollo (o padre de Notre Dame) e Quasimodo passam a interagir.
Febo é um apaixonado pela vida, mas um ser egoísta.
Claude Frollo é um padre que caracteriza os padres de toda uma época (não sei é se será só daquela época...avant...), vê o seu sossego desfazer-se ao apaixonar-se por Esmeralda. Um amor avassalador que ou possui a amada ou prefere vê-la morta.
Esmeralda é vista como uma vítima da vida e dos preconceitos de um povo que não sabe viver sem os seus pensamentos mesquinhos e retrógrados. É uma sacrificada que não tem direito à palavra nem à defesa.
Quasimodo, o personagem que mais gostei desta narrativa é um ser ingénuo, capaz de se sacrificar para salvar quem mais ama, mesmo que a amada só lhe tenha indiferença.
Gostei claramente mais deste volume que o primeiro, no entanto foi uma leitura que fiz, mas que não me cativou. Só não desisti mesmo, porque foi realizada no âmbito de uma leitura conjunta com o blogue Destante, outro ponto que não me fez desistir foi o facto de ser a primeira obra que estava a ler de Victor Hugo e a curiosidade foi grande para ver até que ponto Victor Hugo ia continuar com as suas divagações e quando seria feita a ponte para o enredo.
.
Classificação: 2/7 Li, mas não me cativou
Esta foi uma leitura conjunta realizada com os contribuidores do blogue Destante. Deixo aqui o comentário que coloquei no referido blgue.
.
A história começa com o repicar dos sinos em Paris, 6 de Janeiro de 1482.
Desta vez, os sinos repicam, não para anunciar assaltos ou enforcamentos, mas para recordarem à população que é dia de Reis e da Festa dos Doidos.Um dia curioso, eu desconhecia a sua existência. Um dia especial, durante o qual toda a gente podia dizer o que lhe apetecia. Por outras palavras - o único dia no ano em que havia liberdade de expressão. Nos restantes, havia a brasa para manter a ordem e o silêncio.
Victor Hugo tece inúmeras críticas ao povo parisiense aquando da descrição do Palácio da Justiça e no decorrer do ministério. É durante a actuação do Ministério (peça de teatro), escrito por Gringoire, que ficamos a conhecer as duas personagens importantes da obra de Victor Hugo - Quasimodo (o corcunda) e Esmeralda (a cigana).
Devo dizer que a leitura decorreu dentro da normalidade do entusiasmo até o autor da obra começar a dispersar-se nos seus pensamentos e devaneios sobre a arquitectura.
Digo dispersar-se, mas parece-me que, para Victor Hugo, a parte em que filosofou sobre a arquitectura foi a parte mais importante deste volume. Pareceu-me que os personagens foram apenas uma justificação para este romance onde se quer evidenciar toda uma época: Romantismo!
Há uma certa altura, nomeadamente o livro V, que parece um autêntico manual descritivo. Confesso que por momentos perdi o fio à meada.
Há todo o enaltecer da arquitectura como a memória dos feitos de determinado tempo. Esta era considerada um marco histórico que representava a acção de alguém num determinado tempo.
A arquitectura é vista como uma prova irrefutável da História.
Victor Hugo, através de um dos seus personagens diz que o livro matará o monumento, a arquitectura. Pois, existindo os livros, os feitos históricos passariam a ficar registados em papel e não em monumentos. Todos estes pensamentos do autor, são transmitidos de forma exaustiva e cansativa.
Finalmente, quase no fim do I volume, somos novamente transportados para a acção da história propriamente dita pela mão do narrador (e eu a pensar que este momento nunca mais chegava :P)
Espero que o II volume, seja mais agradável de ler e nos revele muito mais sobre os seus personagens. Não que eu seja contra aos factos históricos relatados durante um romance, mas aqui pareceu-me como eu já referi, que estava a ler uma espécie de tese, aonde de vez em quando apareciam personagens :)

Blogger Templates by Blog Forum