Os Miseráveis, Victor Hugo
17/02/2014 by Paula
Opinião:
Depois de ler uma obra
destas, torna-se bastante complicado falar dela. Certamente muitos de vós,
viram o musical “Os Miseráveis”, um filme magnífico, mas que não deixa
transmitir a grandiosidade da escrita de Victor Hugo. Este é sem dúvida um
génio da escrita! É extraordinário ver, como é colocado nesta narrativa toda a
complexidade do ser humano – as suas paixões, as suas dúvidas, as suas derrotas
e até a sua existência. Victor Hugo, disseca completamente o ser humano e a sua
alma.
A primeira metade do
livro foi aquela que verdadeiramente me apaixonou.
O abade Myriel é aquele
ser bom, que existe para fazer bem aos outros. Do seu ordenado nada tirava,
distribui tudo – ele é a face do bem no seu expoente máximo. É Myriel que irá
dar um novo alento, uma nova esperança ao grande personagem deste livro – João
Valjean – o homem que roubou um pedaço de pão para matar a fome e foi condenado
às galés!
Roubar um pedaço de
pão, fez de João Valjean um ladrão, um patife, um homem menor. E porquê? Porque
ele era pobre e por ser pobre teve um castigo merecedor!
João Valjean, é nesta
narrativa um personagem importantíssimo, é ele que alberga e transmite a
totalidade dos sentimentos humanos – os melhores e os piores. É ele que coloca
as suas acções numa balança – “Consciência” – e opta sempre pelo bem, mesmo que
isto o prejudique e é justamente neste ponto que Victor Hugo nos mostra a
maravilha que é a sua escrita.
Há uma parte do livro
em que João Valjean corre para um tribunal com o intuito de salvar aquele que
vai ser condenado no seu lugar. Vai consciente que abdicando de tudo corre o
risco de voltar para as galés, mas mesmo assim vai e vai lutando contra todos
os contra tempos que surgem e que o fazem reflectir sobre a sua acção! Este
episódio em particular é fantástico (como tantos outros)!
Fantini, foi aquela que
mais mexeu com os meus sentimentos. Mãe que tem de confiar a filha a um casal
de taberneiros que posteriormente se revelam pessoas horrendas explorando
Fantini até à sua morte!
As descrições do
sofrimento de Fantini são de uma sensibilidade transmissora de uma grande
escrita, de um escritor capaz de chegar à alma humana!
Cosetta, filha de
Fantini, tem uma infância terrível, é impressionante como Victor Hugo nos
consegue passar a imagem de tanto sofrimento e tanta maldade praticados contra
uma criança.
Entre todos os
miseráveis da obra, há aqueles que são miseráveis de alma e aqueles que o são
apenas fisicamente, mas que são possuidores de uma grande alma como Cosetta,
Fantini, João Valjean, Abade Myriol.
Mário é aquele que vai
ficar dividido entre cumprir uma promessa a um falecido (pai) ou seguir em
frente e ficar com a sua amada, o destino fará com que Mário entenda tudo o que
se passou à sua volta e vá atrás daquele que o salvou.
Javert, o polícia que
busca “eternamente” o antigo forçado das galés é perdoado pelo mesmo, porque a
bondade triunfa sobre o mal.
Os personagens dos
quais falei neste comentário, foram os que mais me marcaram nesta leitura, uma
narrativa de uma escrita estrondosa! Impar! Não é uma leitura fácil, pois aborda
muitos factos históricos que são relatados com bastantes descrições o que por
vezes cansa, mas que sem dúvida vale a pena o esforço!! Esta é uma
obra prima da literatura!
Adorei!



