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A minha opinião:
Em "Noites Brancas”, Dostoievsky adopta um cenário romântico e de solidão em São Petersburgo.
Há todo um questionamento relativo à beleza da noite perante o egoísmo e irritação dos homens.
A solidão é abordada de forma abrangente, uma vez que o personagem principal sente esta solidão, não só por não ser correspondido no amor, mas principalmente porque se sente à parte da sua sociedade. Uma sociedade que, segundo o seu pensamento, foge e se afasta propositadamente dele.
Nesta, como em outras obras do autor, temos um quarto onde o personagem principal vive e que demonstra o seu estado de espírito: espaço escuro, pintura das paredes estragada, estando num canto uma teia de aranha.
O enredo desenvolve-se em quatro noites, numas das quais, o nosso personagem apaixona-se perdidamente por Nástienka, ela também só e com um passado triste e assombroso. Por momentos, há o alimentar de um sonho que parece vir a tornar-se realidade, mas no último instante tudo se desmorona e desvanece.
O sonho é aqui abordado com grande importância, pois é impulsionador da felicidade, este sobrepõe-se à sua vida real que é de cor cinza, fria e de solidão. No entanto é também visto como um veneno, um veneno que ilude.
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Esta é uma leitura que se faz rápida e com prazer, recomendo!
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Classificação 5/7 Muito Bom
Esta excelente edição da Editorial Presença é composta por três contos extraordinários!
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O primeiro conto é de Dostoievski e é simplesmente surreal, uma vez que nos fala de um homem que foi engolido por um animal que dá nome ao conto, nada mais nada menos que um crocodilo! O acontecimento deu-se quando a vítima estava a visitar o animal (atracção turística) no Passage, decorria então o ano de 1965. Até aqui tudo normal, no entanto o sujeito em questão não sofreu nenhum ferimento ao contrário do que seria de esperar e até ajeitou-se confortavelmente dentro do crocodilo, começando a tirar partido da situação a seu favor.
Ivan Mavéitch vê logo um mar de vantagens na sua nova “casa”. Podia estudar o crocodilo no seu interior e assim dedicar-se às ciências naturais; Podia ainda trabalhar deitado; a sua esposa podia reunir em sua casa amigos e desconhecidos para falar da condição do marido; ele próprio seria uma atracção turística.
O dono da loja e sua esposa onde se encontra o crocodilo, duplicam o preço da entrada das visitas. O amigo, onde tenta buscar uma solução atribui a culpa desta situação à própria pessoa que foi engolida, pois esta deixou-se apanhar e agora encontra-se a “descansar” do trabalho.
Assim, através deste conto e dos seus personagens, onde tudo é hilariante, Dostoiévski consegue uma vez mais caracterizar a sociedade da altura.
Este conto é também uma demonstração de que Dostoiévski escreveu não só o estilo a que estamos acostumados: personagens complexos que se debatem com dúvidas existenciais (como Raskolnikov) em que a acção e arrependimento são uma constante. Personagens em que a mente humana é fortemente explorada.
Neste conto, de estilo diferente daquele que referi, Dostoiévski elabora uma crítica à sociedade, mas de forma leve e divertida, num estilo bastante diferente daquele que estamos acostumados.
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O segundo conto intitula-se Lázaro.
Em traços muitos gerais, a Bíblia diz-nos que Lázaro adoeceu e faleceu durante quatro dias. Após estes quatro dias de morte, Jesus Cristo ressuscitou-o. Sobre a sua segunda morte nada se sabe.
Neste conto em particular há a destacar a meu ver três aspectos: a morte que contrariada, persiste no olhar daquele que outrora fora sua vítima; o aspecto de Lázaro após a sua ressurreição e a curiosidade humana.
Lázaro, depois do seu regresso dos mortos, carrega no olhar a morte e todos que o olham ficam sem vida, ou seja, não morrem, mas é um viver desprovido de qualquer alegria ou interesse. No entanto, o ser humano é curioso por natureza e às vezes só acredita quando vê com os seus próprios olhos. Mesmo que haja o risco de perder o gosto pela vida, a curiosidade é bem mais forte. Desta feita, Lázaro é procurado pela simples curiosidade de verem o homem que Jesus Cristo ressuscitou e se este, realmente carrega a morte no olhar.
O aspecto de Lázaro é relatado sob o ponto de vista da ironia, pois este ressuscita com todas as marcas que a morte lhe deixou no corpo "és mesmo assustador meu pobre amigo, a morte não foi preguiçosa no dia em que tão imprudentemente caíste nas suas mãos"
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O terceiro conto “A Morte de Ivan Ilitch” é uma obra prima da literatura que nos fala também sobre a morte e como esta é encarada por quem se apercebe que está a chegar ao final dos seus dias. Podem ler o comentário a este conto aqui no blogue.
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Classificação (a esta edição da Editorial Presença) 6/7 Excelente
Nesta grande obra, Fiódor aborda essencialmente um tema: “A mente humana”. O próprio título do livro acaba por dar uma pista “Crime e Castigo”. Há um crime, mas como será o castigo? Este será principalmente a nível psicológico! E haverá castigo pior do que a auto-punição? Este é o ponto fulcral desta obra: “A mente humana: a auto-punição”

Ródion, estudante universitário, é pobre, vive num quarto onde só cabe um sofá onde dorme; uma pequena mesa e umas cadeiras. O quarto é tão pequeno que estando lá quatro pessoas, estas mal se podem mexer. Este cubículo onde vive, aprisiona-o a nível físico e psicológico. No entanto, a sua mente vagueia à procura das mais complexas respostas que têm a ver com a sua própria existência.
Ródion divide as pessoas em dois grupos: o grupo dos inferiores e o grupo dos homens propriamente ditos (os que no seu meio têm talento para dizer uma “palavra nova”).
Tentando provar a si mesmo que faz parte deste último grupo, Ródion comete um crime e posteriormente apecebe-se que faz parte dos inferiores. Caso contrário não se auto puniria com a finalidade de encontrar a paz.
Todas as interrogações e reflexões pelas quais o personagem principal passa estão directamente relacionadas com Dostoievski. Pois este esteve preso e foi condenado à morte por conspirar contra Nicolau I da Rússia. Assim, conviveu de forma próxima com os presos e os seus fantasmas. Ele próprio teve oportunidade de dar valor à sua própria vida, uma vez que esteve vendado num campo de fuzilamento para levar um tiro e no último minuto foi-lhe concedido o perdão. Este aspecto também está bem realçado na sua obra, quando refere na voz de Ródion que não quer apenas existir, mas viver (esta passagem fez-me lembrar a frase de Óscar Wilde)!
Em Crime e Castigo os personagens assumem um papel representativo da diversidade humana: Ródion (existencialismo e auto-punição); Ludjin (personificação da maldade); Sónia (é a bondade, é aquela que se sacrifica em prol dos outros sem limites); Katarina Ivánovna (loucura, é aquela que quebra o limite da razão) Dúnia e Razumíkin (são o equilíbrio entre todos estes personagens...
Todos os personagens, nas suas acções acabam ,muitas vezes, por estar entre a razão e a loucura, têm em comum a pobreza com excepção de Ludjin e note-se que essa loucura é indissociável do sofrimento.

(Quem não leu e pretende ler a obra aconselho a não ler a partir daqui pois contém spoilers, desculpem não consegui evitar)

Por fim e por influência da mulher que o ama, Ródion confessa o seu crime e passa oito anos na cadeia da Sibéria (local onde o próprio Fiódor esteve detido).
Durante todo o romance, Ródion é um personagem frio, sofredor, gosta de estar só e não admite ajuda de ninguém para com ele. No entanto, o amor de Sónia traz a redenção a Ródion, fazendo-o renascer para a vida como um novo homem!

Este foi dos melhores livros que li até hoje, não só pela estória em si, mas pela grandeza dos personagens, pelo que nos transmitem, pela dualidade dos pensamentos e principalmente por me fazer reflectir sobre a complexidade da mente!

Sem dúvida uma obra prima da literatura!

Classificação 7/7 Obra Prima

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