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Este foi o livro que li em Outubro, O Fio da Navalha de Somerset Maugham. Já o tinha na estante há sete anos por ler... a questão é que compro todos os livros que posso dos autores que realmente gosto! Somerset não é excepção... no entanto, nem sempre os leio, mas gosto de saber que estão à distância de um estender de braços. 
A edição que tenho é antiga e foi comprada em segunda mão. 
Passados 10 anos de blogue, já me consigo conter nas compras de livros, não me deixo influenciar pelo marketing, que diga-se está cada vez melhor,  e tenho optado por comprar usados... Todos os que estavam aqui em casa a mais foram doados à biblioteca. Ainda assim, fiquei com umas boas centenas :P
Voltando a Somerset e ao O Fio da Navalha, esta é mais uma excelente obra. Somerset fala-nos na primeira pessoa, sobre alguém que conheceu e que o marcou! Estamos perante uma viagem pelo mundo e principalmente pela alma humana! Somos confrontados pelo dia a dia mundano, de pessoas que vivem por viver... e pelo dia a dia de pessoas especiais que questionam a essência da vida...

Uma obra que vai além o objectivo de entreter...FAZ-NOS REFLECTIR!

A minha edição


*****
Recentemente vi o filme baseado na obra de Somerset Maugham - O Véu Pintado (leitura esta que adorei e recomendo).



Se fizerem uma pesquisa, o filme está disponível na integra no YouTube.
Aconselho!!

A minha opinião ao livro aqui

Se gostei mais do livro ou do filme?
Eu já li a obra há 3 anos, por isso gostei muito, certamente se o tivesse visto logo após a leitura não ia gostar tanto...
Somerset escreve de forma fenomenal e tudo o que ele consegue incluir na escrita será impossível de passar para a grande tela, no entanto, e como já referi, gostei bastante do filme.


Opinião:
Este foi um livro que entrou para os melhores livros que já li até hoje!
Depois de pesquisar um pouco sobre a vida do autor percebemos que “Servidão Humana” tem muito de si, da sua vida, das suas paixões, dos seus sofrimentos. Uma obra profunda sobre o ser humano, sobre os seus sonhos, os seus objectivos e também sobre a coragem para os alcançar ou para desistir. Porque às vezes é também importante desistir.
Philip, é o nosso personagem principal, à volta do qual tudo gira nesta obra. Perde a mãe quando ainda é um menino e vai viver com o seu tio William – Vigário em Blacktable. Sentindo-se um estranho naquela casa e com aquele gente, este menino cria um mundo só seu e não deixa mais ninguém entrar. Comportamento este que lhe acompanhará até à idade adulta.
Ao receber uma educação severa e fria, Philip sente-se muito só, a entrada para a escola constituirá mais um buraco negro na sua existência. A sua deficiência (pé boto) irá chamar a atenção das outras crianças sobre si de forma negativa. É de realçar que Philip tinha uma infelicidade imensa pela sua deformação. Assim, é alvo de comentários maldosos por parte dos colegas, tornando-se mais tarde num adulto inibido, com falta de confiança em si e com baixa auto-estima. Porém é uma criança inteligente, de uma cultura geral superior aos seus colegas. Factor esse que nem todos os professores apreciavam. Neste ponto, Somerset tece uma crítica aos ensino no que diz respeito ao ensino adquirido por meio da transmissão do saber (prof/aluno) onde nada se questiona, apenas absorve-se! Ensino este que esteve em prática anos e anos!
Os professores modernos apreciavam o espirito crítico de Philip e viam nele um aluno cheio de potencial (transição do ensino que muitos não apreciavam).
É ainda em criança que corta relações com Deus, um Deus que tanto amava e venerava, mas que não lhe respondeu à sua suplica de lhe curar o seu pé boto! Quando esta ruptura acontece, Philip tem consciência que consegue apreciar melhor o meio que o rodeia, pois já não receia o castigo divino. Philip sente-se livre! (mais uma forte crítica, desta vez à igreja)
Na sua juventude, Philip é observador e torna-se presunçoso (na minha opinião), tudo o irrita e enoja. Tudo o atrai e repulsa! Por momentos pareceu-me um ser contraditório! Que não sabe bem o que quer! Por vezes tem “sede” de tudo e de um momento para o outro despreza tudo e todos à sua volta! Para se defender e para expor as suas ideias é capaz de magoar o outro e sente-se bem com isso! É como se tentasse contrabalançar a deficiência do seu pé com o “excesso” de inteligência sobre os outros. Com o passar do tempo Philip aprenderá a conter este impulso que lhe está tão entranhado!
Como jovem estudante que era, as dúvidas instalam-se sobre que estudos a seguir, tenta contabilidade, pintura e por fim ser médico. Mas não era rico e deveria viver com algumas privações, no entanto Philip era uma pessoa bondosa, muitas vezes pensava mais nos outros do que em si e acaba por gastar mais do que deveria, acabando por passar necessidades. Durante o seu percurso de estudante, passará fome, dormirá ao relento, é de salientar que Somerset é fantástico no que concerne a passar para o leitor as necessidades de Philip.
Nós conseguimos perceber o crescimento do personagem e a forma como amadurece. Será sempre sensível à sua deficiência, pois as humilhações que sofre em criança marcaram-lhe a personalidade, mas será um ser mais consciente dos seus actos.

Houve momentos durante a leitura que fiquei exasperada com o comportamento do personagem!  Apaixonado, sofre, dá tudo por amor e sabe que não receberá nada em troca senão ingratidão.
Philip toda a vida luta por estudar e ser alguém, por viajar e conhecer o mundo. Mas a vida vai ensinar-lhe que às vezes há objectivos mais simples e mais gratificantes do que conhecer o mundo. Muitas vezes “o mundo” está tão perto e não percebemos. Mas Philip perceberá!

Se é um livro de leitura obrigatória?
Para mim sem dúvida que sim!
Aconselho!

O Véu Pintado - Somerset Maugham

Opinião:
No prefário, Somerset Maugham, conta-nos que se inspirou num dos versos de Dante, nomeadamenté no Purgatório para escrever “O Véu Pintado”, “…esse véu pintado a que os que vivem chamam Vida.”
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"Deh, quando tu sarai tornato al mondo,
e riposato de la lunga via",
seguitò 'l terzo spirito al secondo,
"Ricorditi di me, che son la Pia;
Siena mi fé, disfecemi Maremma:
salsi colui che 'nnanellata pria
disposando m'avea con la sua gemma"

“Peço-te que, quando ao mundo tornares, e de longa jornada repousares, seguido que for o terceiro espírito ao segundo, te recordes de mim, que sou Pia. Siena me fez, Maremma me desfez: sabe-o aquele que após noivar me desposou com o seu anel.”

Nos versos de Dante, Pia é uma fidalga de Siena, que tendo cometido o adultério é levada pelo marido para o seu Castelo em Maremma, onde os vapores venenosos fariam a vingança do esposo, a morte seria lenta, mas chegaria…
Assim, tendo por base o adultério, Somerset desenvolve uma narrativa onde expõe toda a alma humana, é impressionante como o autor consegue construir/”destruir” os personagens conforme a história vai avançando.
Nesta obra temos como personagens centrais, Kitty, Walter (marido de Kitty) e Charles Townsend (amante de Kitty). Das três personagens, aquela em que Somerset se concentra no decorrer da narrativa é Kitty. No início, é caracterizada como uma mulher fútil com atitudes infantis que após ser descoberto o seu adultério é abandonada pelo amante e acaba por passar sérias dificuldades (impostas pelo marido), no entanto estas dificuldades fazem Kitty crescer como mulher, como pessoa. O olhar para o sofrimento dos outros ameniza o seu e faz-lhe ver o mundo com outros olhos. Uns olhos adultos, capazes de opinar e agir de forma segura.
Walter, o marido que ama sem ser amado, não muito atraente, mas muito inteligente, um personagem sensato, seguro de si e do que sente, tem um fim trágico, mas um fim importante para o crescimento de Kitty.
Charles Townsend, o amante perfeito, bonito, que sabe sempre o que dizer, charmoso e, aos olhos de Kitty – inteligente. Esse é o personagem que praticamente não evolui ao longo da história, com o intuito (a meu ver) de ser novamente “avaliado” por Kitty. Pois quando lhe passa os sentimentos por Charles, consegue ver nele apenas o ordinário que é.
Nesta obra, o autor pretendeu dissecar as emoções e consegue-o de forma magistral!

Recomendadíssimo!

Sinopse:
Kitty sente-se prisioneira de um casamento infeliz e de um estilo de vida que está longe de ser aquele que sonhou para si. Sem que tivesse obtido a notoriedade social que desejava e afastada do seu país e da família devido à profissão do marido - bacteriologista destacado para Hong Kong -, a jovem acaba por encontrar algum consolo numa relação extraconjugal. Mas a traição acaba por ser descoberta pelo marido, que leva a cabo uma estranha e terrível vingança…
Através do despertar espiritual da adorável e fútil Kitty, Somerset Maugham pinta um retrato vívido da presença britânica na China e apresenta-nos uma galeria de personagens inesquecíveis.

O Véu Pintado foi por três vezes adaptado para o cinema: em 1934, num filme protagonizado por Greta Garbo; em 1957, com Bill Travers e Eleanor Parker; e em 2006, num filme realizado por John Curran, com Edward Norton e Naomi Watts nos principais papéis.
Sinopse:
"Florença. Uma magnífica casa nas colinas serve de cenário para um sonho que, subitamente, se transformará em pesadelo...Nesse refúgio de tranquilidade, as violentas emoções do passado são momentaneamente eclipsadas e Mary Panton pode encarar calmamente as perspectivas do seu segundo casamento com Sir Edgar Swift — que ela admira e respeita, mas não ama.Um simples acto de compaixão, o desejo de proporcionar alguma beleza à vida atribulada e infeliz de um jovem refugiado, vai no entanto dar início a um pesadelo de violência que destruirá a ténue serenidade de Mary. Intuitivamente, ela vai confiar na ajuda e compreensão de Rowley Flint, um estranho de reputação mais que duvidosa. E compreenderá com ele que rejeitar o amor, mesmo com todos os seus múltiplos riscos, é rejeitar a própria vida."
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"Escrito com a simplicidade das grandes obras literárias, Paixão em Florença é um exemplo perfeito da genialidade de Somerset Maugham"
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A minha opinião:
Paixão em Florença é uma história pequena e intensa.
Mary, está a passar uma temporada na mansão de amigos em Florença, enquanto os seus advogados tratam e formalizam toda a burocracia necessária relativamente ao falecimento do seu marido.
Entretanto, Mary recebe uma proposta de casamento tentadora que lhe proporcionaria uma vida estável, contudo sem paixão, sem amor...
Mary é nova, bela e não olhando às consequências dos seus actos, leva a que aconteça uma tragédia na vida de outrém.
É complicado falar desta bela história sem revelar parte do enredo :)
É o primeiro romance que leio de Somerset, e adorei. A linguagem é simples e a descrição dos ambientes magnífica.
É fácil imaginar a mansão com a sua imponente escadaria, os salões decorados com frescos de Ghirlandaio...
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...os jardins...
Uma leitura que recomendo!
Classificação 6/6 Excelente

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