A ESTRADA - Cormac MacCarthy

“Um pai e um filho caminham sozinhos pela América. Nada se move na paisagem devastada, excepto cinza no vento. O frio é tanto que é capaz de rachar pedras. O céu está escuro e a neve, quando cai é cinzenta. O seu destino é a costa, embora não saibam o que os espera, ou se algo os espera. Nada possuem, apenas uma pistola para se defenderem dos bandidos que assaltam a estrada, as roupas que trazem vestidas, comida que vão encontrando – e um ao outro.
A Estrada á a história verdadeiramente comovente de uma viagem, que imagina com ousadia um futuro onde não há esperança, mas onde um pai e um filho “cada qual o mundo inteiro do outro”, se vão sustentado através do amor. Impressionante na plenitude da sua visão, esta é uma meditação inabalável sobre o melhor e o pior do que somos capazes: a destruição última, a persistência desesperada e o afecto que mantém duas pessoas vivas enfrentando a devastação total.”

A minha opinião:

Um homem caminha por uma estrada com o seu filho. Tenta chegar ao cume para que possam sobreviver. Algo aconteceu ao planeta terra. Não se percebe concretamente o quê. A paisagem descrita, é de tudo em redor estar carbonizado: casas queimadas, natureza completa e irremediavelmente morta, humanos carbonizados, o Sol desapareceu, os dias são cinzentos, tudo é cinza: a chuva, a neve. A noite é completamente escura. Não há luar. É a destruição total!
Todo este cenário, faz-nos reflectir sobre o que presentemente temos (na natureza) e que um dia poderá deixar de existir.
Quantas “desculpas” usaremos para com as gerações vindouras??
Há uma frase em particular que nos leva a reflectir sobre os nossos actos. A certa altura da história. Pai e filho chegam a uma praia. O filho ansioso corre a ver o mar e mostra-se desiludido. O pai olha-o e diz: “desculpa por não ser azul”. Esta desculpa pode ter vários sentidos… A mim, fez-me pensar que por culpa dos humanos o planeta fora reduzido a cinzas.
Nunca chegamos a perceber o que realmente aconteceu. Contudo, há uma pista que fica no ar de que os humanos já esperavam esta devastação: “As pessoas estavam sempre a preparar-se para o futuro. Eu não acreditava nisso. O futuro não se estava a preparar para elas. O futuro nem sabia que elas existiam.”
Um futuro que acabou revelando-se macabro para os humanos.
Neste caos em que imerge o “novo” mundo, existem dois grupos de pessoas, os maus (canibais) e os bons (os que transportam o fogo).
Sobreviver é complicado, tudo foi saqueado, mas pai e filho conseguem a muito custo. Estes fazem-se acompanhar de uma pistola, cujas balas estão destinadas unicamente aos dois, (para porem um fim àquele interminável sofrimento) mas será o pai corajoso o suficiente para matar o próprio filho?
A certa altura do livro, parece que também nós sofremos, temos frio e queremos sobreviver, a escrita de Comarc neste sentido é magnífica.
Sendo “cada qual o mundo inteiro do outro” o amor de ambos permitem-lhes ultrapassar horrores. Um verdadeiro hino à sobrevivência tendo por suporte o amor de pai e filho.

Uma LEITURA IMPERDÍVEL!


Classificação: 6/6 - Excelente
“Por uma noite, Murakami leva-nos com ele através de uma Tóquio sombria, onírica, hipnótica. Um deslumbrante romance perpassado de uma singular atmosférica poética, na fronteira entre a realidade e o universo fantasmagórico, onde cada pormenor, olhado retrospectivamente, faz sentido.
Num bar, Mari encontra-se mergulhada num livro, enquanto bebe o seu chá e fuma cigarro atrás de cigarro. Às tantas, entra em cena um músico que a reconhece. Ao mesmo tempo encerrada num quarto, Eri, a irmã de Mari, dorme com os punhos cerrados, sem saber que está a ser observada por alguém.
Em torno das duas irmãs desfilam personagens insólitas: uma prostituta chinesa vítima de agressão, a gerente de um hotel do amor, um técnico informático, uma empregada de limpeza em fuga.
Sucedem-se acontecimentos bizarros: um aparelho de televisão que, de um momento para o outro, começa bruscamente a funcionar, um espelho que conserva os reflexos.
Em Tóquio, durante as horas de uma noite, vai desenrolar-se um estranho drama…”


A minha opinião:

Um livro magnificamente estranho, com movimentos estranhos, com personagens estranhas nas suas acções, mas particularmente bem concebidos quer os personagens, o tempo e a interligação entre os mesmos. Pois prende-nos na busca de resposta que sabemos à partida não irão ser encontradas. Contudo, ler Haruki Murakami é isto mesmo, é não procurar respostas, é “viajar pela leitura sem rumo, sem intenção só para viver a aventura…” de um mundo que à partida não faz sentido, mas que nos faz reflectir.
A narrativa desenrola-se apenas e durante uma única noite, na cidade de Tóquio. Onde um relógio e uma “câmara” nos guiam no tempo e no espaço, ou mesmo em dois espaços distintos e no mesmo tempo real, levando-nos mais um vez ao fantástico, onde não encontramos respostas, onde as pontas soltas imperam como já esperávamos ou como eu já esperava.
Um livro que recomendo com algumas reservas, pois Murakami tem uma escrita particular e peculiar.

Classificação: 4/6 - Bom

No fórum Estante dos Livros, vamos iniciar mais uma leitura conjunta que se realizará em Setembro. A votação incidiu sobre o livro “Morte no Nilo” de Ágatha Christie. Quem estiver interessado em participar pode fazê-lo aqui: http://s11.zetaboards.com/Estante_de_Livros/topic/7195077/1/ .

Parabéns ao fórum por mais esta iniciativa!

Sobre a autora: Ágatha Christie (1890-1976)

“Rainha do Crime”, chamaram-lhe.
Criadora de dois dos mais carismáticos detectives com que alguma vez os leitores de policiais se cruzaram (o refinado Hercule Poirot, sempre orgulhoso das suas “pequenas células cinzentas” e a adorável Miss Marple), Ágatha Christie está registada no Livro Guinness dos Recordes como a autora que mais livros vendeu, deixando para trás Shakespeare e sendo batida apenas pela bíblia. Há milhões de leitores que talvez não tenham lido mais nada, mas leram os seus intrincados mistérios.

O que nos ensinou: A culpa nem sempre é do mordomo.”*

*Revista Ler Maio 2008

O Pacto - Jodi Picoult

"Os Harte e os Gold vivem lado a lado há dezoito anos, partilhando tudo, desde a comida chinesa e a varicela até à boleia dos filhos para a escola. Pais e filhos são os melhores amigos, por isso o namoro entre Chris e Emily no liceu não foi nenhuma surpresa. São almas gémeas desde que nasceram.
Quando recebem o telefonema do hospital, ninguém está preparado para a chocante verdade: Emily, de apenas dezassete anos, morreu com um tiro na cabeça, aparentemente resultado de um pacto suicida. Chris diz à polícia que a bala que resta na arma lhe era destinada, mas uma detective local tem dúvidas.
Num único momento aterrador, os Harte e os Gold enfrentam o maior medo de um pai: será que conhecemos verdadeiramente os nossos filhos?"
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De uma leitura fácil e fluída, a história baseia-se na infância e juventude entre dois jovens namorados que cresceram juntos e que se sentem unidos como irmãos.
Emily é uma jovem que aparenta ser feliz, tem tudo para ser feliz, mas não o é. Essa infelicidade provém de algo que lhe aconteceu na sua infância e que a marcou para sempre. Se tivesse falado com os seus pais, talvez tivesse ultrapassado esse episódio aterrador. Mas não o fez porque pensou que era merecedora de tal acontecimento. Pois tinha, de certo modo, "quebrado" as regras da sua própria segurança. Mas há algo mais que lhe causa muita infelicidade: a sua relação amorosa com Chris. Como cresceram juntos, Emily vê nele um irmão, no seu pensamento paira o sentimento de uma relação incestuosa. Contudo, nada lhe diz para não o magoar.
Tentando não causar desgosto a ninguém, por não ser a filha que pensavam ou a namorada ideal, Emily só vê uma solução para a sua dor: o suicídio. Mas este suicídio é encarado como um pacto e depois como um assassinato, o final é surpreendente!
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Picoult aborda de forma ímpar os sentimentos dos personagens, fazendo uma análise psicológica detalhada dos mesmos. Assim como as atitudes e reacções numa relação; numa prisão e, mesmo dentro de um tribunal.
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Gosto dos livros de Jodi Picoult, porque abordam temas da actualidade relacionados com a juventude, temas problemáticos. Picoult, mostra-nos “o outro lado da moeda” destes mesmos problemas. O que pode estar na sua origem! O Pacto, é daqueles livros que quando acabamos de ler, pensámos: Como podemos fazer com que os nossos filhos confiem em nós para nos contarem seja o que for?
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Mais uma vez, a escritora fez-me reflectir sobre o meu papel de mãe. Por mais que queiramos transmitir aos nossos filhos confiança e amizade tendo por base a abertura, poderá haver sempre um certo “abismo” nesta relação. Tentemos a todo o custo ultrapassá-lo!
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Classificação: 5/6 - Muito Bom

The last page...


"You know you’ve read a good book when you turn the last page and feel as if you’ve lost a friend."*
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* autor desconhecido
“Um homem desconhecido tenta salvar da morte um suicida. De seguida, espalha a mensagem que a sociedade moderna se tornou num manicómio global. O seu discurso fresco e irreverente conquista as pessoas, habituadas a frases feitas e ao “politicamente correcto”, ao mesmo tempo que as assusta. O que pensar de um estranho com ar de pedinte que fala da importância de vender sonhos ao ser humano? Uma ideia maravilhosa, mas invulgar...Numa época em que nos habituamos ao ritmo e às exigências desmesuradas de um relógio que não pára. Libertarmo-nos das grilhetas da rotina e recuperarmos a consciência do que é, de facto, importante nesta vida pode ser assustador. Mas é fundamental!

Ao longo deste romance poderá seguir os passos de um Vendedor de Sonhos, uma personagem fascinante que nos deixa na dúvida se trata de um sábio ou do mais louco dos seres?! Uma história que lhe fará chorar, rir e, certamente, mudar a sua vida."

O que eu achei:

O livro começa, como a própria sinopse refere, com um indivíduo que se tenta suicidar saltando de um edifício. A dada altura chega uma figura que se senta perto dele e começa a colocar-lhe questões pertinentes sobre o seu ser. Questões que nunca havia reflectido, questões que lhe fazem querer agarrar novamente a vida, querer recuperar, querer viver…
Ao longo do livro, este estranho - Vendedor de Sonhos - realiza um chamamento a alguns indivíduos da sociedade. Assim formam um grupo heterogéneo que despojados de tudo o que é material vão viver aventuras inesquecíveis e aprender que A VIDA PODE SER DIFERENTE DAQUELA QUE FAZEMOS QUESTÃO DE CONSTRUIR AO NOSSO REDOR.

Quando iniciei a leitura comecei a identificar frases já lidas em outros livros, comecei a pensar…porquê? Para quê??...
Depois, conclui que Augusto Cury deveria ter algum propósito para tal. A repetição faz relembrar, não esquecer, insistir… Pois como ele próprio refere mais do que vender um livro, uma história, os seus livros têm um objectivo: que o leitor reflicta. Dei por mim a fazê-lo, uma vez mais, sobre a minha própria vida e tudo o que me rodeia.
Um livro de uma leitura fluída e agradável. Foi muito bom e gratificante rever, uma vez mais, os seus conceitos.
Os seus livros são indispensáveis à mesa-de-cabeceira. Ler/reler Cury muda a nossa vida, o nosso olhar, as nossas atitudes, não só para connosco, mas também para com os outros.

Augusto Cury, é um psiquiatra, psicoterapeuta, investigador na área de psicologia e escritor que estou certa, já mudou a vida de muitas pessoas!

Classificação: 5/6 Muito Bom

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