Sinopse
A história de um escritor que se vê diante da oportunidade de escrever o argumento para um filme de longa-metragem. O personagem em questão é o alter ego do autor, Henry Chinaski, poeta e romancista de relativo sucesso com forte queda para as mulheres e para a bebida. Esta história foi baseada na experiência de Bukowski ao escrever o argumento do filme Barflay (1987). Uma história que satiriza a indústria do cinema e algumas figuras bem conhecidas do meio, compondo um retrato irresistivelmente irreverente de Hollywood ao mesmo tempo que dá continuidade à sua autobiografia ficcionada em vários volumes.



Opinião
Sardónico. Auto-destrutivo. Corrosivo.
“Hollywood” de Bukowski, tal como a maioria dos seus romances, fala dele mesmo e das suas experiências e vivências, sob a perspectiva do personagem Chinaski. Este ponto constitui em si um óptimo chamariz para a leitura do livro, não só pelo estilo de vida que o autor sempre levou, como pela forma como ele via o mundo e, fundamentalmente, as pessoas. Curiosamente, ao contrário do que aconteceu em “Correios” – também ele com Chinaski como protagonista, embora numa fase ainda jovem da sua existência –, Bukowski mostra um grande respeito pela mulher com a qual partilhava a sua vida no momento, levando-me a crer que foi de facto o seu grande amor. Ela parecia ser o seu equilíbrio, a pessoa que o aconselhava, que ele ouvia – provavelmente a única que ele conheceu –, que não o proibia de beber – o tema fulcral da obra – nem de dizer o que lhe ia na alma, mas que lhe colocava um permanente travão. Afinal, naquela fase, Bukowski já não era uma criança. Imagino que ele diria que era uma criança sexagenária na data.
O enredo desenvolve-se em redor de um argumento que Bukowski decide elaborar para um filme. Um filme sobre si mesmo, na altura em que passava a vida nos bares. Esta película realmente saiu para o grande ecrã, em que Mickey Rourke fez o papel de Chinaski – ou Bukowski.
Portanto, toda a história passa-se em volta dos caprichos dos actores, dos devaneios dos produtores e realizadores, dos avanços e recuos do financiamento para a elaboração do filme e do dia-a-dia do próprio Bukowski, que nesta altura da sua vida consistia em escrever, beber e pouco mais, talvez morrer lentamente.
Em determinadas partes, o autor arrasa a mentalidade humana, assim como a sociedade; e, a certa altura, fulmina completamente os seus colegas escritores.
De todas as partes que compõem este livro, o início é absolutamente delicioso, quando Chinaski aceita escrever o guião, com o único propósito de ter bebidas de borla aquando das reuniões com os produtores e realizadores, depois de ter ficado altamente impressionado com a qualidade e quantidade das garrafas que lhe foram apresentadas.
Confesso que não gostei tanto de “Hollywood” como gostei de “Correios”, mas, ao que parece, Bukowski era da mesma opinião, ao afirmar que ele mesmo era um autor em decadência. Algo, porém, que não concordo, porque para mim foi dos melhores.

1 comentários:

    On 09 fevereiro, 2015 Patrícia disse...

    Esse é o livro menos bem conseguido, Vasco. Ainda ssim eistem reparos mordazes e inteligentes. Gosto bastante de Bukowski.

    Todos os outros são muito bons,os de peosia incluídos.Na minha opinião, devem ser lidos no original, em português perde-se demasiado, ainda que a tradução seja bem feita.

     

Blogger Templates by Blog Forum