Werther - Goethe


Neste romance de Goethe há sobretudo a valorização do “eu” por parte do personagem Werther.
Werther é um jovem pintor, sensível aos outros e à natureza. É tão sensível ao que o rodeia que se nota estar perante uma mente perturbada e atormentada com as questões para as quais não encontra resposta. Ao longo de todo o romance apresenta um perfil suicida, pois a seu entender, através da morte o corpo e a alma encontram descanso. Há a valorização da natureza até ao mais pequeno ser vivo. Esta valorização é tão sentida que Werther chega a sofrer ao pensar que um simples passeio no campo provocará a morte dos mais pequenos seres vivos existentes na terra, onde ele pisará.
Abomina a diferença entre as classes embora reconheça que é uma diferença necessária (um pouco paradoxal), condena as “paixões mais miseráveis” que se traduzem na mentira e no querer apresentar à sociedade uma imagem que não se tem. Defende ainda que o homem deve sempre apresentar felicidade perante o outro. Primeiro para que não provoque no seu semelhante o mesmo tipo de sentimentos e segundo para guardar “reservas” necessárias para lidar com os futuros problemas da vida. No entanto e ao longo do romance werther prova não ser capaz de colocar em prática o que defende. Pois quando experimenta a infelicidade não será capaz de a disfarçar perante o outro.
Werther apaixona-se por Charlotte mesmo sabendo-a comprometida. Com ela, o seu ser completa-se e por ela sofre de forma atroz. Para ele, ela é um anjo, a personificação da bondade. Sendo assim, Werther “ama” tudo o que a rodeia, a natureza, os irmãos e até o próprio noivo. Os sentimentos são valorizados acima de tudo na vida.
À medida que vamos lendo, sentimos um tom crescente na história que culmina com a libertação de Werther.

Uma obra excelente, uma leitura que aconselho!

Classificação: 6/7 - Excelente

7 comentários:

    On 24 janeiro, 2010 Náh disse...

    Olá, Paula!
    Adorei seu cantinho! Acho que é a primeira vez que visito! Vou seguir!
    Ah... Você já ficou sabendo da Brincadeira Literária que eu estou montando? É mais ou menos assim: uma espécie de blogagem coletiva, onde você vai nos contar se se lembra do primeiro livrinho que leu.
    Dei uma reformulada nas regras e nas sugestões de postagem... O pessoal andava meio esquecido, então acrescentei uma alternativa... Se você não se lembra do primeiro livro que leu, agora você pode participar dizendo qual o livro mais velhinho da sua estante...
    Gostaria muito que você participasse.... Conto com você!
    Beijos,
    Náh

     

    Olá Paula
    ora aí está um livro que eu vou ler em breve! Recebi-o recentemente de presente e já está na fila de espera!
    Não é que eu me entusiasme muito com os escritores do chamado romantismo, com aquela tendência para o dramalhão, mas este é um livro pioneiro. Dizem os entendidos que Goethe foi o primeiro escritor romântico. Dizem também que numerosos jovens se suicidaram depois de ler este livro. Bem, ainda bem que já não entro no conceito de "jovem" :) Ou será que isso também pode afectar os da "meia idade"?
    beijinhos

     

    Gosto da literatura de Goethe. Ele toca nos sentimentos humanos associado com mobilização social.

    Abraços e parabéns pelo blog.

     

    Ai, ai os Sofrimentos do Jovem Werther... o absoluto simbolo do romantismo alemão.
    Lembro que quando li o livro, sentia a volatilidade das minhas emoções... Charlotte que apesar de querer ser fiel ao noivo, ainda estimulava mais Werther e seu amor com sua atitude... não achas que ela foi um pouco egoísta, queria o amor de todos para si?

    Como diz o poeta brasileiro Augusto dos Anjos... "a mão que afaga é a mesma que apedreja"... mas acho que no fim... Werther sentiu o alívio de amar até a morte, amor sem medidas, amor eterno!

     
    On 25 janeiro, 2010 Paula disse...

    Náh,
    Já me vou informar sobre isso :)

    Manuel Cardoso,
    Acho que vais gostar desta leitura embora seja dramática (o romantismo associado ao dramatismo)retrata os sentimentos da alma, as questões e dúvidas do ser. Sem dúvida muito profunda.
    O final de Werther é a sua libertação, mas de forma muito sofrida.
    Goethe também colocou muitos dos seus sentimentos em Werther, pois reza a história que Goethe também teve um amor proíbido :P

    Valdeir,
    Embora tenha sido o primeiro romance que li de Goethe, gostei muito. Bem vindo ao blogue :)

    Ju,
    Não acho que ela queria o amor de todos para si...acho que Werther não quis aceitar o que Lotte poderia dar-lhe: amizade.
    Werther queria Lotte para si e sendo isto impossível resolveu colocar um fim ao seu sofrimento.

    Um abraço a todos

     

    Quando se fala de grandes histórias de amor, o mais comum é mencionar o tal "Romeu e Julieta" (a meu ver, uma história completamente imbecil que fala de dois palermas). Pois, daquilo que já li e conheço, "Werther", de Goethe, é muito mais tudo aquilo que se diz (de positivo) da obra de Shakespeare.

     

    Faz tempo que li mas eu lembro que gostei bastante! Fiz uma brincadeira com ele no meu blog, se quiser dar uma olhada =)
    bjo!

     

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