Memórias Dos Dias Sem Fim - Luís Rosa
06/12/2009 by Paula
Sinopse:
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"Com a publicação de Memória dos Dias sem Fim, o novo livro de Luís Rosa, o romance histórico português rasga novos horizontes, simultâneamente mais vastos e profundos, reveladores da própria dimensão humana. É a realidade da guerra em toda a sua desconformidade e falta de sentido, capaz de denunciar as muitas faces ocultas do homem, desnudando-o e mostrando-o como realmente é – sofredor, idealista, solidário, cruel. Mas, patentes nestas páginas de grande intensidade psicológica e sociológica, estão também outras realidades - as culturas, comportamentos e mentalidades da sociedade guineense que permeiam o quotidiano da guerra, a solidariedade que a crueza das circunstâncias comuns faz surgir entre negros e brancos, ou ainda a amizade incondicional que nasce espontâneamente entre irmãos de armas. O sentimento intenso do absurdo da guerra narrado por quem o viveu na primeira pessoa, a manifestação de um homem oculto que se expressa na luta pela sobrevivência no horizonte intenso dos dias sem fim."
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Sobre o autor:
"O primeiro romance de Luís Rosa, O Claustro do Silêncio, foi desde logo a sua consagração, ao ser distinguido com o Prémio Vergílio Ferreira. Seguiu-se-lhe O Terramoto de Lisboa e a Invenção do Mundo, que a crítica não deixou passar sem elogiosas referências e o público esgotou, numa primeira edição, em menos de um ano. O Amor Infinito de Pedro, Inês e Bocage – a Vida Apaixonada de Um Genial Libertino e O Dia de Aljubarrota receberam por parte do público e da crítica o mesmo entusiástico acolhimento. Luís Rosa é natural de Alcobaça, e licenciou-se em Filosofia e, mais tarde, em Gestão. Trabalhando na área de gestão de uma grande empresa portuguesa, desenvolveu também uma intensa actividade como docente universitário. É membro da Academia Portuguesa de História."
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A minha opinião:
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“A guerra tem cores próprias, rosnar próprio. É como um monstro uniforme a bordejar as vidas e a sufocar as almas, soprando por interesses e ódios abatendo-se sobre gente que se interroga por que está ali e tem que ser assim”
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É através de uma linguagem emotiva que Luís Rosa nos descreve o cenário da guerra colonial de África.
O cenário daqueles que lutaram para nunca mais esquecer, pois o passado destes homens tornou-se “constantemente memórias de uns dias sem fim que nunca teriam a misericórdia do esquecimento”.
Ao longo da história é realçado o modo como o homem se revela em guerra. Por mais pacato que seja, as situações desencadeiam reflexos que fazem desaparecer o homem civilizado, educado revelando-se frio, cruel, detentor de uma brutalidade e fúria que desconhecia até então, fazendo-o assim, retornar ao “primitivismo bárbaro”.
Os laços criados entre os que combatem são únicos e inesquecíveis, fazendo com que todos sejam um só! “Só em África se aprende o longo livro profundo da amizade”
Ver um amigo levar um tiro quando há pouco ainda esboçava um sorriso havia de ficar para sempre “nas memórias dos dias sem fim”
O estar atento torna-se uma constante, a morte espreita a toda a hora. Mas quem não morre fica sujeito a uma eternidade de constante terror.
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O final desta narrativa está magnificamente conseguido, através de reflexões sobre o sentido da guerra e da guerra colonial de África.
Dois homens que combateram em campos opostos, sentam-se e jantam (anos depois da guerra). Olhando para o passado fazem uma reflexão sobre os ideais pelos quais lutaram. Concluo a minha opinião deste excelente livro com uma das reflexões dos personagens:
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É através de uma linguagem emotiva que Luís Rosa nos descreve o cenário da guerra colonial de África.
O cenário daqueles que lutaram para nunca mais esquecer, pois o passado destes homens tornou-se “constantemente memórias de uns dias sem fim que nunca teriam a misericórdia do esquecimento”.
Ao longo da história é realçado o modo como o homem se revela em guerra. Por mais pacato que seja, as situações desencadeiam reflexos que fazem desaparecer o homem civilizado, educado revelando-se frio, cruel, detentor de uma brutalidade e fúria que desconhecia até então, fazendo-o assim, retornar ao “primitivismo bárbaro”.
Os laços criados entre os que combatem são únicos e inesquecíveis, fazendo com que todos sejam um só! “Só em África se aprende o longo livro profundo da amizade”
Ver um amigo levar um tiro quando há pouco ainda esboçava um sorriso havia de ficar para sempre “nas memórias dos dias sem fim”
O estar atento torna-se uma constante, a morte espreita a toda a hora. Mas quem não morre fica sujeito a uma eternidade de constante terror.
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O final desta narrativa está magnificamente conseguido, através de reflexões sobre o sentido da guerra e da guerra colonial de África.
Dois homens que combateram em campos opostos, sentam-se e jantam (anos depois da guerra). Olhando para o passado fazem uma reflexão sobre os ideais pelos quais lutaram. Concluo a minha opinião deste excelente livro com uma das reflexões dos personagens:
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“Aprendemos o sentido enganoso da palavra colonialismo na nossa juventude!-disse
- Colonialismo era domínio político, passado pela fronteira da diferenciação rácica e social – respondeu e continou:
- Hoje é mais refinado. Colonialismo pode persistir para além do domínio político. Na economia, na asfixia da vontade de evoluir, no jogo financeiro, na dívida, na sujeição ao preço, no fomentar a discórdia…”
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Um livro que aconselho!
“Aprendemos o sentido enganoso da palavra colonialismo na nossa juventude!-disse
- Colonialismo era domínio político, passado pela fronteira da diferenciação rácica e social – respondeu e continou:
- Hoje é mais refinado. Colonialismo pode persistir para além do domínio político. Na economia, na asfixia da vontade de evoluir, no jogo financeiro, na dívida, na sujeição ao preço, no fomentar a discórdia…”
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Um livro que aconselho!
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Classificação: 4/6 Bom

Tens um selo de natal no meu blog a aguardar-te... Espero que recebes os cinco livros desejados!
Um grande beijinho natalício!
Muitos entendidos afirmam já que o tema "guerra colonial" está estafado na literatura portuguesa. Parece-me uma opinião algo disparatada na medida em que esse fenómeno, que vitimou milhares de portugueses está bem vivo na memória colectiva portuguesa.
Nunca será demais lembrar todos quantos sofreram com a teimosia e diria mesmo a estupidez de um regime político anacrónico, brutal e insano que nos governou durante quase 50 anos.
Sobre este assunto gostava de recomendar as cartas de Guerra de Lobo Antunes, publicadas recentemente sob o título (cito de cor, com possibilidade de errar): "D'este Viver Aqui neste Papel Descripto". Trata-se de um testemunho comovente, de um grande escritor e de um homem que é, genuinamente, uma "boa pessoa". Tocante.
Flicka,
Obrigado:)
José,
Ora aí está um livro que já peguei inúmeras vezes na livraria, contudo nunca o comprei...acho que o vou colocar na wish list :)
Um abraço
que delícia esse blog! Adoro!