AQUISIÇÕES



Estas foram as minhas recentes aquisições.
Li óptimos comentários destes livros aqui e aqui .
Simplesmente irresistível!!
O tema escolhido para a Tertúlia Virtual deste mês é " O QUE TE FAZ SENTIR EM CASA?", poderíamos escolher uma foto, uma frase...talvez um aroma e porque não?
Eu escolhi um poema de José Luís Peixoto intitulado "O Silêncio das Manhãs"
.
o silêncio das manhãs
e a magia cantada da nossa felicidade,
recordas mãe o riso aberto
das crianças na paz do nosso quintal?,
a luz filtrada pelos pessegueiros
e a luz maior e muito mais limpa do olhar,
recordas mãe a segurança
calada dos nossos abraços distantes?,
as minhas irmãs meninas, o
meu pai, o teu rosto pequeno, menina,
recordas mãe os domingos
com gasosa e uma galinha depenada?,
a tua cadela sem raça a guardar-nos
e a dormir quieta aos nossos pés,
recordas mãe como morreu
como acabaram os domingos e as manhãs
para nunca mais ser domingo
ou manhã no silêncio do nosso quintal?
.
José Luís Peixoto in a criança em ruínas


José Luís Peixoto, com este poema mostra-nos “o que nos faz sentir em casa”
As manhãs de Domingo, as brincadeiras no quintal, o sol, a sombra das árvores, a “segurança” que é estarmos perto de quem mais gostamos e sentirmo-nos verdadeiramente seguros.
Os almoços especiais de Domingo, a família reunida, as conversas, o cão sentado à porta do quintal a observar as crianças brincarem…
Embora Luís Peixoto termine o poema em retórica para o desaparecimento das manhãs de Domingo, a recordação, destas, fá-lo retroceder com saudade às suas brincadeiras, à sua família.
.
As minhas manhãs de Domingo…
Quantos de nós não tivemos Domingos de brincadeira ao sol?
Quantas vezes não brincámos à bola, às apanhadas, ao elástico. Eu costumava brincar com o meu irmão perto da figueira do nosso quintal.
Brincávamos e pensávamos nos trabalhos de casa que ainda não havíamos feito para a Segunda – feira que se aproximava…
Os Domingos sabiam e sabem tão bem, pareciam e continuam a parecer tão curtos…

QUE LUGAR ME FAZ SENTIR EM CASA??
Um Domingo de sol, esteja eu onde estiver…
Quer esteja em casa ou na "terra encantada chamada Cidade da Esmeralda" ...



"There's no place like home"

"There's no place like home"


A TERTÚLIA É REALIZADA PELO BLOG TERTÚLIA VIRTUAL criado por Jorge Pinheiro (Expresso da Linha) e Eduardo P.L. ( Varal de Ideias). Parabéns aos dois pela iniciativa!


COMENTÁRIOS ELABORADOS PARA A TERTÚLIA VIRTUAL

TEMAS PROPOSTOS:

ISTO

Woman Reading 1894 - H. Matisse
.
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
.
Tudo que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como um terraço
Sobre uma cousa ainda.
Essa cousa é que é linda.
.
Por isso escrevo a meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
.
Fernando Pessoa
Marco Pólo fala a Kublai Kan das cidades do Ocidente, maravilhando o imperador mongol com as suas descrições. Estas cidades, no entanto, existem apenas na imaginação do mercador veneziano: a sua vida encontra-se apenas dentro das suas palavras, uma narrativa capaz de criar mundos, mas que não tem forças para destruir o “inferno dos vivos”. Este livro tem o lirismo dos livros de poemas, poemas que por vezes descrevem as cidades e outras vezes a forma de pensar e de ser dos seus habitantes. Invertendo os papéis do Livro das Maravilhas, através do qual Marco Pólo revelou o Oriente ao mundo ocidental, Calvino arquitectou o livro que o estabeleceria com uma das referências incontornáveis da literatura pós-moderna.”

Através do diálogo entre Kublai Kan e Marco Pólo, ficamos a conhecer as cidades fantásticas que surgem na sua imaginação, é um discurso um tanto poético onde o real e o imaginário fundem-se num só.
O Imperador sabe da inexistência das cidades, mas mesmo assim gosta de "viajar" com Marco Pólo e, muitas vezes, também consegue dar asas à sua imaginação...

Uma leitura a não perder! Uma viagem inesquecível…
Classificação: 4/6 - Bom


Somewhere or other there must surely be
The face not seen, the voice not heard,
The heart that not yet – never yet – ah me!
Made answer to my word.

Somewhere or other, may be near or far;
Past land and sea, clean out or sight;
Beyond the wandering moon, beyond the star
That tracks her night by night.

Somewhere or other, may be far or near;
With just a wall, a hedge, between;
With just the last leaves of the dying year
Fallen on a turf grown green.
.
Christina Rossetti
.
*imagem retirada da internet

DEZANOVE MINUTOS - Jodi Picoult

“Em Sterling, New Hampshire, Peter Houghton, um estudante de liceu com dezassete anos, suportou anos de abuso verbal e físico por parte dos colegas. A sua amiga, Josie Cormier, sucumbiu à pressão dos colegas e agora dá-se com os grupos mais populares que muitas vezes instigam o assédio. Um incidente de perseguição é a gota de água para Peter, levando-o a cometer um acto de violência que mudará para sempre a vida dos residentes de Sterling.”

O que eu achei:

Este é mais um dos romances de Picoult que vale a pena ler!
Trata de situações presentes no nosso dia a dia e de como lidámos com elas ou de como agimos perante a sociedade.
Como cidadãos, muitas vezes, agimos de acordo com as “regras” da sociedade para sermos aceites ou bem vistos perante esta !!
Picoult dá-nos exemplos expondo várias personagens:
A mãe de Josie, a Juíza Cormier que praticamente perdeu a oportunidade de partilhar a juventude da sua filha, a qual mal conhecia os seus sentimentos e acções. Tudo porque importava apenas ser bem vista pela sociedade, importava ter sucesso na carreira e, realmente, consegue conquistar tudo isso, mas a sua filha passa para segundo plano!
Josie, é outra das personagens que age em função do que os outros esperam, nomeadamente os colegas e o próprio namorado. Mas Josie tem consciência que estas acções estão erradas e no final consegue mudar a sua atitude mesmo não sendo da melhor forma;
Peter, o personagem principal, é um aluno que foi agredido verbalmente durante anos. Desde o jardim de infância em que os colegas faziam troça dele. Não tinha amigos e a sua única amiga abandona-o para se juntar ao grupo dos “populares”…
As agressões consistiam em atirar o almoço ao chão, baixarem-lhe as calças na cantina, chamarem-lhe nomes, darem-lhe socos…
Peter, todos os dias a caminho da escola rezava para que ninguém reparasse nele!
Uma história triste e que infelizmente existe nas nossas escolas.
Mais uma vez Jodi põe-nos a pensar com este romance!

Deixo um excerto de que gostei particularmente:

“Quando era pequeno costumava por sal em cima das lesmas. Gostava de vê-las dissolverem-se diante dos meus olhos. A crueldade é sempre um pouco divertida até nos apercebermos de que estamos a magoar alguém.
Uma coisa é sermos um totó quando ninguém nos presta atenção, mas na escola isto significa que nos procuram intensivamente. Somos a lesma e eles têm o sal na mão. E não possuem consciência.
Há uma palavra que aprendemos em estudos sociais: Sadismo. É quando gostamos de ver alguém sofrer. No entanto, a verdadeira questão é porquê?
Acho que em parte se trata apenas de instinto de sobrevivência. E em parte porque um grupo fica mais coeso quando se junta contra um inimigo. Não importa que esse inimigo nunca tenha feito nada para nos prejudicar – Temos apenas que fingir que detestamos alguém ainda mais do que nos detestamos a nós próprios (…)”
Classificação: 4/6 - Bom

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