O Leitor

“Em 1960, Michael Berg é iniciado no amor por Hanna Schmitz. Ele tem 15 anos, ela 36. Ele é apenas um adolescente. Ela é uma mulher madura, bela, sensual e autoritária. Os seus encontros decorrem como um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê, ela escuta e finalmente fazem amor. Mas este período de felicidade incerta tem um fim abrupto quando Hanna desaparece subitamente.
Michael só a encontrará muitos anos mais tarde, envolvida num processo de acusação a ex-guardas dos campos de concentração nazis. Inicia-se então uma reflexão metódica e dolorosa sobre a legitimidade de uma geração, a braços com a vergonha, julgar a geração anterior, responsável por vários crimes.”

O que eu achei:

Ler “O Leitor” foi viciante e triste. A história é narrada sob a forma de eterna saudade. O romance, cativou-me do início ao fim. Pois, Bernhard Schlink consegue transmitir, os cheiros, os medos, as desilusões, as dúvidas, as saudades de uma forma sublime.
Para mim, um romance inesquecível.
Classificação: 6
Esta magnífica história deve ser lida e explorada com os mais pequenos.
É uma crítica à sociedade sob a forma de um belo conto, no qual é retratado a história do Príncipe Feliz.
Enquanto foi vivo o Príncipe, foi protegido de todo o mal da sociedade. Contudo, após a sua morte, erguem a sua estátua numa alta coluna no centro da cidade.
Do alto da coluna, o príncipe passa a ver a sociedade com todas as suas particularidades e dá-se conta do egoísmo em que viveu e em que continuavam a viver os habitantes.
É também uma bela história de amor. Pois, por aquela cidade passa uma andorinha e ao tentar abrigar-se debaixo da estátua do príncipe, dá-se conta que o príncipe chora e tentando saber o que se passa, a ave tenta ajudá-lo, desenrolando-se uma amizade muito especial. Com a ajuda da sua amiga andorinha, o príncipe tenta amenizar, algum, dos males da sociedade. É também uma história muito comovente. Eu diria que Óscar Wilde no seu melhor para os mais pequenos.
Classificação: 6

SIDDHARTHA - um poema indiano


"Nascido na Índia no século VI a.C., filho de um brâmane. Siddhartha passa a infância e a juventude numa existência calma e contemplativa. A certa altura, porém, abdica da vida luxuosa, protegida, e parte em peregrinação pelo país, onde a pobreza e o sofrimento eram regra. Na sua longa viagem existêncial, Siddhartha experimenta de tudo, usufruindo tanto as maravilhas do ssexo quanto o jejum absoluto. entre os intensos prazeres e as privações extremas, termina por descobrir "o caminho do meio", libertando-se dos apelos dos sentidos e encontrando a senda da paz interior. Em páginas de rara beleza, Siddhartha descreve sensações e impressões como raramente se consegue. Lê-lo é deixar fluir como o rio onde Siddhartha aprende que o importante é saber escutar com perfeição." *
.
O que eu achei:
Esta leitura, fez-me reflectir, uma vez mais sobre as coisas simples da vida que tanta vez complicamos.
Siddhartha alerta-nos para o facto de, muitas vezes, estarmos tão cegos para atingir um objectivo, que este ao encontrar-se perante nós e ao sorrirmos para ele, passámos adiante continuando a sua procura.
Mostra-nos também que tudo na vida é necessário, tudo faz parte de um ciclo, o sofrimento, a alegria, o erro. Sem experimentar tudo isto, o ser não está completo, nunca olhará para as desgraças, para o sofrimento ou alegria do outro com compreensão, fará sempre uma má interpretação das reacções alheias.
7/10

A Viagem do Elefante

"Em meados do século XVI o rei D. João III ofereceu a seu primo, o arquiduque Maximiliano de Áustria genro do imperador Carlos V, um elefante indiano que há dois anos se encontrava em Belém, vindo da Índia.
Do facto histórico que foi essa oferta não abundam os testemunhos. Mas há alguns. Com base nesses escassos elementos, e sobretudo com uma poderosa imaginação de ficcionista que já nos deu obras-primas como Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago coloca agora nas mãos dos leitores esta obra excepcional que é A Viagem do Elefante.
Neste livro, escrito em condições de saúde muito precárias, não sabemos o que mais admirar - o estilo pessoal do autor exercido ao nível das suas melhores obras; uma combinação de personagens reais e inventadas que nos faz sentir a realidade e a ficção como uma unidade indissolúvel, como é próprio da grande literatura; um olhar sobre a humanidade em que a ironia e o sarcasmo, marcas da lucidez implacável do autor, se combinam com a compaixão solidária com que José Saramago observa as fraquezas humanas.
Escrita dez anos após a atribuição do Prémio Nobel, A Viagem do Elefante mostra-nos um Saramago em todo o seu esplendor literário" *
.
O que eu achei:
Bem, pelo tempo que estive a ler o livro, esse elefante não havia maneira de chegar a Áustria ;)
Mas...
Adorei. Confesso que este foi o primeiro livro de Saramago que consegui ler até ao fim, já tentei vários e fico sempre pelas metades dos romances.
A Viagem do Elefante é como todos os outros romances de Saramago, denso, a pontuação usada é a virgula e o ponto, encontrar um parágrafo é como encontrar uma agulha num palheiro. Contudo, a forma como a história é narrada supera tudo. Acaba por ser uma história divertida, onde o sarcasmo, a crítica à igreja, à monarquia e a toda a sociedade portuguesa abundam.
8/10

*A Viagem do Elefante, José Saramago

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...
.
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
.
Hoje, segues de novo...Na partida
Nem o pranto os teus olhos humedece,
Nem te comove a dor da despedida.
.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.
.
Olavo Bilac 1865-1918
in melhores poemas de Olavo Bilac, selecção Marisa Lajolo, 3ª edição S. Paulo Global 2000



Foi com grande alegria que recebi o selo 66? do blog "Livros e Outras Coisas" http://livroseoutrascoisas.blogspot.com/ e "floresta das leituras" o meu muito obrigado com um enorme sorriso.

Associado ao selo vêm algumas regras, são elas:

1. Linkar a pessoa que o/a indicou.
2. Escrever as regras no blogue.
3. Contar 6 coisas aleatórias sobre si.
4. Indicar mais 6 pessoas e colocar os links respectivos no final do post.
5. Deixe a pessoa saber que a indicou, deixando um comentário para ela.
6. Deixe os indicados saberem quando você publicar seu post.

Seis coisas sobre mim:

1- Tenho duas filhas lindas
2- Adoro ler ouvindo música clássica
3- Já pratiquei Tai Chi Chuan
4- Não pode faltar chá verde cá em casa
5- Gosto de ir ao Cinema
6- Obrigatório no saco de praia: Protector solar, livros, I Pod.


E porque o mundo quer saber mais sobre os outros blogs, os nomeados são:

1- Mil Livros, um sonho - http://viagemnasleituras.blogspot.com/
2- Butterfly - http://letraseprozac.blogspot.com/
3- livreo - http://livreo.blogspot.com/
4-Alma Poeta - http://serenaflor1964.blogspot.com/
5-Bookshelf da Betita - http://betita-bookshelf.blogspot.com/
6-Leituras da bauny - http://porta-ideias.blogspot.com/

Continuação de boas leituras a todos!!!
Este post faz parte da blogagem colectiva "O Livro da Minha Vida"que é proposta pela Vanessa do blog fio de Ariadne. http://fio-de-ariadne.blogspot.com/

O Livro da minha vida:



De todos os livros que tenho lido "A Saga de Um Pensador" do Augusto Cury, foi o livro que mais me marcou e que faço sempre referência. Pois, depois de o ter lido também mudei um pouco a maneira de olhar as coisas e situações.
Já fiz um comentário a este livro aqui no blog, no entanto, desta vez farei um mais abrangedor sobre a referida obra.
Marco Polo, é um jovem estudante de medicina. Na sua primeira aula de anatomia, o seu professor recusa-se a identificar os corpos que teriam de ser dissecados, dizendo que se tratavam apenas de mendigos, apenas corpos sem nome sem história.
O nosso personagem principal, inconformado com a justificação do professor propõe-se investigar, os seus nomes, as suas histórias. E aqui começa uma grande lição de vida para Marco Polo e sobretudo para nós leitores.
Marco Polo, disfarça-se de mendigo e durante um determinado tempo, vive na rua na companhia daqueles que nós muitas vezes ignoramos, sem saber as suas verdadeiras histórias.
Na rua, faz amizade com "Falcão"-um mendigo, mas um mendigo diferente, um mendigo que apela ao raciocínio, à arte de duvidar, de questionar , a certa altura o mendigo diz-lhe:
"- Marco Polo, o mundo em que você vive é um teatro. As pessoas frequentemente representam. Elas observam-se a todo o momento, esperando comportamentos previsíveis. Observam os seus gestos, as suas roupas, as suas palavras. A Liberdade é uma utopia. A espontaneidade morreu"*.
Quem seria este maltrapilho de tanta sabedoria, quem seria este homem que tinha tão pouco e parecia que tinha tanto?
Os diálogos entre Falcão e Marco Polo fazem-nos reflectir sobre a nossa sociedade e principalmente sobre as nossas atitudes.
Um livro que recomendo, um livro que nos fala sobre a essência do ser. 10/10

METAMORFOSE

Para a minha alma eu queria uma torre como esta,
assim alta,
assim de névoa acompanhando o rio.

Estou tão longe da margem que as pessoas passam
e as luzes se reflectem na água.

E, contudo, a margem não pertence ao rio
nem o rio está em mim como a torre estaria
se eu a soubesse ter...

uma luz desce o rio
gente passa e não sabe
que eu quero uma torre tão alta que as aves não passem
as nuvens não passem
tão alta tão alta
que a solidão possa tornar-se humana.

Jorge de Sena 1919-1978

Foi com muita alegria e surpresa que o ...viajar pela leitura... recebeu o "Prémio Dardos", oferecido pela Janna http://livrospuradiversao.blogspot.com/ , projecto/lê, Mil livros, um Sonho, Livreo e ao blog Livros e Outras Coisas. O meu muito obrigado.

"O Prémio Dardos se reconhece os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais etc., que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras."

E possui três regras:
1- aceitar exibir a imagem.
2- Linkar o blog do qual recebeu o prémio.
3- Escolher 15 blogs para entregar o Prémio Dardos

Bom, vamos aos nomeados então:

http://viagemnasleituras.blogspot.com/
http://marcadordelivros.blogspot.com/
http://leitura-constante.blogspot.com/
http://letraseprozac.blogspot.com/
http://estante-de-livros.blogspot.com/
http://wolney-custodia.blogspot.com/
http://fasciniodaspalavras.blogspot.com/
http://nuestramizade.blogspot.com/
http://arianerodrigues.blogspot.com/
http://devaneiosdulcissimosamarissimos.blogspot.com/
http://folha-rascunho.blogspot.com/
http://livreo.blogspot.com/
http://oparaisoeumaespeciedelivraria.blogspot.com/
http://projectole.blogspot.com/
http://olharoslivros.blogspot.com/
http://cogitarlamego.blogspot.com/

Parabéns a todos vocês!!
Todos os blogues que eu sigo e que seguem o ...viajar pela leitura... assim como, aqueles que apenas visitam ou que eu visito, são merecedores deste prémio.
Contudo, tentei seguir as regras. Primeiro pensei em colocar aqui a mensagem para que todos copiassem, mas achei que se assim fosse poucos o fariam. Então, o selo segue o destino, passando de blog em blog...
Um bem haja a todos vós...

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET



“Orfão, Guardião dos Relógios e Ladrão, Hugo vive entre as paredes de uma movimentada estação de combios parisiense, onde a sua sobrevivência depende de segredos e do anonimato. Eis que, de súbito, o seu mundo se encaixa – tal como as rodas dentadas dos relógios que ele vigia – com o de uma excêntrica rapariga, amante de livros, e o de um velho amargo, dono de uma pequena loja de brinquedos e a vida secreta de Hugo, bem como o seu segredo mais precioso são colocados em risco. Um desenho misterioso, um bloco que vale ouro, uma chave roubada e uma mensagem escondida do falecido pai formam a espinha dorsal deste confuso, terno e arrebatador mistério” *

O que eu achei:
Adorei ler este livro de Brian Selznick. Um livro de leitura fácil, fluída (se as filhotas deixassem tinha lido em duas horas ) e diferente pelas belas imagens a carvão que compõem o livro.
Hugo é um menino que apesar de fazer o que gosta - arranjar relógios numa estação de comboios - ainda não encontrou o seu propósito na vida “…uma máquina avariada me deixa sempre um bocado triste por não ser capaz de fazer aquilo para que foi destinada. (…) – talvez aconteça o mesmo com as pessoas – continuou o rapaz.- Se perdes o teu objectivo…é como se tivesses avariado (…) Às vezes venho aqui à noite, mesmo quando não estou a arranjar relógios, só para observar a cidade. Gosto de imaginar que o mundo é uma grande máquina. Sabes, as máquinas nunca têm peças a mais. Possuem o número e tipo exacto de peças que necessitam. Assim assumo que se o mundo inteiro é uma grande máquina eu tenho de estar aqui por alguma razão” *
Já ouvi dizer que dado o sucesso do livro, o filme vem a caminho…
Um livro imperdível 8/10
.
* in A Invenção de Hugo Cabret, Brian Selznick

Valentim - Bispo

A história de S. Valentim, começa quando o Imperador Claudio II, proibe os casamentos no seu reino, com a finalidade de formar um exército forte. Claudio, pensava que se estes não tivessem família estariam mais concentrados no treino e no campo de batalha. Contudo, Valentim, o Bispo, continuou a praticar o casamento em segredo. Quando foi descoberta a traição de Valentim ao imperador, foi preso e condenado à morte.
Assíria, uma jovem cega pediu a seu pai para visitar Valentim, os dois apaixonaram-se e ela recuperou a visão. Numa das cartas que o bispo escreveu à amada, assinou "de seu Valentim". Expressão que ainda hoje utilizamos. Valentim foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270 d.c
.
.
*Imagem: Cartão Postal do dia de S. Valentim, c. 1910
A informação foi retirada do site http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_dos_Namorados
Because I do not hope to turn again
Because I do not hope
Because I do not hope to turn
.
T.S. Eliot, Ash Wednesday
.
.
não te pergunto de onde chegas?,
porque sei para onde vais.
hoje é a hora exacta em que até o vento
até os pássaros desistem.
e a noite a teus pés é um instante
e um destino.
.
não te pergunto onde está o teu rosto,
tantas vezes ocluso e pisado sob os ramos,
onde está o teu rosto?
nem te peço que incendeies o teu nome
numa nuvem nocturna,
nem te procuro.
.
és tu que me encontras,
ficas no rio que passa,
nada de um tempo que não existe,
nem correntes, nem pedra, nem musgo,
nem silêncio.
.
in A Criança em Ruínas, José Luís Peixoto

Foi com muita surpresa e alegria que recebi o Sêlo "Vale a pena acompanhar esse blog"
do blog http://serenaflor1964.blogspot.com/. O meu muito obrigado à Serena Flor, o meu muito obrigado também à Flicka do blog "Mil Livros, Um Sonho"; à Sandra do Blogue "Vidas Desfolhadas"; ao "Projecto/Lê"; "Livreo";"Floresta das Leituras"; "marcador de Livros", "Palavras Partilhadas", "Cogitar" e ao blog Livros e Outras Coisas.

As regras são as seguintes:

1- Exibir a imagem;
2- Linkar o Blog do qual recebeu o prêmio;
3- Escolher 15 Blogs para entregar os prêmios e avisá-los.

Os 15 nomeados são:

*Mil Livros Um Sonho http://viagemnasleituras.blogspot.com/
*NLivros http://nlivros.blogspot.com/
*O Cantinho do Bookoholic http://leitura-constante.blogspot.com/
*Cogitar http://cogitarlamego.blogspot.com/
*Um livro no chá das cinco http://livronochadascinco.blogspot.com/
*A Romancista http://wolney-custodia.blogspot.com/
*Floresta das Leituras http://florestadasleituras.blogspot.com/
*A Leitura das Marias http://leiturasdasmarias.blogspot.com/
*Palavras Partilhadas http://letraseprozac.blogspot.com/
*Vidas Desfolhadas http://vidasdesfolhadas.blogspot.com/
*Bookshelf da Betita http://betita-bookshelf.blogspot.com/
*Um Farol Chamado Amizade http://nuestramizade.blogspot.com/
*Constelação das letras http://constelacao-das-letras.blogspot.com/
*Na companhia dos livros http://nacompanhiadoslivros.blogspot.com/
*Mariposando http://arianerodrigues.blogspot.com/
*Conspiração das Letras http://conspiracaodasletras.blogspot.com/


Eu sei, eu sei que nomeei 16 e queria nomear muitos mais :)

Desejos Vãos


Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
.
Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu quero a ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
.
Mas o mar também chora de tristeza...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos céus, os braços, como um crente!
.
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras...essas...pisa-as toda a gente!...
.
Florbela Espanca

Mayada - Filha do Iraque

Sinopse: "Mayada Al-Askari nasceu numa poderosa família iraquiana, num meio onde primavam a riqueza, a educação e o orgulho na herança cultural dos seus antepassados. Os seus avós eram ambos tidos como heróis: um deles lutara ao lado de Lawrence da Arábia, o outro era considerado o primeiro verdadeiro nacionalista árabe. O tio fora primeiro-ministro durante quase quarenta anos e a sua mãe desempenhara um importante papel no mundo da política. Mas quando o impensável aconteceu - a tomada do poder por Saddam Hussein - Mayada deu por si sozinha em Bagdad, divorciada, com dois filhos e rendimentos que mal lhe garantiam a subsistência. Longe iam os dias em que a sua vida era feita de privilégios e espontaneidade; no seu lugar estavam agora um mundo de brutalidade e medo, que culminará numa manhã de Agosto, em 1999, quando é sumariamente presa e levada para a famosa prisão de Baladiyat, falsamente acusada de imprimir propaganda antigovernamental. É então, encarcerada numa minúscula e imunda cela, juntamente com mais dezassete "mulheres-sombra", isolada do mundo e proibida de receber visitas."*
O que eu achei...
Uma história que desperta vários sentimentos no leitor e que revela as atrocidades que foram praticadas por um dos regimes mais cruéis da História, assim como, o modo de vida do seu ditador e sua família.
8/10
"Mayada (...) sentiu a dor de Samara tão nitidamente como se tivesse sido ao seu próprio corpo que os guardas tinham infligido queimaduras de cigarros, pontapés no ventre e choques eléctricos. Enquanto fitava o rosto angustiado da companheira de cela, vieram-lhe à memória, saídos da cultura do seu passado, excertos de um poema á muito esquecido do inglês Thomas Gray:
.
A cada um o seu sofrimento.
Todos são homens condenados
A gemer por igual.
A compaixão pela dor alheia,
O esquecimento da própria.
Porque haviam de conhecer o seu destino,
Se a tristeza nunca vem demasiado tarde,
E a felicidade se desvanece tão rapidamente"*
.
*in Mayada - Filha do Iraque, Jean Sasson

Como podem ver, estou reconstruíndo o blog. Perdi toda a informação da barra lateral, mas espero que este fim de semana fique resolvido. Estou tentando colocar todos os links perdidos.
Continuação de boas leituras...
.
Passado "umas boas horas"...
.
Acho que consegui recuperar quase tudo!
SÓ QUE, AGORA, NINGUÉM CONSEGUE MANDAR COMENTÁRIOS!!! (esta parte não sei como vou resolver)
Sem dúvida que isto dá uma trabalheira...aaahhhhhhhhhhhhh
.
Algum tempo depois...
.
Acho que agora está tudo ok. Valeu o esforço e a paciência, espero que gostem.
.
O meu obrigado à Gui pelas dicas...


O texto, que se segue, é um pouco extenso, eu sei, mas é lindo e tem todo o sentido e é nessa "extensão" que José Luís Peixoto nos explica a "Arte Poética", a palavra poema. Leia...

"o poema não tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não
se escrevem, Lê-se país e mar e céu esquecido e
memória, lê-se silêncio, sim tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar doce de menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?,que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é quando eu podia dormir à tarde nas férias
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu
fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a
letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha do
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas
e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre tudo.
o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para
abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo,
é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento,
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é a
raiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos
conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um
torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema
porque a palavra poema é um palavra, o poema é a
carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre
os telhados na hora em que todos dormem, é a última
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança.
o poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos,
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se
com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido. "

in a criança em ruínas, José Luís Peixoto


Hoje, fiquei surpreendida e muito feliz, quando vi no meu mail este prémio. Pensei que, como diz a Rhonda Byrne no seu livro O Segredo, é a Lei da Atracção a funcionar. Pois este é o terceiro prémio que recebo com muita felicidade num curto espaço de tempo. O meu muito obrigado ao blogues Palavras Partilhadas http://letraseprozac.blogspot.com/."Marcador de Livros"; Projecto/Lê"; "Paraíso é uma Espécie de Livraria" e "Leituras das Marias"

Vamos às regras então:

1- Exiba a imagem do selo "Olha que Blog Maneiro"

2- Poste o link do blog que te indicou.

3- Indique 10 blogs de sua preferência.

4- Avise seus indicados.

5- Publique as regras.

6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

7- Envie uma fotografia sua ou de um amigo para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras correctamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.

8- Só é válido caso as regras tenham sido todas cumpridas.

Os meus 10 nomeados são:

1 Fascínio das Palavras - http://fasciniodaspalavras.blogspot.com/

2-Mil Livros, Um Sonho - http://viagemnasleituras.blogspot.com/

3 - Cinema de Ouro - http://cinemadeouro.blogspot.com/

4- Projecto Lê - http://projectole.blogspot.com/

5-Um Farol Chamado Amizade - http://nuestramizade.blogspot.com/

6 - Marcador de Livros - http://marcadordelivros.blogspot.com/

7 - O Cantinho do Bookoholico - http://leitura-constante.blogspot.com/

8 - Leitura das Marias - http://leiturasdasmarias.blogspot.com/

9 - Observatório 234 - http://observatorio234.blogspot.com/

10 - Oficina de Estética - http://oficinadeestetica.blogspot.com/

Continuação de boas leituras a todos...

Prémio "Blog de Ouro"

Foi com surpresa e muita alegria que recebi este prémio dos blogues Mil Livros, Um sonho - http://viagemnasleituras.blogspot.com/ ,"Fascínio das Palavras","chocolate para a alma","Palavras Partilhadas" e ao blog "romances policiais". Prémio este, atribuído a blogues femininos. O meu muito obrigado.
As regras são as seguintes:
- copiar o prémio e colocar no blogue
- fazer referência do nome de quem atribuíu o prémio e colocar no blogue
- presentear seis mulheres cujos blogues sejam uma insiração para si
- deixar um comentário nesses blogues para que saibam que receberam o prémio


As nomeadas para o "Blog de Ouro" são:

Fascínio das Palavras - http://fasciniodaspalavras.blogspot.com/
Um Farol Chamado Amizade - http://nuestramizade.blogspot.com/
A Romancista - http://wolney-custodia.blogspot.com/
Floresta das Leituras - http://florestadasleituras.blogspot.com/
Leituras da Bauny - http://porta-ideias.blogspot.com/
Cinema de Ouro - http://cinemadeouro.blogspot.com/

Continuação de boas leituras :)

UMA PEQUENINA LUZ


Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una piccolo…em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que não a vêem
só a adivinham e raivosamente assopram
uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indefectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não iluminam também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não: brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha.

Jorge de Sena 25/09/49

in Poesia Portuguesa do século XX, Assírio e Alvim

.


Gosto muito desta poesia de Jorge de Sena, espero que também tenham gostado :)

PRÉMIO: PEDAGOGIA DO AFECTO

O meu agradecimento ao "Marcador de Livros" -http://marcadordelivros.blogspot.com/ ;"Fascínio das Palavras"; "Um Farol Chamado Amizade"; O Paraíso é uma Espécie de Livraria"; "Projecto/Lê" e ao "Palavras Partilhadas"- pelo prémio "Pedagogia do Afecto".
Agora, cabe-me a mim distinguir 10 blogues:

1 - Recebendo o troféu, ele deve ser oferecido a 10 blogues que tenham compromisso e afecto com a Educação;

2 - A imagem do selo deve passar a ser exibida permanentemente no blogue;

3 - O nomeado deve colocar um link para o blogue de onde a nomeação foi atribuída;

4 - Nos blogs seleccionados, deve ser deixado um comentário, permitindo assim que eles saibam que foram presenteados e quem os presenteou;


5 - O blogue que receber 5 vezes o troféu “Pedagogia do Afecto” deve ir à página http://pedagogiadoafeto.blogspot.com/ deixar um comentário com o e-mail, para receber uma nova homenagem.

De acordo com as regras estabelecidas, atribuo o prémio a:


Palavras Partilhadas - http://letraseprozac.blogspot.com/
O Paraíso é uma Espécie de Livraria - http://oparaisoeumaespeciedelivraria.blogspot.com/
Continuação de boas leituras :)

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