REBELDES - SÁNDOR MÁRAI


"Mestre das paixões, neste romance Sándor Márai dedica-se não aos Triângulos amorosos mas a outras questões igualmente susceptíveis de despertar emoções fortes: o que une um grupo de jovens revoltados contra tudo e a tudo dispostos.
E arrisca-se a levar o leitor ao centro de um enredo de erros e fúrias, cumplicidades e traições, sofrimento e cobardia - de inconfessáveis atracções e de ambíguas repulsas. Porque trata das vicissitudes e aventuras de um grupo de rapazes, ou melhor, um bando, como se definem a s próprios, no final da Primavera de 1918, numa pequena cidade da Hungria distante da frente e onde a vida, aparentemente calma, é profundamente abalada pela guerra.


Entregues a si próprios enquanto os pais combatem na frente, estes rapazes decidem libertar os demónios da sua revolta impelidos por um ódio ardente contra o mundo, pela sua imaginação e pela sua arrogância - e também por um erotismo, tão mais aceso quanto mais ímplicito -, deixando a guerra para o mundo dos adultos e inventando jogos demasiado perigosos. Um obscuro actor que se torna o seu mentor oculto, envolvendo-os nas suas perversas tramóias, acabará conduzindo-os a um trágico e inevitável epílogo" *

O que eu achei...

Quando comprei o "Rebeldes", estava bastante entusiasmada, porque já tinha lido "As Velas Ardem até ao Fim" de Sándor, e tinha sido uma das melhores leituras de 2008, contudo este romance revelou-se uma desilusão para mim. Não foi um romance que me prendeu do início ao fim. Agora, estou reticente em relação a outro dos seus livros, nomeadamente "A Herança de Eszter"

4/10

* in Os Rebeldes, Sándor Márai

NOITE



A nau de um deles tinha-se perdido
No mar indefinido.
O Segundo pediu licença ao Rei
De, na fé e na lei
Da descoberta ir em procura
Do irmão no mar sem fim e a névoa escura
.
Tempo foi. Nem primeiro nem segundo
Volveu do fim profundo
Do mar ignoto à pátria por quem dera
O enigma que fizera
Então o terceiro a El-Rei rogou
Licença de os buscar, e El Rei negou.
*
Como a um cativo, o ouvem passar
Os servos do solar.
E, quando o vêem, vêem a figura
Da febre e da amargura,
Com fixos olhos rasos de ânsia
Fitando a proibida Azul distância
*
Senhor, os dois irmãos do nosso Nome -
O Poder e o Renome-
Ambos se foram pelo mar da idade
À tua eternidade;
E com eles de nós se foi
O que faz a alma poder ser de herói
Queremos ir buscá-los, desta vil
Nossa prisão servil:
É a busca de quem somos, na distância
De nós; e, febre de ânsia,
A Deus as mãos alçamos.
Mas Deus não dá licença que partamos.
Fernando Pessoa
Sobre Fitzgerald:
"F. Scott Fitzgerald nasceu em St. Paul, Minnesota, em 1896. Frequentou a universidade de Princeton e publicou o seu primeiro romance, Este Lado do Paraíso, em 1920. É autor de O Grande Gatsby e Terna É a Noite, consideradas as suas obras mais importantes, e de mais de 160 contos. Foi também contemporâneo de escritores como Ernest Hemingway e John dos Passos. Morreu em Hollywood, em 1940."*


Como não queria ir ver o filme sem primeiro ler o conto de Scott Fitzgerald "O Estranho Caso de Benjamin Button", comprei o livro e li-o num instante. É um conto pequeno, mas muito interessante. Agora estou expectante em relação ao filme.

9/10

*http://www.presenca.pt/catalogo_ficha_livro.asp?livro=4438
Sinopse: “Em 1999, Stephen King começou a escrever sobre o seu ofício e a sua vida. A meio do ano, um acidente muito noticiado ameaçara a sua sobrevivência e, nos meses de recuperação, o nexo entre a escrita e a vida tornou-se mais crucial do que nunca para o escritor. O resultado é uma obra clara, útil e reveladora.
Escrever é, assim, um relato fascinante que, partindo da experiência específica do autor, proporcionará aos leitores uma nova perspectiva sobre a formação de um escritor, com conselhos práticos e inspiradores sobre todas as fases, desde o desenvolvimento da intriga e a criação das personagens até aos hábitos profissionais e à fuga ao trabalho.
Publicado originalmente no New Yorker e vivamente aclamado, Escrever culmina com um testemunho comovente do modo como a necessidade irresistível de escrever estimulou a recuperação de Stephen King e o trouxe de volta à vida. Brilhantemente estruturado e cativante, este livro ensinará – e divertirá – todos os que o lerem.

Stephen King escreveu mais de trinta livros, todos best-sellers internacionais. Muitos foram adaptados ao cinema – como Carrie, Misery ou Shining – tornando-se filmes de terror de culto.
Escrever – Memórias de Um Ofício é o seu primeiro livro de não ficção”


O que eu achei…
Neste livro, de não ficção, King mostra o seu lado bem-humorado. A começar pelo início quando nos apresenta três prefácios. O primeiro, faz-nos uma alusão da sua juventude e explica-nos o por quê de escrever um livro não ficção, o segundo prefácio alerta-nos que tentará ter menos “palha” possível no decorrer do livro e finalmente o terceiro prefácio diz-nos que “o editor tem sempre razão (…)por outras palavras, escrever é humano, editar é divino”.
Ao longo do livro Stephen King dá-nos a conhecer a sua infância, juventude e as dificuldades que teve em tornar-se um escritor de sucesso. Revela-nos não só as suas inspirações para escrever Carrie e Misery, assim como as suas dificuldades.
Na segunda e última parte do livro dá dicas/exemplos de como escrever, mas vai avisando de que “Se não tem tempo para ler, não tem tempo nem ferramentas para escrever”.

Um livro que recomendo. De 1 a 10 e, dentro deste género, dou 10
“A Literatura, que é a arte casada com o pensamento e a realização sem a mácula da realidade, parece-me ser o fim para que deveria tender todo o esforço humano, se fosse verdadeiramente humano, e não uma superfluidade do animal. Creio que dizer uma coisa é conservar-lhe a virtude e tirar-lhe o terror. Os campos são mais verdes no dizer-se do que o seu verdor. As flores, se forem descritas com frases que as definem no ar da imaginação, terão cores de uma permanência que a vida celular não permite.
Mover-se é viver, dizer-se é sobreviver. Não há nada de real na vida que o não seja porque se descreveu bem. Os críticos da casa pequena soem apontar que tal poema, longamente ritmado, não quer, afinal, dizer senão que o dia está bom. Mas dizer que o dia está bom é difícil, e o dia bom, ele mesmo passa. Temos pois que conservar um dia bom em uma memória florida e prolixa, e assim constelar de novas flores ou de novos astros os campos ou os céus da exterioridade vazia e passageira.”
F. P
(Bernardo Soares)
Livro do Desassossego
In, Fernando Pessoa Agenda Perpétua

Esta, é a agenda que comprei para 2009. Desta, constam: poemas, cartas e reflexões de Pessoa e Seus heterónimos. Acabamos por fazer uma viagem pela sua própria vida.
Uma agenda diferente pois nela, podemos registar, aniversários, encontros, lembranças, acontecimentos e os nossos próprios pensamentos ao lado dos pensamentos deste grande Poeta.
O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wild, é aquele clássico que todos deveriam ler.
Foi publicado em 1890 e escandalizou a sociedade vitoriana que logo se identificou no romance de Wild.
Após ter sido publicado, o romance foi envolvido num escândalo, quando o relacionamento de Wild com o Lord Alfred Douglas se tornou público. Por este motivo, e nas edições que se seguiram, Wild refere que “não existem livros morais ou imorais, os livros são mal ou bem escritos. É tudo”. a)

No início do romance, Dorian representa a pureza e a ingenuidade da juventude antes de ser corrompida pelos males da sociedade. No desenrolar do romance Dorian conhece Basil (pintor) e Lord Henry (personagem que tem influência directa na mudança de Dorian).
Lord Henry, é um aristocrata, amigo de Basil que conhece o belo jovem na casa do pintor, seduzindo-o com as suas palavras. Na opinião de Henry, “ a beleza, a verdadeira beleza, acaba onde principia a expressão inteligente…” a)
Por sua vez, Basil, faz de Dorian o seu modelo e quando este vê, finalmente, o seu retrato, fica triste e revoltado “eu irei ficar velho, feio, horrível, mas este retrato se conservará eternamente jovem. Nele, nunca serei mais idoso do que neste dia de Junho (…) se eu pudesse ser sempre moço, se o quadro envelhecesse!”a)
O seu desejo é tão forte que se realiza. Mas, Dorian só se dá conta disso quando vê as primeiras modificações no quadro e começa a ficar aterrorizado.
a) in O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wild

Eu diria que é uma leitura a não perder. De 1 a 10 dou 10

Ana Karenina



"Por entre o frio de Moscovo e as neblinas geladas de São Petersburgo, uma história de amor imortal que nasce com um simples olhar. Uma história trágica que tudo abandona para se dedicar ao amor de um único homem.

Uma heroína tão intensa e comovedora como Madame Bovary e a Dama das Camélias, que eternizou o nome de Leão Tolstoi colocando-o na galeria dos grandes génios da literatura universal."



Ana Karenina de Tolstoi é simplesmente fascinante. Através da história dramática de Ana e de Levine, um apaixonado pela terra e pelo campo, Tolstoi transmite-nos os aspectos da sociedade russa do séc. XIX estabelecendo comparações com a Europa e a sua evolução.
Quando falo sobre este livro, costumo dizer que a história de Levine, apesar de secundária é tão importante como a de Ana. No filme, não está tão enfatizada esta igualdade, mas no romance sim. Tolstoi dedicou a mesma importância às duas histórias e prendeu o leitor por isso mesmo, fazendo deste romance, um romance ímpar! Por um lado, temos Ana e todas as personagens à sua volta, que nos mostram as reacções da sociedade. Por outro lado, temos Levine com a sua busca existencial ao longo de todo o romance e a sua grande paixão pelo campo e pela terra.

"Quando se aproximaram as cantadeiras, levine deitado em cima da meda, julgou ver cair sobre ele uma alegre nuvem. As medas, os carros, os arados, os campos distantes, tudo se lhe afigurou embalado ao ritmo dessa canção louca, acompanhada de assobios e de gritos estridentes(...) muitas vezes Levine admirava aquela vida e sentia inveja da gente que a levava(...)pela primeira vez dava conta de que dependia dele próprio mudar a sua penosa vida individual" a)


Para quem não conhece, é um romance a ler.

de 1 a 10 dou 10




a) in Ana Karenina, Leão Tolstoi, publicações Europa América

A Cidade dos Livros


Encontrei esta foto na net por acaso, não resisti a colocá-la aqui.
Simplesmente magnífico este espaço. Por certo, é uma montagem, contudo não posso deixar de pensar no silêncio e no sossego que seria estar neste lugar.

REMEMBER


Remember me when I am gone away,
Gone far away into the silent land;
When you can no more hold me by the hand,
Nor I half turn to go yet turning stay.

Remember me when no more day by day
You tell me of our future that you planned:
Only remember me; you understand
It will be late to counsel then or pray.

Yet if you should forget me for a while
And afterwards remember, do not grieve:
For if the darkness and corruption leave
A vestige of the thoughts that once I had,
Better by far you should forget and smile
Than that you should remember and be sad.

Christina Rosseti in Os Pré-Rafaelitas

O Paciente Inglês


Um dia destes, na Fnac, estava uma caixa com livros em promoção e por 2,50€ comprei "O Paciente Inglês" de Michael Ondaatje. Ainda olhei bem, para ver se estava enganada. Mas, não! Era mesmo 2,50 €.

Já tinha visto o filme, mas o livro supera-o de longe....

A História tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial em Itália, no Cairo e em acampamentos no deserto. Onde exploradores desenham mapas de expedição.

As descrições de Ondaatje são tão pormenorizadas que nos fazem viajar e acompanhar os personagens no desenrolar da história...


"Quando a virei todo o seu corpo estava coberto de pigmentos coloridos. Ervas, pedras, luz e cinzas de acácia combinados para a tornarem eterna. O corpo impregnado de cores santas. Só o azul dos olhos desbotado, tornado anónimo, um mapa nu onde nada se inscreve, nem a assinatura de um lago, nem o maciço escuro de uma montanha como a que se ergue a norte de Borkou-Ennedi-Tibesti, nem o leque verde-lima do ponto onde os braços do Nilo entram na mão aberta de Alexandria, a orla de África.

E todos os nomes das tribos, dos nómadas da fé que caminhavam pela monotonia do deserto e nela viam claridade, fé e cor. Do mesmo modo que uma pedra, uma caixa de metal encontrada ou um osso podem ser amados e alcançar a eternidade numa prece. É nesse esplendor desta terra que ela agora penetra, a que passa a pertencer. Morremos albergando em nós uma miríade de amantes e de tribos, de sabores que provámos, de corpos como rios de sabedoria onde mergulhámos e nadamos contra a correnteza, de personalidades como árvores a que trepámos, de medos como grutas onde nos escondemos. Quero tudo isso marcado no meu corpo quando morrer. Acredito nessa cartografia- quando é a natureza que nos marca, em lugar de apenas inscrevermos o nosso nome num mapa, como o nome dos ricos nas fachadas dos edifícios. Somos histórias colectivas, livros colectivos. Não somos escravos nem manogâmicos nos nossos gostos ou experiências. Eu só desejava caminhar por uma terra assim, onde não existissem mapas.

Levei Katherine Clifton até ao deserto, onde se abre o livro colectivo do luar. Estávamos no meio do rumor das nascentes. No palácio dos ventos.


O rosto de Almásy descaiu para a esquerda, fitando o vazio - os joelhos de Caravaggio. Talvez

- Quer uma injecção de morfina, agora?

- Não

- Quer que lhe traga alguma coisa?

- Não" ª


ª) in O Paciente Inglês, Michael Ondaatje


de 1 a 10 dou 10



Saramago...poeta...


Apesar de eu não conseguir gostar ou ler a prosa de Saramago, gosto da sua poesia e particularmente deste poema:


"No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração."

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
“A aclamada autora apresenta a cativante narrativa de como uma mãe encara a trágica perda de um filho e a última oportunidade de um homem para alcançar a salvação da sua alma.”ª Contudo, e no desenrolar do romance, Picoult aborda temas sensíveis e que tocam os nossos valores.
Seríamos capazes de aceitar o coração do assassino do nosso filho para salvar um segundo filho? Será que a justiça reparadora é justa? Quem somos nós (humanos) para julgar alguém? Quem somos nós para decidir a favor ou contra a pena de morte?
E se a pessoa que está no corredor da morte for inocente, mesmo que não consiga provar o contrário?
A dada altura todas estas questões impõem-se.
De 1 a 10 dou 7

a) in Em troca de um Coração, Jodi Picoult

NÃO É FÁCIL NAVEGAR NAS ÁGUAS DA EMOÇÃO



“Criámos um mundo que promete prazer ao homem: a televisão, o cinema, os desportos, os parques de diversões, os jogos electrónicos e o mundo da Internet. Nunca tivemos uma indústria de lazer tão grande e um homem tão triste.
Uma pesquisa que tenho realizado entre diversos tipos de profissionais tem revelado um alto índice de sintomas psíquicos e psicossomáticos. Em alguns tenho encontrado uma média de sete sintomas, tais como: ansiedade, irritabilidade, défice de concentração, cefaleia (dor de cabeça), fadiga excessiva, opressão no peito, alteração do sono, hiperprodução de pensamentos. Estes dados revelam um caos na saúde mental.
Por que tem aumentado o défice de doenças psíquicas na actualidade? Porque melhorámos os diagnósticos e as pessoas têm menos preconceitos para procurar um psiquiatra ou psicólogo? Não apenas por isso, mas principalmente porque o mundo moderno se transformou numa fábrica de stress e ansiedade.
Tais sintomas não são exclusivos de uma classe social ou de uma fase da vida. Jovens e adultos, ricos e pobres, intelectuais e iletrados têm uma baixa qualidade de vida. As crianças também estão a aprender conflitos com frequência.
Recordo-me de uma jovem de 11 anos. Os seus pais eram afectivos e atenciosos. Ela frequentava escola e tinha vários amigos. Contudo, estava deprimida, ansiosa, cansada, desanimada e sem nenhuma auto-estima. Ela estava a começar a vida, mas já conhecia o cárcere da emoção.
Esta adolescente devia estar a brincar, mas estava sufocada por ideias negativas. Foi bombardeada desde pequena, como milhões de outras crianças, pelos média, e pelos diálogos dos adultos ligadas à morte, a doenças, acidentes (…) a sua memória ao invés de se tornar num canteiro de ideias agradáveis ficou entulhada de lixo social (…).
Nunca devemos esquecer-nos de que podemos e devemos gerir as nossas ideias que nos perturbam silenciosamente. Se você não as controlar, elas aprisionam a sua emoção (…). Nunca se sinta coitado diante dos seus problemas, caso contrário eles tornam-se um “monstro”. Todas as doenças emocionais amam o coitadismo e florescem na alma de pessoas passivas. Seja um agente modificador da sua história (…) creia na vida, reacenda a chama da esperança e disponha-se a intervir no palco da sua mente. Tais atitudes começam a preparar o caminho da saúde emocional”




Augusto Cury, Treinando a Emoção para ser Feliz, editora Paulinas 2007

VAI AONDE TE LEVA O CORAÇÃO



Neste romance de Sussana Tamaro - "Vai Aonde Te Leva o Coração" - a voz da maturidade, experiência e sofrimento, fala mais alto.

Mostra-nos o "novo olhar" com que o ser humano fica, após ter passado por certas etapas que a vida, por vezes, reserva.

O livro está cheio de mensagens riquíssimas que nos fazem reflectir “Quando te sentires perdida, confusa, pensa nas árvores, lembra-te da forma como crescem. Lembra-te de que uma árvore com muita ramagem e poucas raízes é derrubada à primeira rajada de vento, e de que a linfa custa a correr numa árvore com muitas raízes e pouca ramagem. As raízes e os ramos devem crescer de igual modo, deves estar nas coisas e sobre as coisas, só assim poderás dar sombra e abrigo, só assim, na estação apropriada, poderás cobrir-te de flores e de frutos. E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera a volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar”

Uma história que se lê mais do que uma vez e muitas outras vezes...


Dias de Melo


Dias de Melo, natural do Pico, paisagem que lhe serviu de inspiração para escrever vários livros durante a sua vida literária. Dizia-se um viciado no cachimbo e na escrita. Deixou-nos a 24 de Setembro de 2008.

Aqui fica um poema...

Aleijadas
Vacilantes
As minhas pernas
Tão trôpegas
Aleijadas
Vacilantes
Que tenho de me amparar
Ao meu bordão

Quando vou caminhando
Corpo cansado
Corpo trémulo
Corpo febril
Tão cansado
Trémulo
Febril
Que tenho de me amparar
Ao meu bordão

Quando vou caminhando
Vendo mal
Ouvindo mal
Respirando mal
Amparado
Ao meu bordão

Quem passa por mim
Não o vejo bem
Oiço-o mal
Às vezes nem o chego a perceber
Nem sempre o reconheço
E fico-me
Amparado ao meu bordão

Quando vou caminhando
Assim
Arrastando-me
Amparado ao meu bordão
Sou um espectáculo para os jovens.
Pensam
Que nunca chegarão a velhos.
Como eu outrora
Em jovem
Como eu outrora



AMEM

It is over. What is over?
Nay, how much is over truly:
Harvest days we toiled to sow for;
Now the sheaves are gathered newly,
Now the wheat is garnered duly.

It is finished. What is finished?
Much is finished known or unknown:
Lives are finished; time diminished;
Was the fallow field left unsown?
will these buds be always unblown?

It suffices. What suffices?
All suffices reckoned rightly:
Spring shall bloom where now the ice is,
Roses make the bramble sightly,
And the quickening sun shine brightly,
And the latter wind blow lightly,
And my garden teem with spices.

Christina Rossetti

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