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11 de Setembro

Se há dias bons para lembrar dias maus, este é um deles.
Este livro tornou os meus dias melhores enquanto me fez companhia.

O livro escolhido foi a última obra do Pedro Guilherme-Moreira, os comentários seguem abaixo.
Se leu dê a sua opinião também, na zona dos comentários!
Se não leu, fique atento e siga as opiniões!



Opinião do Vasco:

Único. Engenhoso. Perspicaz.
O “Livro Sem Ninguém” é, em simultâneo, isso mesmo e nada disso. Trata-se de um livro com e sem personagens. O autor não lhes oferece um nome nem uma caracterização objectiva, mas elas podem ter os nomes que preferirmos e apresentarem a aparência que as nossas mentes lhes quiserem dar.
Confuso? Nem por isso.
Original? Bastante.
Neste livro único, a acção, os detalhes, a descrição, o espaço, os objectos ensinam-nos a entender o desenvolvimento da história, a tal que aparentemente não possui personagens, mas que, obviamente, as tem, embora nos sejam apresentadas de uma forma singular.
A escrita de Pedro Guilherme-Moreira é de uma beleza invulgar, uma quase-poesia numa perfeita-narrativa.
Sendo eu fã do autor, logicamente aconselho a leitura do “Livro Sem Ninguém” porque de facto é bom. Mas preparem-se, pois nós, leitores, também entraremos nele.

Opinião da Paula:

Diferente! Esta é a palavra que me vem à mente quando penso nesta obra de Pedro Guilherme-Moreira!
Uma obra onde não existem personagens! Como é isso possível? O autor coloca os objectos em movimento. Os objectos, as estações e consequentemente as ideias das personagens que não existem - afinal o livro é sem ninguém! O que existe realmente, são as suas acções, demonstradas pelos seus pertences!
Objectos de uma rua onde existe uma escola, uma horta e muita cor; que mudam de espaço e de tempo  mostrando ao leitor a face do racismo, da violência doméstica, do crime, os problemas do jovens e da juventude em geral!
Esta é, sem dúvida, uma leitura diferente, não havendo personagens agarramo-nos aos objectos o que pode dificultar o apego ao livro. No entanto, creio que o autor estava consciente deste risco, quando enveredou por este caminho diferente (como eu já referi), arrojado e arriscado!
Parabéns ao Pedro por esta estória, por esta obra e principalmente por ter conseguido ser original!

Pedro Guilherme-Moreira é um dos autores mais promissores do nosso país. É diferente e arrojado. Pudemos constatar isso mesmo no seu primeiro romance "A Manhã do Mundo" e estamos certos que ficaremos surpreendidos com a ficção lançada há poucas semanas "Livro sem Ninguém".
Aqui está a escolha do escritor portuense, detentor de uma alma imensa.


"Relendo "O meu pé de laranja lima", envergonhado. O meu primeiro livro "a sério", não infantil nem juvenil, que eu levava pelos corredores do colégio para ter força e me sentir menos sozinho aos doze anos. O Zezé
era o meu tronco e falava comigo. Tenho vergonha de não ter relido antes, porque está cá tudo, e até parece simples. Comove e faz rir a cada página. Eu não sabia chorar como crescido antes do Mauro mo ter ensinado. Tem um poema ao pai que é uma merda, dizia o pai. Eu queria concorrer com ele a um concurso literário que também era para crescidos. Era preciso passar à máquina, mas o pai negou, que o poema era uma merda. Eu lia e relia e parecia-me bem, eu era um rio e o pai estava na foz. Passei-o à mão com o joelho no paralelo e a folha sobre um banco de cimento e pedi ao júri dispensa de forma. As lágrimas corriam, eu pensava que ainda eram lágrimas de menino, mas o Mauro, o Zezé e, principalmente, o tio Edmundo, disseram que era direito fundamental, que qualquer homem choraria nessa circunstância. Não quero contar muito mais, para já. Apenas que quem ganhou aquele concurso literário de crescidos foram dois meninos ex-aequo: um de treze anos que se chamava Paulo Rangel, e um de doze que se chamava eu. Eu levava "O meu pé de laranja lima" na mão quando fui receber o prémio."


Pedro Guilherme-Moreira

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