O livro escolhido foi a última obra do Pedro Guilherme-Moreira, os comentários seguem abaixo.
Se leu dê a sua opinião também, na zona dos comentários!
Se não leu, fique atento e siga as opiniões!
Opinião do Vasco:
Único. Engenhoso. Perspicaz.
O “Livro Sem Ninguém” é, em simultâneo,
isso mesmo e nada disso. Trata-se de um livro com e sem personagens. O autor
não lhes oferece um nome nem uma caracterização objectiva, mas elas podem ter os
nomes que preferirmos e apresentarem a aparência que as nossas mentes lhes
quiserem dar.
Confuso? Nem por isso.
Original? Bastante.
Neste livro único, a acção, os detalhes,
a descrição, o espaço, os objectos ensinam-nos a entender o desenvolvimento da
história, a tal que aparentemente não possui personagens, mas que, obviamente,
as tem, embora nos sejam apresentadas de uma forma singular.
A escrita de Pedro Guilherme-Moreira é
de uma beleza invulgar, uma quase-poesia numa perfeita-narrativa.
Sendo eu fã do autor, logicamente
aconselho a leitura do “Livro Sem Ninguém” porque de facto é bom. Mas
preparem-se, pois nós, leitores, também entraremos nele.
Opinião da Paula:
Diferente! Esta é a palavra que me vem à mente quando penso nesta obra de Pedro Guilherme-Moreira!
Uma obra onde não existem personagens! Como é isso possível? O autor coloca os objectos em movimento. Os objectos, as estações e consequentemente as ideias das personagens que não existem - afinal o livro é sem ninguém! O que existe realmente, são as suas acções, demonstradas pelos seus pertences!
Objectos de uma rua onde existe uma escola, uma horta e muita cor; que mudam de espaço e de tempo mostrando ao leitor a face do racismo, da violência doméstica, do crime, os problemas do jovens e da juventude em geral!
Esta é, sem dúvida, uma leitura diferente, não havendo personagens agarramo-nos aos objectos o que pode dificultar o apego ao livro. No entanto, creio que o autor estava consciente deste risco, quando enveredou por este caminho diferente (como eu já referi), arrojado e arriscado!
Parabéns ao Pedro por esta estória, por esta obra e principalmente por ter conseguido ser original!