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Opinião: Quem já teve a oportunidade e o prazer de ler Fernando Évora, sabe que este é um contador de histórias fantástico! Atenção, o autor não conta umas histórias quaisquer, conta essencialmente a história de todos nós, a história do povo, aquela história da terra que sabemos que existe, mas muitas vezes já nos fica distante, mas que nos é intrínseca. Este relato, esta "melodia" são feitos de diversas formas por Fernando Évora, ora ele nos expõe isso de forma simples, ora de forma complexa, mas sempre, sempre de uma maneira apaixonada com um gosto imenso! A sua escrita é muito critica e assertiva sobre a sociedade. Esta que nos acolhe, envolve e nos trai!
Nesta obra, O Mel e as Vespas, o autor dá-nos a conhecer dois lados de uma sociedade. Um que tenta sobreviver à custa de muito trabalho e suor e o outro que se tenta aproveitar deste mesmo trabalho em prol de uma riqueza fácil. A ironia, o sarcasmo, as tradições, os medos e as trapaças são relatadas de forma divertida e irónica.
Uma vez mais, Fernando Évora está de parabéns pela sua escrita!
Adorei! Recomendo sem reservas!

Sinopse
Cancino, vila perdida na serra algarvia, é o cenário deste livro. Porém, este não é um livro sobre uma vila perdida, é antes uma espécie de revisitação da História de Portugal mais recente, num olhar profundamente humanista, que navega entre a miséria e o humor, o destino e o sonho, e também o acaso. Personagens inesquecíveis de carne e osso, narradas com a ironia queirosiana e a originalidade que encantam, que inebriam, e que, no fundo, caracterizam Fernando Évora.

O livro aqui na Wook

Opinião:
Amor e liberdade de Germana Pata-Roxa é supostamente um livro de contos. Supostamente porque ao longo da leitura e tal como diz na sua sinopse alguns contos (uns mais do que outros) estão interligados.
O primeiro conto, retracta uma história cuja acção se passa no futuro. Um futuro em que a população será fortemente atingida. Um futuro que a mim pareceu assustador, onde a nostalgia permanece, mas a necessidade de seguir em frente, remar de acordo com a corrente é permanente! Os mais jovens estão mais receptivos à mudança, as gerações anteriores nem tanto! Porém, a consciência nem sempre está de acordo com as acções, daí que o pensamento, muitas vezes, fuja para o que é realmente correcto ou para o que julgamos ser o mais acertado.
Na minha opinião, de todos os contos presentes nesta obra, assim como as outras obras que tive oportunidade de ler do autor, este primeiro conto teve um registo diferente! Gostei e soube-me a pouco. Se o autor o desenvolvesse daria uma excelente estória.
Ao avançarmos na leitura, é notório que os contos estão relacionados e ainda bem que assim é, pois gosto das histórias com algum desenvolvimento para poder apreciar devidamente!
A escrita de Fernando Évora, é sem dúvida uma escrita que caracteriza o povo – o povo na sua essência. A forma como o faz é excelente, o apelo à reflexão é uma constante e o humor (de forma muito subtil) está presente em cada parágrafo!
Fernando Évora é um grande contador de histórias, histórias estas que pretendem realçar a condição humana em todas as suas vertentes!
Parabéns ao autor por mais esta obra! Excelente!

Pode ainda ler:
*Participação do autor na rubrica "O Livro" aquele que para mim é únicoO Livro de San Michele, Axel Munthe
O meu convidado de hoje é o nosso conhecido e simpático Fernando Évora


Fernando Évora é autor do recentemente publicado “Amor e Liberdade de Germana Pata-Roxa”. Antes editou “A fonte de Mafamede”, “Como se de uma fábula se tratasse” e "No país das porcas-saras". Nasceu em Faro, em 1965, tendo vivido entre o Algarve e o Alentejo.  É também professor de História. 




Quando fiz 12 anos os meus pais ofereceram-me “O livro de San Michele”. Até então já tinha lido meia dúzia de livros. Talvez umas aventuras dos “cinco” ou dos “sete”, por quase obrigação geracional, os “Esteiros” de Soeiro Pereira Gomes, porque me encantara com os excertos que então povoavam os manuais do ciclo preparatório, e “David Copperfield” que encontrara em casa e porque ouvia falar de Charles Dickens como um autor importante, coisa que se tinha que ler na vida, e quanto antes melhor. Mas aquela prenda de anos era o primeiro livro, daqueles que julgava com L grande, que verdadeiramente me ofereciam. E eu nunca ouvira falar, sequer no autor. Devia ser bom, para os meus pais me oferecerem, pensei muito justamente. Ainda por cima era o número um da coleção “Dois Mundos”, e se o tinham escolhido para número um, por boa razão seria.
Lembro bem esses dias em que o li: era Verão, que Agosto é o meu mês de aniversário, e estava na Zambujeira do Mar. Iniciei a leitura do “Livro de San Michele” com alguma solenidade, cheio de expectativas de ser transportado para outro mundo (como me acontecera, sobretudo, com os “Esteiros”). Mas a coisa ficou difícil. Aquilo começava com um rapaz sueco recém-formado em medicina que ia para a ilha de Capri. Nas primeiras páginas havia uma carrada de italianismos que me escapavam ao entendimento. O livro era, dir-se-ia em linguagem dos dias de hoje, uma “seca”. E eu avançava nele devagarinho, muito devagarinho, apenas por obrigação para com tão importante presente. Então, no início do livro que já não era início de leitura, recebi na Zambujeira  a visita dos meus pais (que belos hábitos esses de passar férias aprendendo o mundo dos avós). Recordo que estava com o meu pai no terraço da casa na Zambujeira, alcançando com o olhar as dunas para os lado dos Alteirinhos, quando lhe confessei o meu problema: não estava a gostar do livro, era um sacrifício que fazia e parava logo passado duas ou três páginas. Esperava que ele me libertasse da penosa tarefa de o ler. “Vais em que página?”, perguntou-me o meu pai. “47”, respondi. E ele observou-me, com toda a naturalidade, como se fosse uma lei da literatura (ou pelo menos dos leitores de livros):
- Um livro nunca se deixa antes de chegar à página 100!
Convencido daquele princípio civilizacional, mas aliviado por já só ter de ler pouco mais de cinquenta páginas, do mal o menos, retomei a leitura.
E, então, aconteceu: apaixonei-me pelo “Livro de San Michele”. Talvez os doze anos sejam a melhor altura para se ler um livro. Vive-se intensamente os personagens, bebe-se avidamente a ficção porque não se conhece ainda a realidade. Agora, que me obrigam a pensar nisso, julgo que talvez poucas coisas tenham mudado tanto a minha vida como “O livro de San Michele”. Pude comprová-lo quando há alguns anos, pouco depois de ter passado a barreira psicológica dos quarenta, me resolvi a relê-lo.  Descobri que quase todo eu estava ali. A minha admiração para com a bicharada (pouco depois de ler o livro queria ser zoólogo, todos os meus livros – vejo agora – têm algo a ver com bichos, mais que não seja no título); o tremeluzir das noites de luar mediterrâneo, o balançar da vida entre as piadas do absurdo da existência, do amor e da liberdade; a eterna dúvida sobre a existência de duendes.
Convém dizer, a quem não conhece, que “O livro de San Michele”, é um romance quase autobiográfico de Axel Munthe. Axel Munthe era médico (tantos médicos que deram bons escritores!) sueco e viveu grande parte da vida em Capri (mas também em Paris ou em Milão nos tempos da cólera). Viveu com ricos e pobres, mas parece-me que gostava particularmente de animais (um outro livro, muito giro, de Munthe, é “Homens e bichos”).  
Hoje tenho a certeza que não morrerei sem visitar Capri e rumar à villa San Michele. Talvez por isso tenha vindo a adiar essa visita. Espero que a morte não me finte neste particular. E ainda conservo na minha inocência a lei da literatura que o meu pai me ensinou, a tal das cem páginas. Talvez por isso escreva livros com pouco mais de cem páginas, e goste de me certificar, discretamente que tento ser educado, se os meus leitores concluíram ou não a leitura dos ditos, o que tomo por indicador seguro da qualidade dos mesmos.
Por isso perceberão que tenha escolhido para “o livro que para mim é único” este “O Livro de San Michele" e não aquele que acho a maior obra-prima da literatura:  “Cem anos de solidão” de Gabriel Garcia Márquez.

Fernando Évora

É sempre muito agradável quando nos oferecem livros, ofereceram-me esta semana "Como Se De Uma Fábula se Tratasse" de Fernando Évora, obra esta que recebeu uma menção Honrosa no Prémio Manuel Teixeira Gomes.
Aprecio bastante a escrita de Fernando Évora,  na qual a conjugação de um olhar bastante crítico e um toque de humor é uma constante! A capa desta obra, da autoria de Gonçalo Condeixa  está fantástica, conquistou-me!
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Li No País das Porcas-Saras, do autor, uma excelente obra que nos fala do Alentejo de outrora e das suas gentes! Uma leitura que recomendo!
Em relação a este livro, o comentário será para breve ;)
Opinião:
Fernando Évora brinda-nos com uma história passada no Alentejo, onde os personagens, provenientes do meio social pobre lidam/enfrentam os problemas do seu dia a dia tentando resolver o que muitas vezes não tem resolução possível!
Caminhamos, nesta leitura, por um Alentejo que cheira a terra e a pobreza, mas esta pobreza é também e essencialmente de espírito. Embarcamos nos sonhos de Dolondina, menina mulher que em criança guarda as porcas-saras numa caixa de sapatos. Guarda-as e vai substituindo uma a uma conforme secam. Estes bichos abundavam por aquela terra, tal como os sonhos de Dolondina, que os ia substituindo sempre que morriam, como fazia com as porcas-saras. As palavras, trocar, substituir, prescindir, fazem parte da vida desta personagem que desde cedo viu o seu nome “Gonçala” substituído por Dolondina Inácio. Este sim, tinha vindo para ficar e nunca mais ser trocado, assim como o seu destino.
Toda a história gira em torno de Dolondina: um tio que a cobiça, uma tia que se apaixona pelo seu pai (Avelino Comichão), uma mãe, Esperancinha, que é engolida pelo poço, uma avó (poetisa do povo que até dá entrevistas) e que a faz prometer escrever um livro de poemas em sua memória. Uma avó que sempre sonhou ser enterrada num lindo caixão e que a ingenuidade da neta e a maldade do genro deitaram tudo a perder…
Gostei da escrita de Fernando Évora, uma escrita segura onde a ironia e o vocabulário usados fazem todo o sentido e enriquecem de tal forma o texto que às tantas estamos a ler verdadeiramente alheios ao que se passa à nossa volta e só a história nos capta toda a atenção…
Aconselho este livro sem reservas, pois esta é uma EXCELENTE leitura!

Sinopse:
Uma velha quase analfabeta que rima as palavras em quadras e décimas; uma menina que desperta os apetites sexuais de um tio; uma mulher com medo do escuro; um homem que faz malabarismos com um palito na boca; um galinheiro, um poço, um sobreiro, uma caixinha de cartão.
Personagens inesquecíveis e cenários decrépitos de uma história que tem lugar no Portugal do século XXI, num interior esquecido.
Usando uma finíssima ironia e revelando um domínio perfeito da «arte de bem escrever», o autor conta-nos uma história de alentejanos, pobres, rurais, que no fundo se confrontam, num dia-a-dia feito de riso, raiva e desassossego, com problemas que também são nossos: a violência doméstica, o suicídio, o incesto, a desertificação do interior, a crise de valores.
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SOBRE O AUTOR:
Fernando Évora. Nasceu em Faro, em 1965. Tem-se afirmado como autor de contos, modalidade onde já obteve vários prémios literários. Além de alguns textos dispersos e incursões na literatura infantil, publicou uma pequena novela histórica, A fonte de Mafamede, e uma quase-fábula, Como se de uma fábula se tratasse.

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